Viseu Arena, um Elefante Branco a nascer em Viseu

por Alexandre Azevedo Pinto | 2019.09.19 - 07:58

No mês de agosto passado o Município de Viseu lançou um concurso público para a requalificação do Pavilhão Multiusos no Viseu Arena, com um preço base 6,7 milhões de euros (seis milhões e setecentos mil euros). Este valor, absolutamente astronómico – face à escala de Viseu – é uma verdadeira megalomania deste Executivo Municipal que vive obcecado e completamente focado no paradigma em que se tornou especializado: a Promoção de Eventos e seus sucedâneos recreativos.

Esta requalificação (importa frisar que é uma requalificação e não uma construção de raíz) quando foi primeiramente apresentada, há 2 anos atrás, estaria para custar entre 2,5 e 3 milhões de euros. Dois anos volvidos, sem se perceber porquê, passou a custar mais do dobro desse valor. Irrealista e absurdo.

Pode alguém achar credível que o esforço financeiro para o erário público, desta dimensão, possa ver garantida a sua sustentabilidade face às expectativas da sua ocupação futura?

Recuando uma década aos tempos de Ruas autarca o estudo do então Centro de Artes e Espetáculos de Viseu que custou ao erário público em 10/12/09 e 21/12/09 (vidé Portal Base) a módica quantia de 1.529.050,42€ na elaboração do projecto foi colocado de lado. Desenhado para poder receber espectáculos além de outras valências, com capacidade para 3000 pessoas cedo se concluiu que não teria viabilidade e Ruas corrigiu a trajectória acabando por no espaço previsto para esse fim construir o actual parque de estacionamento da rotunda cibernética.

Não sendo conhecidos, em pormenor, os indicadores previsionais do Estudo de Procura (que presumo deva existir), não me parece realista, nem mesmo razoável, que o equipamento possa receber anualmente 15 a 20 espetáculos culturais anuais com públicos para uma lotação máxima de 5500 espetadores. Parece-me, aliás, um exercício absolutamente fantasioso.

Por muitos congressos, conferências e concertos que se venham a realizar é absurdo pensar que este projeto possa ter sustentabilidade, sustentando-se tal em indicadores de ocupação e de procura de públicos. Será por isso expectável que este montante de recursos públicos investidos, acabe por se transformar em “custos afundados”, i.e., que ninguém espera vir a poder recuperar, penalizando significativamente o erário público municipal.

Finalmente, há que ter em atenção os custos muito elevados de manutenção mensal e anual desta mega estrutura, sendo aqui também importante perceber qual a fatura que os Viseenses terão de pagar para alimentar este Elefante Branco.

Alexandre Azevedo Pinto

(Fotos DR)