Viseu – prevenir o acidente

por Fernando Figueiredo | 2019.09.24 - 14:28

Viseu é uma cidade segura, bem cuidada e estruturalmente organizada, mas, há sempre um mas, o diabo disparou uma tranca e não há modelos perfeitos mas tão só ideais.

Vem isto a propósito da necessidade de particulares e entidades públicas olharem para os seus espaços de intervenção e sociais como áreas nunca acabadas onde a manutenção, a prevenção e a responsabilidade têm que ser uma constante.

Vamos a casos práticos, um privado e outro público, para melhor percepcionarmos a questão.

Na Avenida Alexandre Herculano, junto à estação de serviço, o muro de separação ali existente, que creio pertencente ao espaço do Hotel Grão Vasco, não protege nada nem ninguém do perigo de acidente. Um invisual ou uma criança mais eufórica e distraída poderá de repente ver-se em grave risco de vida pois a altura da queda é superior a 5 metros, como se pode entender pelas fotos.

Um pequeno e barato gradeamento não implicará peso no orçamento previsional do Hotel Grão Vasco e, será antes um investimento que assegurará no futuro o desgaste de imagem e prejuízo para terceiros não aconteça, a bem de todos. Fica a sugestão.

Nestas matérias, o Estado que defendo deve ter menos peso organizacional e até na vida das pessoas, mas que deve ser mais eficaz e eficiente tem que ter um papel fiscalizador e regulador deste tipo de situações, que ainda acontecem pela cidade e concelho.

De tempos a tempos, notícias como aquela que infelizmente resultou da morte do jovem, que caiu no muro junto da Rua Dr José Coelho, seriam evitáveis se o Estado também nos seus espaços públicos tivesse esse mesmo cuidado.

A ausência de planeamento adequado, de fiscalização regular e de manutenção permanente são variáveis potenciadoras do perigo e do acidente. As imagens retratam o caso, acima citado, de um jardim público onde da mesma maneira um pequeno e barato gradeamento teriam, quem sabe, evitado o que hoje é a dor de uma família.

Prevenção e água benta nunca fizeram mal a ninguém. O papel do Estado é mais este, de ser um regulador funcional do bem-estar dos seus cidadãos e munícipes, seja junto dos privados seja no espaço público que todos devem fruir em segurança, do que mero cobrador de impostos e ditador de regras.

Fica a terminar o agradecimento ao amigo Jorge Costa, que em boa hora me chamou à conversa sobre estes assuntos na cidade e concelho. Outros assim houvesse!

Fernando Figueiredo

Forjado na Beira Alta, aos 56 anos dá-se por bem casado e aprecia a companhia de três filhos, dois ainda na fase de espalhar magia a toda a hora; em família dá-se como feliz, apenas por o fazerem feliz. Como os duros estudou na Academia Militar, que não é para meninos e na época em que ainda se viajava de pé no comboio mas teve ainda tempo para queimar as pestanas em Gestão de Recursos Humanos. 36 anos “militarizado” vê-se agora na reforma a procurar ser “civilizado”. Em termos profissionais esteve no Iraque e voltou para contar, também esteve em Timor onde bebeu água de coco e visitou Jaco, erro fatal que lhe deixou o coração preso nas valorosas gentes timorenses e nas paisagens únicas do País que ajudou a ver nascer independente já no Séc XXI. Nos tempos livre actualiza o blog mais lido e odiado do delta do Dão, o Viseu Sra da Beira, e ainda escreve textos para jornais mas, poucos o lêem. Homem sem grande preocupação em fazer amigos, escreve o que entende sobre quem não consegue entender. Tais liberdades já lhe valeram um par de processos em tribunal, sem nunca se ter declarado Charlie. A genética deixou-o sem um único cabelo mas está careca de saber que os valores do trabalho, da honestidade e da amizade são o maior legado que o pai lhe deixou. Benfiquista moderado, gosta mesmo é de um bom jantar na companhia dos melhores amigos. Agora como empresário e homem de negócios só aceita de lucro o necessário para viver e distribuir por outros e de comissão a 100% a ética, a responsabilidade e o profissionalismo. É garantidamente mais bonito ao vivo que em foto.

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