Nesta lufa-lufa em que andamos, escapa-se-nos o pensamento e a ocupação para assuntos de menor grandeza, banalidades da loja dos trezentos, quinquilharias dos bazares chineses.
Aviamo-nos ao balcão com a pressa de todos os dias, mercando peças de qualidade inferior, enferrujadas, rotas, esburacadas. São as rivalidades e os escândalos a ganharem corpo, a competirem numa prova de velocidade com estafetas que pegam no testemunho com desprendimento e algum desdém. E essa trivialidade, que se tornou vulgar, seduz-nos, compraz-nos. Distrai-nos. Na correria, vai-se o que vwrdadeiramente importa.
É a corrupção, a violência, o crime, o sangue, o cárcere. Na espuma dos dias, vai-se o essencial, diluído no sôfrego e ansioso materialismo. Esta sociedade, este monstro que criámos e nos desvia do essencial. Uma sociedade do avesso, que caminha com o passo trocado. A origem de todos os males, a fonte de todos os desvios. Preocupa-me este agregado social que subverte a hierarquia dos valores estruturantes, o cimento da comunidade, que menospreza os princípios matriciais, que alimenta líderes sem substância nem densidade, sem “gravitas“, que vive do acaso e das circunstâncias, que se embriaga com ambições cegas e vaidades tolas. Quem caminha assim e deste modo não vai longe.
Uma comunidade que esquece o respeito, a regra, os códigos, a honra e o bom nome tem pela frente uma estrada estreita. Os que, em grupo, negligenciam obrigações fundamentais e desonram o passado colectivo não têm força nem são exemplo. São um rebanho tresmalhado e anémico, que, por malformação e ignorância, rejeita o melhor pasto.
Talvez valesse a pena, na Família, na Escola, no Governo, pensarmos um pouco nas melhores opções para fugirmos deste suicídio colectivo, da sociedade do “tutear” e “pazear”. E agirmos em consonância. Antes que seja tarde demais. De grupos de trabalho, de observatórios, de palestras, já chega. Desse peditório, não se espera generosa espórtula, estão as algibeiras secas e os mordomos são agiotas. Porque um cavalheiro é sempre um cavalheiro e uma senhora é sempre uma senhora.
REBELO MARINHO