“Vender” o interior, “vender” a região…

por Fernando Figueiredo | 2019.09.02 - 11:04

O mundo mudou, o interior está cada vez mais abandonado e ostracizado e ao contrário do “vivermos com pouco e no interior nos contentarmos com o que temos” a alternativa é não nos resignarmos, arregaçar as mangas e seguir uma estratégia diferente daquela que nos trouxe até aqui.


Assim, antes de mais, é necessário “vender o interior, vender a região”. Para isso, há que:


1) Planear: Analisar as possibilidades de segmentos de empresas e indústrias que poderão ser atraídos; olhar os mercados modernos, apontar as novas tendências e de seguida decalcar para a região;


2) Infraestruturas: as empresas procuram por cidades que ofereçam a infraestrutura necessária, como tratamento de água, rede de saneamento, fibra óptica, estradas e energia elétrica que chegam até as empresas, estação ferroviária, rodoviária e aeródromo para a capital e outros;


3) Logística: muitas empresas e indústrias escolhem aonde irão abrir suas filiais pela localização e vias de comunicação;


4) Mão de obra: caso a empresa precise de mão de obra qualificada, é preciso ver se a cidade terá pessoas que ofereçam esses serviços. Senão é preciso antecipar e procurar por parcerias com ensino superior, escolas profissionalizantes, imigração, etc;


5) Apoio: um factor pouco analisado pelos gestores, mas considerável pelo sector de RH das empresas é o apoio que a região oferece. Analisa-se se há hotéis, hospitais, escolas, shoppings ou áreas de lazer no município, etc;


6) Impostos: Este é um fator muito importante na escolha do local, pois pode significar uma economia considerável para a empresa. É preciso ver, dentro da Lei, quais as possibilidades máximas que podem ser ofertadas às empresas;


7) Comunicação: é preciso ter bons materiais sobre a região, criar “folders” com fotos e informações claras e explicativas, vídeos e tudo o que for necessário, pois este pode ser o primeiro contato que um possível cliente tenha com o seu “produto”, e não se pode passar uma má impressão;

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8 ) Atenção ao mercado: é preciso estar sempre informado a respeito das tendências do mercado financeiro; saber quais os sectores que estão em expansão e quais os que estão em retracção;


9) Oportunidade: o custo do transporte hoje está muito alto, o que faz com que as empresas procurem soluções para reduzi-los. Uma oportunidade que deve ser levada em conta é tentar trazer os fornecedores das empresas e indústrias que já estão instaladas na região. É preciso saber quem são, do que precisam para a produção de seus produtos/serviços, e ir atrás deles e claro, acabar com as portagens na A25 e A24, resolvendo o problema do IP3, remodelando a Linha da Alta e aumentando o número de km de linha férrea no distrito;


10) Cuidar da cidade e da região: ninguém gosta de trabalhar numa cidade visualmente feia, suja e pouco arborizada. Cada vez mais estes factores estão sendo levados em consideração. Por isso, é necessário fazer o trabalho e cuidar da sua cidade!

Atentos a estas variáveis o que devem e podem fazer os deputados eleitos pela região? Vamos só a um pequeno cenário entre o muito que podem fazer se tiverem inteligência e motivação para tal. Vender a região é tarefa para um grupo de deputados diplomatas e lobistas junto do mercado interno e externo. Vamos ao mercado externo, a título de exemplo. Os deputados realizam acções de diplomacia económica junto das principais embaixadas com capacidade para investirem em Portugal, China, EUA, Brasil, Alemanha, Angola, etc… de seguida em sintonia com as entidades da região convidam embaixada, encarregado de negócios e empresas a virem visitar a região. Já na região apresentam o potencial de investimento, as vantagens competitivas e claro, importante e fulcral, o interesse dos responsáveis. É necessário dar a perceber claramente que a região apoiará em tudo o que estiver ao alcance colocando uma equipa de profissionais a trabalhar em paralelo nesta manifestação de interesse de investimento. Os deputados garantem que realizam a ponte entre o interesse local e a burocracia do poder central constituindo-se como parceiros primordiais do poder local. Vence quem corre atrás!


Querem mais? Pois, mas aqui só se sabe criticar!!!

Fernando Figueiredo

(Foto DR)

Forjado na Beira Alta, aos 56 anos dá-se por bem casado e aprecia a companhia de três filhos, dois ainda na fase de espalhar magia a toda a hora; em família dá-se como feliz, apenas por o fazerem feliz. Como os duros estudou na Academia Militar, que não é para meninos e na época em que ainda se viajava de pé no comboio mas teve ainda tempo para queimar as pestanas em Gestão de Recursos Humanos. 36 anos “militarizado” vê-se agora na reforma a procurar ser “civilizado”. Em termos profissionais esteve no Iraque e voltou para contar, também esteve em Timor onde bebeu água de coco e visitou Jaco, erro fatal que lhe deixou o coração preso nas valorosas gentes timorenses e nas paisagens únicas do País que ajudou a ver nascer independente já no Séc XXI. Nos tempos livre actualiza o blog mais lido e odiado do delta do Dão, o Viseu Sra da Beira, e ainda escreve textos para jornais mas, poucos o lêem. Homem sem grande preocupação em fazer amigos, escreve o que entende sobre quem não consegue entender. Tais liberdades já lhe valeram um par de processos em tribunal, sem nunca se ter declarado Charlie. A genética deixou-o sem um único cabelo mas está careca de saber que os valores do trabalho, da honestidade e da amizade são o maior legado que o pai lhe deixou. Benfiquista moderado, gosta mesmo é de um bom jantar na companhia dos melhores amigos. Agora como empresário e homem de negócios só aceita de lucro o necessário para viver e distribuir por outros e de comissão a 100% a ética, a responsabilidade e o profissionalismo. É garantidamente mais bonito ao vivo que em foto.

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