A PSU

Subsídios sim, coesão social sim, integração sim, mas só até ao ponto em que a parte interessada, perante uma oportunidade, não rejeite ou apresente razões substantivas para a recusa. No mais, é acabar com o regabofe alimentado com o dinheiro de todos. Acabe-se com o Estado fofinho, mãos largas, perdulário e anafado.

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  • 16:49 | Segunda-feira, 08 de Junho de 2026
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A propósito da propalada PSU, razão de indisposições, arrufos e divergências, zangam-se as comadores, como se o trabalho social obrigatório fosse lepra ou vírus contagioso. Eu, livre e esturricado com exemplos tristes, alinho na equipa dos que defendem que os subsídios têm de ser fiscalizados e moralizados. Conforme está, está feio. Prazos mais curtos? Corte, após a primeira rejeição? Trabalho social obrigatório? Seja lá o que for, pior do que está não fica.

A experiência diz-me que uma grande fatia da população que recebe esses apoios senta-se confortavelmente nas ajudas, complementando-as com trabalho não declarado. Juntos, o subsídio e o trabalho oculto, compõem um salário simpático. É um roubo que o Estado devia punir. Mas como o Estado não fiscaliza nem se importa com isso, a fraude vai ganhando corpo nas barbas de quem devia resolver e faz de conta. Porque fingir é mais cómodo.
Esta dependência é uma praga que ninguém interrompe e quando alguém intenta fazê-lo cai-lhe num arreganho feroz o mundo “lúcido” em cima.

Excluo naturalmente os que por razão de doença e idade já não podem. Que Deus, na sua infinita misericórdia, se lembre deles.

Mas com aqueles que chamados para uma oferta de trabalho respondem confortáveis “não tenho perfil para”, “ainda tenho mais um ano e meio”, “não, não quero”, ou faltam, impunha-se medida exemplar e definitiva. Subsídios sim, coesão social sim, integração sim, mas só até ao ponto em que a parte interessada, perante uma oportunidade, não rejeite ou apresente razões substantivas para a recusa. No mais, é acabar com o regabofe alimentado com o dinheiro de todos. Acabe-se com o Estado fofinho, mãos largas, perdulário e anafado.


O Estado tem a obrigação de incluir, agregar, não deixar ninguém de fora, mas quem é apoiado pelo Estado em momentos críticos tem o dever responder afirmativamente quando janelas se abrem.

Venha de lá o instinto prescritivo e assertivo.

As regras e o seu cumprimento não são propriamente ideológicas, são fonte de sobrevivência e continuidade de um tecido social criado harmonicamente.

Um dia, o poço pode secar…

 

Rebelo Marinho

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