Manteigas propõe ‘fricção’ criativa em torno da Lã, como matéria-prima comunitária, criativa e de inovação

Destaque para o primeiro momento do evento, Flávio Massano, presidente da Câmara Municipal de Manteigas, recebe os residentes numa conversa informal a acontecer na sexta-feira, dia 22 de maio, às 9H30, seguida das visitas guiadas às duas fábricas e um workshop de classificação de fibras de lã orientado pela associação Ovibeira.

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  • 11:59 | Quinta-feira, 21 de Maio de 2026
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De 22 a 24 de maio e de 10 a 12 de julho, Manteigas volta a ‘tecer’ o futuro da lã e a afirmar-se como território de inovação, criatividade, criação e reflexão em torno desta matéria-prima ancestral.

Esta é mais uma edição do Lãnd Wool Innovation Week que chama a esta território serrano uma série de iniciativas entre as quais a exposição “Fricção” na nova Casa Lãnd; residências criativas e comunitárias; oficinas, conversas temáticas; concertos e momentos gastronómicos.

 


FRICÇÃO

Exposição na Casa Lãnd

22 de maio a 12 de julho

 

Nesta edição do Lãnd, a Casa volta a acolher uma exposição de peças feitas em lã. Focamo-nos na área de design de interiores mostrando como criativos de diferentes áreas e contextos usam a lã como matéria-prima, alimentando a sua indústria e manufatura e mostrando o seu potencial.

 

Artistas e entidades presentes:

Francisco Couto, ilustrador e artista plástico, dedica-se à prática e à disseminação da técnica tufted, a Fabricaal reinventa o magnífico património das mantas alentejanas, já Ana Paula de Almeida ilumina espaços com calorosas cores de lã, a Burel Factory continua a inovar em novos produtos e parcerias onde a investigação em design é uma constante.

Carlos Noronha Feio, artista, comunica manifestos na técnica de tapetes de Arraiolos. Tudo isto acontece porque existe, contacto entre diferentes ideias, gerações, contextos, ideologias e formas de fazer. Tudo isto é fricção, fricção criativa e produtiva!

A Casa Lãnd que tomou o lugar da antiga Casa do Povo de Manteigas, construída pelo círculo operário católico, era uma espécie de associação dos operários fabris católicos da altura, por isso, intimamente ligada à lã e ao património fabril dos séc. XIX e XX. Foi um espaço de convívio onde os homens liam o jornal, jogavam, viam filmes e praticavam o ócio. Este espaço simbólico e querido do Povo de Manteigas onde, segundo alguns transeuntes que passaram à sua porta durante a última edição do Lãnd, “se jogava às cartas e eram exibidos filmes de propaganda”, foi recuperado para a ser agora um espaço de encontro de todos, um local onde se recebem residentes e convidados, onde se trocam e produzem ideias.

 

RESIDÊNCIAS CRIATIVAS

As residências acontecem em parceria com as duas fábricas do concelho, a Ecolã e a Burel Factory. A proposta das residências assenta no desenvolvimento de um produto para a Casa Lãnd, contribuindo para um conjunto de produtos que habitarão a Casa Lãnd sendo partilhados com a comunidade.

Os residentes terão a possibilidade de imergir no potencial de cada fábrica trabalhando com os mestres na cultura e no conhecimento do território de Manteigas.

Destaque para o primeiro momento do evento, Flávio Massano, presidente da Câmara Municipal de Manteigas, recebe os residentes numa conversa informal a acontecer na sexta-feira, dia 22 de maio, às 9H30, seguida das visitas guiadas às duas fábricas e um workshop de classificação de fibras de lã orientado pela associação Ovibeira.

Este ano contam com a presença e os contributos dos designers: Gonçalo Prudêncio (Ghome), Miguel Vieira Baptista, Raquel Castro e Maria Bruno Neo.

