Os 50 Anos da Constituição da República Portuguesa e a triste figura dos do costume

Ventura (...) esteve igual a si mesmo: inflamado num berreiro histriónico, grosseiro nas suas afirmações, repetindo-se como se de um disco riscado se tratasse, no papel recorrente de um Calimero, vítima do sistema e demagógico até à saciedade

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  • 16:37 | Quinta-feira, 02 de Abril de 2026
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Celebraram-se hoje na Assembleia da República os 50 Anos da Constituição da República Portuguesa.

Como já não é de estranhar, a cerimónia ficou “inquinada” por duas intervenções, a de Paulo Núncio, do CDS-PP e a de André Ventura, do Chega.

Núncio, ponta de lança de um CDS “desibernado” veio vocalizar o seu bolorento reacionarismo e assumir a sua mais mofenta matriz. No que foi muito aplaudido pelos cheganos. O que também não é de estranhar numa bancada que inclui os “migrantes” mais ultramontanos do CDS e do próprio PSD, de onde, aliás, é politicamente oriundo o seu líder e outros, como por exemplo o polémico autarca de Albufeira.

Paulo Núncio, um dos quatro deputados eleitos a reboque do PSD e da AD – sem a qual não existiriam – tem-se vindo a fazer notar pelo panegírico subserviente e constante ao governo vigente e pelas suas posições radicais, que a extrema direita muito aplaude.


Na nossa óptica e opinião, fez hoje uma triste figura, cavalgando  sem estilo a onda do populismo, agora tão na crista da onda.

Ventura, o líder do Chega com quem o PSD e o CDS parece terem-se finalmente mancomunado, numa relação de facto que não tardará a redundar em “violência doméstica”, provando à evidência que o rotundo e enfático “não é não!” de Montenegro era mera balela “pour épater le bourgeois”, esteve igual a si mesmo: inflamado num berreiro histriónico, grosseiro nas suas afirmações, repetindo-se como se de um disco riscado se tratasse, no papel recorrente de um Calimero, vítima do sistema e demagógico até à saciedade, populista de acordo com a sua matriz ideológica, a falar de bombas e bombistas, sem olhar para algumas das “venerandas” figuras da sua bancada e insultando os Deputados da Constituinte, convidados pelo presidente da AR – que uma vez mais comprovou não ter mão para dirigir o debate – os quais, ofendidos e repugnados, se levantaram e saíram enquanto a ejaculatório de Ventura durou.

Salvou-se a cerimónia por dois ou três discursos, com destaque para o do Presidente da República, António José Seguro.

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