Um governo para os “donos disto tudo”

Mas não está só, tem a seu lado a estrepitosa defensora dos “monopólios naturais”, a inflamada líder da Iniciativa Liberal, os serviçais submergidos do CDS e, talvez sim, talvez não – depende da disposição do dia – os histriónicos populistas do Chega. Mas que cacofónico quarteto…

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  • 19:07 | Segunda-feira, 04 de Maio de 2026
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Não há hoje grandes dúvidas acerca da posição onde se situa este XXIV Governo Constitucional em matéria empregatícia e nas relações com a esfera laboral.

Neste contexto, com  a Proposta de Lei apresentada por uma ministra conhecedora das condições de trabalho em que operam milhões de portugueses, não através da realidade vivida, mas por meio de uma eventual realidade ficcionada, entrevista através das amplas e escurecidas vidraças de um luxuoso gabinete onde incensam afobados dezenas de neófitos assessores com gravatas à cor, acaloradamente aplaudida por todos os patrões e banqueiros de Portugal, mais que a todos servirá também os interesses do primeiro-ministro do governo que a escolheu, a acolhe e a suporta.

Mas não está só, tem a seu lado a estrepitosa defensora dos “monopólios naturais”, a inflamada líder da Iniciativa Liberal, os serviçais submergidos do CDS e, talvez sim, talvez não – depende da disposição do dia – os histriónicos populistas do Chega. Mas que cacofónico quarteto…


Esta é a gente que virou definitivamente as costas aos milhões de trabalhadores deste país e está de dadivosas mãos estendidas para as confederações de patrões e banqueiros de Portugal. Para quem, aliás, e de acordo com as régias leis do mercado, só o aumento galopante dos lucros tem algum significado, mesmo que seja à custa de acrescidos sacrifícios e da perda de direitos laborais há muito consignados, fruto de muitas e porfiadas lutas.

Ao fim de sucessivos “inconseguimentos” por parte de Rosário Palma Ramalho, claramente mostrando através de qual prisma lobriga a realidade circundante e ao lado de quem se posiciona, numa intransigência aclamada por quem a segura e protege, esta ministra já provou à saciedade que dificilmente conseguirá demover da sua persistente e despudorada senda neoliberal os obstáculos que soube criar e que persiste em manter, com perda de credibilidade e sem capacidade negocial convincente, antes estribada no apoio poderoso de alguns contra a força colectiva de muitos.

As reformas de Montenegro são estas, contra os imigrantes para estar nas boas graças de Ventura, contra os trabalhadores, para estar nas boas graças dos “donos disto tudo”.

Quanto ao resto, muita artificiosa demagogia congeminada talvez pela sua nova secretaria da comunicação, alguma chocarrice e bruaá para ficar ao nível do Chega e bastante neoliberalismo percepcional para não ficar atrás da IL.

Falta-lhe a dose de IA, qb, para, com umas falácias bem montadas, ficar ao sub-nível de um insano Trump, de um histérico Milei ou de um tartamudo Feijóo.

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