 

 

TALKS

22 de Maio – Henrique Ralheta e Tiago Quaresma

23 de Maio – Carlos Coelho; Jorge Cristino

As Talks do Lãnd são sempre um momento relevante, onde se partilham temas e experiências transversais às comunidades de qualquer território. Centramos a nossa escolha em práticas de design num sentido abrangente, selecionando intervenientes que estudam e planeiam temas de economia, sustentabilidade, território, comunidade, cultura e design. Este ano contamos com Carlos Coelho (Ivity), Henrique Ralheta (Loulé Design Lab); Jorge Cristino (Get2C); Tiago Quaresma ( O Valor do Tempo). Juntamos Francisco Afonso (New Hand Lab) e debuxadores à conversa.

Em julho teremos o olhar singular da artista Joana Bastos, a dupla dinâmica do New Hand Lab – Francisco Afonso e Ana Paula de Almeida, e o lançamento do livro “Uma nova economia para a aldeia do séc. XXI”, de Jaime Izquierdo e Ana Mendonça.

 

OFICINAS, CONCERTOS E MOMENTOS GASTRONÓMICOS

Durante os dois fins de semana do Lãnd, a comunidade e os visitantes juntam-se em várias oficinas, concertos e momentos gastronómicos, como o piquenique na fábrica do rio, no domingo 24 de maio. Momentos que permitem experienciar novas e ancestrais formas de olhar e trabalhar a lã, de conhecer saberes e sabores locais, ouvir música, dançar e manter contacto com a natureza circundante.

Tema: Fricção

Na física da lã, a fricção entre fibras é o que cria a sua força. Estas fibras, caracteristicamente elásticas e divergentes na sua morfologia escamada, quando friccionadas e batidas, entrelaçam-se, transformando-se num feltro resistente que protege das intempéries mais rigorosas. Sem este contacto turbulento, não há união.

Inspirado neste fenómeno natural, o Lãnd propõe o tema FRICÇÃO como metáfora e força motriz: o encontro entre o que se opõe, o atrito que gera movimento, transformação e criação. No contexto atual, grande parte da lã portuguesa e europeia é tratada como resíduo, despojada do seu valor ancestral. O que durante séculos sustentou comunidades, economias e sistemas simbólicos é agora desvalorizado num mundo industrial que coloca preço acima dos valores de comunidade e território.

A lã não é desperdício e recuperá‑la é um gesto de reconexão com o território, com o trabalho manual e com o futuro sustentável que exige responsabilidade material.

Queremos evidenciar este património material e imaterial comum num encontro com vivências divergentes. Ao pôr em contacto realidades distintas, distantes no tempo e na paisagem, o Lãnd procura recriar uma fricção fértil, um lugar de contacto e vibração de onde nasce resistência, textura e valor. Um lugar de pensamento e reflexão.

Convidamos-vos a descobrir como a lã nos liga a todos numa metáfora de união mecânica, que se faz cultural, social e económica.

No âmbito do Lãnd, as Residências Comunitárias afirmam-se como espaços de encontro intergeracional e criativo, onde a fricção entre experiências, ritmos e saberes gera novas formas de relação e criação.

A primeira residência comunitária começou em abril e que culmina em julho com a comunidade sénior e decorre sob a coordenação artística de Susana António. Partindo da tradição manual e da partilha entre gerações, a comunidade mostra-se, afirma-se, partilha memórias e gera continuidade.

A segunda residência, com a coordenação artística de Susana Venâncio, envolve a comunidade escolar de Manteigas. Aqui, a experiência táctil com a lã serve de ponto de partida para explorar ligação ao território e ao seu património, desenvolvendo uma consciência ecológica entre os mais jovens.

Estas residências provocam contacto, partilha de histórias e transmissão de saberes. o resultado é uma proximidade intensa que constrói resistência e noção de pertença comum.

Os resultados destas residências artísticas serão apresentados em julho aquando do segundo fim de semana de programação do Lãnd.

O Lãnd Wool Innovation Week integra o Plano de Ação da Estratégia de Eficiência Coletiva PROVERE Aldeias de Montanha 2030 e é cofinanciado pelo Centro 2030.

Organização: Rede de Aldeias de Montanha e Município de Manteigas

Lãnd Innovation Week

Site Oficial > https://land-week.com/

Facebook > https://www.facebook.com/landweek2023

Instagram > https://www.instagram.com/land_wool_innovation_week/

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