O papel do sistema financeiro no desenvolvimento sustentável e na ética

por Alberto Neves | 2015.10.06 - 10:21

 

Uma banca promotora do desenvolvimento sustentável não pode ser uma utopia. Em tempos de crise, que deprimem e angustiam, há sempre elementos de esperança para o dia-a-dia. Há sempre um modo de criticar e chamar a atenção que contribui para se fazer diferente e desejavelmente melhor. E mesmo quando se fala de economia, pode-se chegar a um ponto de chegada que no essencial se centra nas pessoas, nas suas vidas e nas opções em jogo que podem e devem ser entendidas por todos.

Na sequência da crise financeira que sofremos, o papel do sistema financeiro no financiamento da economia e no seu comportamento face aos ciclos económicos, necessitam ganhar relevo preventivo da fraude e engano. Por isso, o papel dos Bancos Centrais nas modernas economias tem de ser mais interventivo, contribuindo para a reforma do sistema bancário numa conjuntura em que existe manifesta cumplicidade e promiscuidade entre a banca e os sucessivos governos e governantes que se subjugam aos banqueiros.

A ideia de que os bancos podem ser éticos, parece ser uma ideia estranha à maioria dos cidadãos. Na realidade, as palavras “ética” e “banca” parecem não fazer sentido juntas e está também longe dos pensamentos da maioria da população. No entanto, e como a crise financeira de 2008/2009 demonstrou, as actividades da banca conseguem influenciar a economia real e ter consequências na vida de cada um de nós.

Na realidade os bancos têm também a capacidade de promover uma melhor alocação de recursos, podendo ser verdadeiros catalizadores do desenvolvimento sustentável.

Uma vez que quer as empresas quer as famílias necessitam de crédito para a realização de investimentos ou para adquirir certos bens essenciais, os bancos podem induzir a forma como esse dinheiro é utilizado. Se os bancos decidirem emprestar dinheiro apenas a projectos sustentáveis, os riscos estariam devidamente acautelados se para o efeito fossem obrigados a disponibilizar por exemplo, taxas de juro ligeiramente mais baixas na produção e aquisição de bens de consumo mais sustentáveis, conforme as recomendações da Política Europeia para 2020 no sentido da promoção do bem-estar social e ambiental das comunidades em que os Estados Unidos da América e o Reino Unido são exemplos ao criarem um enquadramento legislativo que pode levar, por exemplo a que um banco possa vir a ser considerado responsável pelo dano ambiental realizado por um seu cliente.

Atendendo aos desafios que a Europa e o Mundo enfrentam, e às mudanças brutais que o sector bancário sente e irá sentir, chegou a altura do cidadão ter consciência de que os bancos só existem porque nós depositamos as nossas poupanças nessas instituições. Por isso, temos todo o direito em saber como é que o banco utiliza o nosso dinheiro e exigir que ele o utilize de forma ética em prol de uma economia assente na equidade e no bem-estar ambiental e social enquanto ideais sociais subjacentes aos novos objectivos mundiais estabelecidos na última Cimeira da ONU para o Desenvolvimento Sustentável a atingir até 2030.

Natural de Viseu.
Licenciado em Psicologia pela Universidade de Coimbra. Mestre em Economia e Pós graduado em Gestão de Pessoas (pré-Bolonha), Certificado em “Behavioural Coaching”, Mediação de Conflitos e Terapia Sistémica.
Membro da Ordem dos Psicólogos Portugueses, Sociedade Portuguesa de Psicoterapias Construtivistas, Associação Portuguesa de Coaching, Associação Portuguesa de Técnicos e Gestores de Recursos Humanos e Federação Nacional de Mediação de Conflitos. Certificado pela Entidade Reguladora da Saúde e acreditado na D.G.P.J. do Ministério da Justiça.

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