O resultado do candidato da AD (?) às presidenciais, Marques Mendes com 11%, ficando em 4º lugar, deixou Luís Montenegro desorientado.
De tal forma que, e ao contrário do seu postulante, que no “day after” referiu votar Seguro na 2ª volta, se fechou num mutismo ressabiado, zangado, incomodado, recusando-se a tornar pública a sua intenção de voto, ficando comodamente especado a meio da ponte, deixando no ar que lhe é indiferente votar em António José Seguro ou André Ventura, sendo-lhe difícil escolher entre um democrata e um populista da extrema-direita, que, entre outros mimos, bem alto ameaçou “Eu quero que o Montenegro se lixe!”.
Uma posição que pode ter custos muito elevados, até internamente, quando se acumulam os desastres governativos, entre outros, nas áreas da Saúde e do Trabalho, com duas ministras que parecem seguir uma linha concreta bem delineada pelo primeiro-ministro, na regressão do SNS para as mãos dos privados e no favorecimento de patrões e banqueiros, em detrimento dos reais interesses da maioria dos trabalhadores portugueses.
Provavelmente, Montenegro está a prazo, em controvérsia ainda discreta mas latente com muitos dos seus correligionários, e externamente, com André Ventura, que aguarda o momento de passar de autodesignado líder da direita (ou da extrema-direita?) a putativo primeiro-ministro de Portugal.
Desiderato este que poderá ter o eventual apoio de nomes como o de Passos Coelho, por aí espectralmente a pairar, e a preciosa ajuda, por defeito, do próprio Luís Montenegro, que ainda não se terá apercebido que a sucessão de erros e desaires que vem colecionando, em breve o tornarão presa fácil do novo caudilho da direita.