Patamar Zero da Política Local

por Fernando Figueiredo | 2015.04.07 - 22:22

 

No Natal de 2012, no acto de entrega dos infelizes “Cabazes de Natal” assistimos, provavelmente, ao ponto mais baixo do intitulado “Ruísmo”. Nessa ocasião, tivemos a entrega no pavilhão “multiusos” de 500 cabazes de Natal a famílias carenciadas, o que seria uma acção digna caso tivesse sido concretizada dentro dos níveis de decoro que ocasiões desta natureza merecem. O modo como aquele evento decorreu, não fez mais do que estabelecer uma relação paternalista entre quem deu e quem recebeu, humilhando assim os últimos em frente de jornalistas e população que assistiu ao evento ou teve nota pela imprensa. Esse foi, na minha opinião, um infeliz momento da governação de Fernando Ruas como expressão de total desprezo e desrespeito pela dignidade humana.

Depois deste acto o “Ruísmo” sofreu duras críticas de diversos sectores da sociedade viseense mostrando que esta estava atenta. Excepto claro, dos seguidores, dos acérrimos militantes tipo que dependentes ou acéfalos aplaudem na esperança de “receber” também qualquer coisinha. Pessoalmente nutro a quase certeza que Fernando Ruas, à posteriori, se terá arrependido do acto e desejei secretamente que tal situação não se viesse a repetir na cidade de Viriato.

Mas a estupidez e a falta de bom senso, fazem sempre questão de nos provar que não têm limites. Chegados a 2015 Almeida Henriques, ao transformar, de novo, uma acção de solidariedade, neste caso relacionada com a entrega de subsídios para a reabilitação de habitações com a qual todos não podemos deixar de concordar, num espectáculo de comunicação ao melhor estilo que o Dr. Sobrado nos habitou, fez questão de realizar um infeliz remake da vergonha a que tivemos a infelicidade de assistir naquele ano de 2012.

Almeida Henriques parece ter esquecido as suas raízes, por um lado, sociais-democratas, baseadas na doutrina social da igreja e no personalismo, por outro lado a sua veia maçónica, logo fraternal, filantrópica e apreciadora dos bons costumes, e por último da sua origem social, assim apenas nos mostra a sua real persona. Um sujeito nulo de famílias humildes, que sem grandes qualidades pessoais ou profissionais (o seu cv é público), se encosta a um partido e à maçonaria de modo a fazer a sua vidinha sem o mínimo respeito pelo povo ou pelo sofrimento alheio.

Do actual Presidente da Autarquia, atento ao discurso que tem tido, esperava que não se sentisse sequer tentado a fazer dos problemas de terceiros um espectáculo público para autopromoção, mas ao fazê-lo apenas revela um vazio de carácter e uma falta de sensibilidade social demasiado graves para quem anda na vida política. Da mesma forma esperava mais sensibilidade do Dr. Sobrado e de quem o rodeia, assessorando Almeida Henriques de forma séria e não apenas como representação última do pior que esta III República produziu.

 

Forjado na Beira Alta, aos 56 anos dá-se por bem casado e aprecia a companhia de três filhos, dois ainda na fase de espalhar magia a toda a hora; em família dá-se como feliz, apenas por o fazerem feliz. Como os duros estudou na Academia Militar, que não é para meninos e na época em que ainda se viajava de pé no comboio mas teve ainda tempo para queimar as pestanas em Gestão de Recursos Humanos. 36 anos “militarizado” vê-se agora na reforma a procurar ser “civilizado”. Em termos profissionais esteve no Iraque e voltou para contar, também esteve em Timor onde bebeu água de coco e visitou Jaco, erro fatal que lhe deixou o coração preso nas valorosas gentes timorenses e nas paisagens únicas do País que ajudou a ver nascer independente já no Séc XXI. Nos tempos livre actualiza o blog mais lido e odiado do delta do Dão, o Viseu Sra da Beira, e ainda escreve textos para jornais mas, poucos o lêem. Homem sem grande preocupação em fazer amigos, escreve o que entende sobre quem não consegue entender. Tais liberdades já lhe valeram um par de processos em tribunal, sem nunca se ter declarado Charlie. A genética deixou-o sem um único cabelo mas está careca de saber que os valores do trabalho, da honestidade e da amizade são o maior legado que o pai lhe deixou. Benfiquista moderado, gosta mesmo é de um bom jantar na companhia dos melhores amigos. Agora como empresário e homem de negócios só aceita de lucro o necessário para viver e distribuir por outros e de comissão a 100% a ética, a responsabilidade e o profissionalismo. É garantidamente mais bonito ao vivo que em foto.

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