Município de Torre de Moncorvo exige justiça fiscal no processo da venda das barragens do Douro

Cinco anos depois de um negócio que envolveu cerca de 2,2 mil milhões de euros, a Autoridade Tributária notificou a EDP da intenção de cobrar valores referentes a IMT, IRC e Imposto do Selo. Parte dessa receita deve reverter para os municípios abrangidos, representando um direito legítimo das populações que, durante décadas, acolheram estas infraestruturas e suportaram os seus impactos.

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  • 11:58 | Quarta-feira, 13 de Maio de 2026
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O Município de Torre de Moncorvo manifesta a sua profunda preocupação perante a decisão da EDP de recusar o pagamento dos 335 milhões de euros em impostos relativos à venda de seis barragens do Douro, entre as quais se incluem infraestruturas com impacto direto no seu território e na região.

Cinco anos depois de um negócio que envolveu cerca de 2,2 mil milhões de euros, a Autoridade Tributária notificou a EDP da intenção de cobrar valores referentes a IMT, IRC e Imposto do Selo. Parte dessa receita deve reverter para os municípios abrangidos, representando um direito legítimo das populações que, durante décadas, acolheram estas infraestruturas e suportaram os seus impactos.

Para o Município de Torre de Moncorvo, este processo não pode continuar a arrastar-se indefinidamente. A região do Douro Superior e Trás-os-Montes tem dado muito ao país, seja através da produção de energia, da ocupação do território por grandes infraestruturas ou da cedência de recursos estratégicos. É tempo de garantir que esse contributo tem o retorno devido.


O Presidente da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, José Meneses, considera que a posição da EDPé incompreensível para as populações que vivem nestes territórios e que há muito aguardam por justiça”.

O Município de Torre de Moncorvo vai continuar a forçar, por todos os meios institucionais e legais ao seu alcance, o pagamento daquilo que é um direito da nossa região. Não estamos a pedir nenhum favor. Estamos a exigir justiça fiscal, respeito pelos municípios e reconhecimento pelo contributo que estes territórios deram e continuam a dar ao país.”

José Meneses sublinha ainda que este é um assunto que ultrapassa qualquer disputa administrativa ou jurídica.

Durante décadas, estas barragens produziram riqueza e energia para Portugal. As populações do interior suportaram os impactos no território, na paisagem e na vida das comunidades. Agora, quando está em causa uma receita que pode reforçar o investimento público local, não aceitaremos que o processo fique esquecido ou adiado indefinidamente.

O Município de Torre de Moncorvo apela à Autoridade Tributária para que atue com firmeza, rigor e celeridade, garantindo a cobrança dos montantes devidos e assegurando que os municípios são devidamente envolvidos e informados ao longo do processo.

Apela igualmente ao Governo para que acompanhe esta matéria com a responsabilidade que ela exige. O Estado não pode permitir que os territórios do interior sejam apenas lembrados quando é preciso produzir energia, explorar recursos ou ocupar território com grandes infraestruturas. Também devem ser lembrados quando chega o momento de distribuir de forma justa o valor gerado.

O Município de Torre de Moncorvo continuará, ao lado dos restantes municípios abrangidos e das entidades que têm acompanhado este processo, a defender os interesses da região e das suas populações.

Esta é uma causa de justiça, de respeito e de dignidade territorial.

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