Qualidade

por Vítor Máximo | 2018.02.20 - 23:11

 

Tive recentemente uma proveitosa formação sobre a qualidade nos serviços.

Resumidamente, um serviço seja ele de que área for tem qualidade, quando definimos aquilo que o nosso cliente quer e satisfazemos as suas necessidades. Ou seja, um serviço que para mim tem qualidade e corresponde às minhas expectativas poderá não a ter para outra pessoa. Contudo, podemos sempre criar novas expectativas e aumentar o grau de satisfação do nosso cliente.

Mas onde pretendo chegar com isto?

Assim como no nosso dia-a-dia estamos sempre a exigir ser servidos com mais e melhor qualidade, o mesmo se passa com a política: temos o direito a ter qualidade em quem gere os destinos do município; pelos vistos a qualidade do actual executivo e das suas medidas é mais do que suficiente para a maioria dos viseenses que, na devida altura, reforçaram a sua satisfação através do voto.

Até aqui não há discussão possível e, ainda bem, ganha a democracia.

No entanto, perdoem-me a analogia, nem todos queremos sardinha em lata todos os dias, alguns de nós gostaríamos de poder provar e comer lagosta de quando a quando.

É neste ponto que me espanta alguma resistência à mudança: não há pessoas eternamente satisfeitas, vai contra a natureza humana, mesmo aqueles que se julgam imunes à mudança ou pensam que o são, reagem com fervor quando a falta de qualidade a eles lhes toca.

E atenção que nem sequer estou a propor a mudança de cor do laranja para outra qualquer, porque assim que as cores políticas entram na discussão o grau de satisfação repõe-se como que por magia e o grau de desconfiança aumenta relativamente a tudo o que fuja da palete de cor vigente.

O que merece discussão é a falta de abertura para ouvir a sociedade civil.

O que merece discussão é a falta de visão e estratégia para o futuro da nossa cidade, não se consegue perceber para onde vamos.

Não nos podemos satisfazer com pequenas obras, remodelações, festas ou intenções anunciadas diariamente em jornais locais; isso todas as câmaras fazem.

Não podemos ficar satisfeitos quando os nossos jovens e os nossos menos jovens vão enriquecer os quadros das empresas fora da cidade, simplesmente porque não têm como alternativa ficar em Viseu.

Basta de andarmos a ver nos calendários europeus se seremos a cidade do folclore ou do jogo da macaca.

Se o alicerce e factor diferenciador para o futuro de Viseu é o turismo, muito bem que seja, se é a indústria que se quer, muito bem na mesma, mas que se planeie a longo prazo e que seja gerador de oportunidades para todos e não somente para alguns, que seja um factor de  crescimento sustentável e acima de tudo que seja um fator dinamizador para o interior.

Depois de definirmos um rumo, podemos ser a cidade do que quisermos.

Não tenho dúvida nenhuma que as cidades do interior têm grandes desafios pela frente e menos dúvidas tenho que uma cidade do interior sem identidade tem os seus dias contados.

 

Victor Máximo

Militante CDS-PP

Educador de infância. Militante CDS-PP

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