Unir esforços pelo ensino superior viseense!

por Fernando Figueiredo | 2019.05.16 - 09:46

A reforma de Bolonha reduziu o tempo das licenciaturas, democratizou os mestrados e tornou os doutoramentos mais acessíveis, mas, visto de perto este processo pouco atendeu às necessidades dos alunos, que são os principais clientes do Ensino Superior. São os estudantes que vão todos os dias às aulas, que fazem testes, trabalhos, projetos e que sentem no seu quotidiano o peso de um ensino desligado de uma realidade para a qual procuram uma formação de qualidade que preenchem o Ensino Superior em Viseu. Ao mesmo tempo, os docentes universitários são igualmente importantes e continuam à espera de uma reforma do ensino que equilibre a valorização do ensino e da investigação nas suas carreiras. São os professores que dão aulas, que se preparam para várias provas públicas, que são obrigados a construir permanentemente um curriculum que privilegia a investigação e que são paralisados por uma máquina burocrática que os retira do centro daquilo que importa fazer que dão nome e qualidade ao Ensino Superior em Viseu. E convém não esquecer os trabalhadores não docentes que estão na primeira linha a empurrar instituições demasiado presas a uma entorpecedora burocracia. São estas pessoas que ajudam a construir todos os dias o Ensino Superior em Viseu.

São estes 3 vectores que, como em qualquer outra cidade, marcam o quotidiano do Ensino Superior em Viseu que ao longo das últimas décadas conheceu diversas realidades e muitas outras tantas promessas. Deixemos de lado o sonho prometido da Universidade Pública e potencie-se o que hoje existe firmado na cidade. As 3 instituições, Politécnico, Católica e Piaget parecem ter conseguido inverter a tendência de redução de alunos ainda que de forma ténue e insuficiente para o potencial da região. É facto que o número de docentes também reduziu quase 3 centenas e hoje são segundo os dados PORDATA cerca de 534 para os 4585 alunos.

E se em tempos a cidade percebia da energia dos estudantes universitários hoje, salvo melhor opinião, enclausurou-os nos seus espaços académicos e já nem o cortejo tem autorização para animar a Praça da República. O IPV com os mesmos cursos, o mesmo orçamento e uma pouco visível liderança aposta-se em mudar o logotipo na esperança que isso provoque a diferença no reconhecimento regional ou panorama nacional. A Católica de mão dada com a autarquia por alguma bênção divina que por aí tenha acontecido lá arranjou uma forma encapotada de se subsidiar a coberto da iniciativa Vissaium e dessa forma manterá o seu status sem necessidade de procurar caminhos de afirmação nacional. O Piaget sozinho em Lordosa com o seu ecletismo lá vai mantendo também o seu estatuto dentro do universo das demais instituições gémeas no País.

A extinção do curso de Arquitectura da UCP foi um tremendo erro e uma perda enorme para o ensino superior em Viseu e a criação dos CTeSP para captar novos alunos não compensa o efeito a que se somam as dificuldades das famílias durante e pós período da Troika cujos reflexos ainda se fazem sentir.

