Viseu e a real ficção II – Ler o amanhã em 2021

por Fernando Figueiredo | 2019.07.02 - 16:10

A discussão conduzida pela Assembleia Municipal, saída das eleições autárquicas de 2021, sobre a requalificação da envolvente da torre da Segurança Social foi muito participada e com transmissão online das sessões.

Várias foram as soluções propostas pelos partidos para aquela zona, mas acabou por vingar o projecto apresentado pelo grupo de cidadãos independentes. O caso do prédio Coutinho fez escola no PS, sempre tão sem ideias propondo a implosão da torre, o que seria um perfeito disparate pelos custos e riscos associados na obra. Já o PSD defendia a redução da torre removendo os 5 pisos superiores, uma solução boa para uma conversa de café. Da aprovação do projecto à sua execução o tempo passou rápido e até os habituais cartazes de propaganda foram dispensados. A prioridade agora era outra, menos festa e mais obra, menos Rossio e mais concelho.

A torre da Segurança Social com os seus 16 andares da autoria do arquitecto Luís Amoroso Lopes que curiosamente foi, na época, também o principal responsável pelos trabalhos de recuperação do centro histórico de Viseu, apareceu como forma de afirmar de modo intencional um contraponto contemporâneo à zona antiga da cidade e por isso nasceu numa avenida larga, rasgada a partir do Rossio, que desenvolveu a cidade para norte e ao longo dos anos e da avenida António José de Almeida, instalou-se a central de camionagem cuja obra de remodelação só se realizou com este novo executivo que lhe acrescentou novas funcionalidades, bancos, escritórios, instituições, edifícios de habitação, restaurantes, centros comerciais, etc.  

O edifício da instituição estatal na cidade nos últimos anos era alvo de várias queixas por se encontrar degradado, com problemas de avarias nos elevadores, falta de aquecimento e más condições dos sanitários foi também alvo de uma remodelação interna, renovando as condições do edifício e tornando mais funcionais as unidades de saúde e serviços ali instalados ao mesmo tempo que foi reforçada a sua estrutura.

A cereja no bolo porém foi a remodelação exterior conduzida pelo executivo do espaço envolvente da torre, um quarteirão edificado ao longo do seu perímetro permeável e percorrível em todos os sentidos, através de uma praça interior, utilizável como espaço público onde agora estavam disponíveis 2 pisos de estacionamento, o piso da loja do cidadão e de vários serviços públicos entre eles as Águas de Viseu fechando o espaço uma enorme área verde com um jardim superior onde um restaurante, uma pastelaria e um bar esplanada faziam as delicias dos viseenses.

No centro histórico, entretanto, o edifício destinado ao serviço de águas era agora uma residência de estudantes com estúdios T0 e T1 dispondo de internet, serviço de quartos e lavandaria.

A medida de restringir o acesso automóvel aos moradores e cargas no centro histórico, alvo de alguma crítica no início, trouxe mais calma e novos habitantes a este espaço da cidade e o plano de relocalização de bares para a zona baixa da cidade envolvendo e apoiando os proprietários foi um sucesso.

A reorganização rodoviária retirando o trânsito da Praça da República fazendo o circuito pelas traseiras da autarquia e Avenida Alberto Sampaio junto com a jardinagem de muitos espaços no centro histórico transformou esta zona central num interessante espaço de lazer e de passeio em especial o jardim de inverno do antigo mercado 2 de Maio. Os turistas agora percebiam-se na cidade, além do maior movimento dos locais e dos já milhares de migrantes e estudantes de várias nacionalidades.

Viviam-se agora outros tempos na cidade e em todo o lado se percebia que a “Marca Viseu” era um sinal de bem-estar, de qualidade de vida e segurança. Viseu era agora de todos, dos que cá nasciam e dos que a escolhiam para viver.

Fernando Figueiredo

Forjado na Beira Alta, aos 56 anos dá-se por bem casado e aprecia a companhia de três filhos, dois ainda na fase de espalhar magia a toda a hora; em família dá-se como feliz, apenas por o fazerem feliz. Como os duros estudou na Academia Militar, que não é para meninos e na época em que ainda se viajava de pé no comboio mas teve ainda tempo para queimar as pestanas em Gestão de Recursos Humanos. 36 anos “militarizado” vê-se agora na reforma a procurar ser “civilizado”. Em termos profissionais esteve no Iraque e voltou para contar, também esteve em Timor onde bebeu água de coco e visitou Jaco, erro fatal que lhe deixou o coração preso nas valorosas gentes timorenses e nas paisagens únicas do País que ajudou a ver nascer independente já no Séc XXI. Nos tempos livre actualiza o blog mais lido e odiado do delta do Dão, o Viseu Sra da Beira, e ainda escreve textos para jornais mas, poucos o lêem. Homem sem grande preocupação em fazer amigos, escreve o que entende sobre quem não consegue entender. Tais liberdades já lhe valeram um par de processos em tribunal, sem nunca se ter declarado Charlie. A genética deixou-o sem um único cabelo mas está careca de saber que os valores do trabalho, da honestidade e da amizade são o maior legado que o pai lhe deixou. Benfiquista moderado, gosta mesmo é de um bom jantar na companhia dos melhores amigos. Agora como empresário e homem de negócios só aceita de lucro o necessário para viver e distribuir por outros e de comissão a 100% a ética, a responsabilidade e o profissionalismo. É garantidamente mais bonito ao vivo que em foto.

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