O Portugal moderno e a nossa sina

por Norberto Pires | 2015.09.13 - 09:09

Vitor Bento, nomeado para o BES e depois para Novo Banco (devido à resolução do banco), defendia que o banco deveria ser capitalizado para poder ser valorizado e que, por regra até de bom-senso, não deveria ser vendido à pressa nem essa ideia poderia passar para o mercado (obviamente isso desvaloriza o banco e minimiza os resultados de uma venda). O Banco de Portugal e o Governo, cheio de génios, pensava o contrário e queriam uma venda rápida.

Ao longo de todo este processo, o Fundo de Resolução e o Banco de Portugal têm tido como prioridade salvaguardar o interesse dos clientes do Novo Banco, dos seus trabalhadores e do sistema financeiro. Tal exige que num prazo tão curto quanto razoavelmente exequível, o Novo Banco passe a contar com uma estrutura acionista estável e que garanta o desenvolvimento de um projeto criador de valor”, dizia o BdP a 13 de Setembro de 2014.

Hoje – depois de uma estratégia sem sentido (desenhada pelo BdP e por assessores pagos a PESO DE OURO, pretensamente especialistas do outro mundo), em que se anunciava que se ia negociar em exclusivo com uma entidade e, depois, afinal já se chamavam também as outras concorrentes – falhado todo o processo prevendo perdas gigantescas (o resultado líquido para o fundo de resolução não ultrapassa 1.5 mil milhões de euros o que deixa um buraco de 3.4 mil milhões de euros), já é possível adiar a venda, isso é acomodável (como diz a ministra das finanças) e não há problema nenhum com nada disto (o Estado emprestou ao fundo de resolução 3.9 mil milhões de euros que não recebe de volta, passando o deficit de 2014 para 7.3% do PIB e tendo de recorrer à famosa almofada financeira constituída e paga com dinheiro dos contribuintes).

“O Portugal moderno e a nossa sina”, que está bem à nossa vista, é uma obra escrita por figuras menores, em cima do joelho, a lápis e usando as costas de guardanapos de papel já usados.

Professor Associado da Universidade de Coimbra foi Presidente do Conselho de Administração do Coimbra Inovação Parque e Membro do Conselho Nacional para a Ciência e Tecnologia. Possui Mestrado em Física Tecnológica e Doutoramento em Robótica e Automação pela Universidade de Coimbra. É o Editor do jornal “Robótica”. Autor de cinco livros na área da robótica e automação tendo publicado mais de 150 artigos científicos e tecnológicos.

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