A era dos mentirosos

Hoje, denegrir, difamar, esconder a verdade, difundir a mentira é um negócio de ouro.

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  • 17:56 | Quinta-feira, 07 de Maio de 2026
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Na boca de um político, a palavra “verdade”, mesmo quando mente com os dentes todos, ocupa um amplo espaço da sua retórica quotidiana.

Quem não ouviu expressões tais como It’s true It’s the honest truth ou That’s the truth, nos discursos reiteradamente proferidos pelo maior “petas” do século XXI, cujo nome nos dispensamos de mencionar, pois todos sabem quem é, tal sendo a profusão de mentiras, falácias, inverdades que fazem do seu básico discurso a desclassificação da Verdade tal como todo o cidadão crítico, ilustrado e lúcido a conhece.

A mentira ou o “fake”, muito localizada na oratória dos autocratas posicionados nos extremos do espectro político é hoje estruturante das fanfarronices que proferem. O que nada tem de inocente, pois o exacto conhecimento do acriticismo e acefalia da maioria dos seus seguidores, dos destinatários das suas lengalengas, determina esse registo como sendo o mais convincente, facilmente dilucidável, basicamente assimilável.

Eles mentem porque as suas claques são incapazes de distinguir a verdade da mentira, certo sendo que a mentira, a realidade efabulada, distorcida e descabelada, por mais inverosímil que seja, colhe mais aceitação do que a linear factualidade.


Eles mentem porque a credulidade dos seguidores é adubo fértil para os afastar da análise objectiva, que eles próprios, muitas vezes, não querem ver, preferindo-a edulcorada com as mais fantasiosas variações.

Não é por acaso que há um aforismo sábio que refere. “Quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto…” Só que, na práxis política, a narrativa em vigor não deveria ser uma ficção, mas sim a inequivocidade do real.

Distante vai o tempo em se fazia fé na Bíblia quando afirmava: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (João, 8:32).

Pela boca de muitos líderes políticos, a verdade passa a ser “a minha verdade” e será por ela e no seu seguidismo que se alcançará a epifania da felicidade.

Discurso hoje também em prática nas seitas religiosas que pululam por esse universo fora, transacionando “banha da cobra” como verdades insofismáveis que os seus crentes não questionam, antes querem muito ver a troco de chorudas esportulações.

E será talvez pela força arrasadora da mensagem, nesta era digital das redes sociais, que os trolls encontraram o oásis para as suas mais delirantes quanto pérfidas e vis maquinações. Claro está que, na maioria das vezes, pagos a preço de platina…

Hoje, denegrir, difamar, esconder a verdade, difundir a mentira é um negócio de ouro. Até em Portugal, onde partidos aparentemente moderados, já criaram as suas secretas e opacas “secretarias de estado da comunicação”, o que quer que tal seja para, com as novas tácticas da propaganda, talvez como as maquinou na sua essência Joseph Goebbels, esse sombrio ministro de Hitler, intervirem na efabulação do real que os prejudica por força da sua inépcia governativa.

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