O que falta então para que Viseu ganhe de novo vida académica e que as ruas se encham de jovens estudantes garbosos do seu Ensino Superior? O que falta para que os docentes do Ensino Superior de Viseu marquem diariamente a cidade com a sua visão critica e saber académico aumentando as soluções e alternativas de futuro para os viseenses? Ainda recentemente as notícias davam nota da Dra Ana Sofia Duque, docente da licenciatura em Turismo da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu do IPV como sendo a vencedora da terceira edição do Concurso de Teses Académicas Turismo Centro de Portugal na categoria de Doutoramento, facto que se regista pelo saber demonstrado, mas que importa colocar ao serviço da comunidade local. E o que falta para colocar estas instituições do saber ao serviço das empresas e dos empreendedores locais? Exemplos não faltam e nem é preciso ir longe, basta olhar para Aveiro, Braga ou até mesmo Covilhã para perceber que há dinâmicas que podem e devem ser replicadas em Viseu. E Viseu por sua vez pode lançar-se noutros espaços de afirmação como por exemplo a CPLP, levando a esses países o conhecimento do que se faz bem por cá partilhando estágios, projectos de investigação, etc. Ou porque não apostar ainda mais nos Erasmus, trocando alunos e experiências com as melhores academias do saber na Europa?! Nesse campo, é possível hoje com um eficiente programa de gestão oferecer aos alunos um lugar residencial com serviço incluído de lavagem de roupa, limpeza e internet por valores da ordem dos 250 euros conseguindo até por cada 4 alunos criar um emprego doméstico remunerado a valores ligeiramente acima do ordenado mínimo. É certo que quer o Município que prometeu criar residências no Centro Histórico quer o Governo Central que prometeu criar novas residências e recuperar as do Bairro da Carreira não têm passado disso, de promessas, mas cabe aos magníficos reitores relembrar o poder dessa necessidade. E porque não também sensibilizar e convencer a autarquia a disponibilizar o passe MUV Estudante grátis durante a frequência do curso superior? E porque não criação de linhas MUV IPV x Católica x Rossio x Piaget?

Apostar numa maior captação de alunos, aproximar a cidade das instituições de ensino superior, elevar o nível académico dos docentes, motivar os discentes para o serviço a favor dos alunos, levar as empresas para a sala de aulas e trazer os docentes para a sociedade civil são na minha modesta opinião caminhos a seguir para que Viseu se afirme no panorama académico nacional, dando inclusive uma lição ao poder central que tanto prometeu ao longo de décadas mas nada fez pelo ensino superior em Viseu. Uma academia forte faz forte a região!

Apostar numa maior captação de alunos, aproximar a cidade das instituições de ensino superior, elevar o nível académico dos docentes, motivar os discentes para o serviço a favor dos alunos, levar as empresas para a sala de aulas e trazer os docentes para a sociedade civil são na minha modesta opinião caminhos a seguir para que Viseu se afirme no panorama académico nacional, dando inclusive uma lição ao poder central que tanto prometeu ao longo de décadas mas nada fez pelo ensino superior em Viseu. Uma academia forte faz forte a região!

Fernando Figueiredo

Forjado na Beira Alta, aos 56 anos dá-se por bem casado e aprecia a companhia de três filhos, dois ainda na fase de espalhar magia a toda a hora; em família dá-se como feliz, apenas por o fazerem feliz. Como os duros estudou na Academia Militar, que não é para meninos e na época em que ainda se viajava de pé no comboio mas teve ainda tempo para queimar as pestanas em Gestão de Recursos Humanos. 36 anos “militarizado” vê-se agora na reforma a procurar ser “civilizado”. Em termos profissionais esteve no Iraque e voltou para contar, também esteve em Timor onde bebeu água de coco e visitou Jaco, erro fatal que lhe deixou o coração preso nas valorosas gentes timorenses e nas paisagens únicas do País que ajudou a ver nascer independente já no Séc XXI. Nos tempos livre actualiza o blog mais lido e odiado do delta do Dão, o Viseu Sra da Beira, e ainda escreve textos para jornais mas, poucos o lêem. Homem sem grande preocupação em fazer amigos, escreve o que entende sobre quem não consegue entender. Tais liberdades já lhe valeram um par de processos em tribunal, sem nunca se ter declarado Charlie. A genética deixou-o sem um único cabelo mas está careca de saber que os valores do trabalho, da honestidade e da amizade são o maior legado que o pai lhe deixou. Benfiquista moderado, gosta mesmo é de um bom jantar na companhia dos melhores amigos. Agora como empresário e homem de negócios só aceita de lucro o necessário para viver e distribuir por outros e de comissão a 100% a ética, a responsabilidade e o profissionalismo. É garantidamente mais bonito ao vivo que em foto.

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