A deificação das “falhadas”

Entretanto, as grandes falhadas deste governo, a ministra da Saúde e a do Trabalho e Solidariedade Social, que parece não acertarem uma que seja, foram recebidas e endeusadas como imperatrizes romanas. Ninguém percebe bem porquê, mas talvez neste desvirtuado PSD de Montenegro, os malsucedidos e os fracassados tenham honroso lugar sob o pálio laranja da inabilidade.

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  • 22:36 | Domingo, 21 de Junho de 2026
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Decorreu este fim de semana mais um congresso político. Desta feita, do PSD, o 43º, no velódromo de Sangalhos.

Veio a propósito para lamber feridas, desviar as atenções dos últimos falhanços, prometer que “agora é que vai ser”… a tal narrativa de quem não acerta o passo com a partitura e, de fífia em fífia, vai desfilando numa claudicante cacofonia.

Houve de tudo, até o regresso do filho pródigo, o travesso Santana que, nestas últimas décadas vai e vem como um yó-yó, sempre em estado de graça, promovido por socialistas, por sociais democratas, enfim, por quase todos quantos na política bulem.


Achar-lhe-ão piada e ele, na sua multimodal polivalência tem comprovado ser pau para toda a colher, desde assessor a brevíssimo primeiro-ministro, desde provedor a autarca regional, desde comentador televisivo a empresário , desde fundador de um partido político, a Aliança, em 2018, até buliçoso playboy da noute lisboeta. Um sucesso!

Veio, reinscreveu-se como militante do partido e disse não pedir desculpa por ter saído. Nem sequer pediu desculpa por ter reentrado, talvez comovido com a entusiástica recepção ao “volta filho amado que estás perdoado”.

O outro Pedro bem lhe podia seguir as pisadas e aproveitar o sítio certo para disparar as suas contundentes críticas, agora, decerto triste com as patéticas peripécias do seu discípulo preferido, o homem ao lado dos trabalhadores, o apoiante das lutas sindicais, o reconvertido Ventura do Chega.

Entretanto, as grandes falhadas deste governo, a ministra da Saúde e a do Trabalho e Solidariedade Social, que parece não acertarem uma que seja, foram recebidas e endeusadas como imperatrizes romanas. Ninguém percebe bem porquê, mas talvez neste desvirtuado PSD de Montenegro, os malsucedidos e os fracassados tenham honroso lugar sob o pálio laranja da inabilidade.

A Rosário Palma Ramalho promete voltar em força, pois fracassou na sua promessa aos patrões e deve querer reconciliar-se com eles. A Ana Paula Martins, uma mais-valia inexcedível na destituição das administrações das USL’s deste país – dizem as línguas viperinas que para lá meter os apaniguados derrotados e desempregados das autárquicas – e um valor seguro na descredibilização do SNS – dizem as más línguas que para abrir senda aos privados – luzidia dos encómios, ao fim de dois anos afirma estar em vias de cortar a meta, talvez daqui a uma década. Entretanto acusa tudo e todos dos seus falhanços e, como o Dom Afonso Henriques parece ter estado no congresso, decerto lhe assacou também e pessoalmente culpas dos seus reiterados e calamitosos fracassos.

A parlenda já vai longa… este congresso foi mais uma sucessão de enviesadas falácias, de promessas e de acusações do que uma convenção com assisados rumos de governação para um país anestesiado pela canícula e pelos dribles do Mundial.

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