No palco do Edir Macedo das Beiras

por Fernando Figueiredo | 2018.03.06 - 09:38

 

 

A vereação do PS perguntou ao executivo qual o custo da participação do Município de Viseu na BTL, dado que muitos senão todos os viseenses gostariam de conhecer.

Suspeito que se referem ao custo financeiro da referida participação e nesse campo, estou certo, que o Dr. Sobrado, logo que finalize a devida engenharia financeira, apresentará números não muito ofensivos para o bolso dos viseenses.

Já o retorno, excepto para a hotelaria lisboeta (tendo em conta o tamanho das comitivas que se apresentaram no certame), será sempre duvidoso.

Mas não são só as questões financeiras, por mais pertinentes que sejam, que me trazem a este texto. O que verdadeiramente preocupa saber é: Qual o custo social da participação do Município de Viseu na BTL? Que danos é que um histriónico vereador pode causar a um concelho? Qual o custo da parolice e do arrivismo na imagem de Viseu?

Se por um lado a trupe do Dr. Sobrado tenta criar a marca “Viseu” (a criação de uma marca era uma ideia muito em voga nas faculdades de marketing nos anos 90, entretanto já muito ultrapassada), por outro lado a opção por uma apresentação kitsch tem tudo para criar uma imagem muito redutora das potencialidades regionais.

O Dr. Sobrado, que foi recebido no PSD Viseu como a última coca-cola no deserto (daqui podemos aferir da mediocridade que tomou conta da colectividade), nesta BTL, apresentou a cidade num registo que variou entre o pastor da IURD (a expulsar o diabo do corpo de crentes) e o vendedor da banha da cobra (a vender propaganda barata, ou seja a vender-se a ele próprio como “a figura política local”).

Num estilo de fazer inveja a João Baião, o vereador que não quer “Turistas de Autocarro”, tratou de fazer uma apresentação para o “Turista do Garrafão”. Das duas uma: Ou Sobrado é um excelente marqueteiro e vendeu-se, ao PSD local, a peso de ouro quando o seu valor de mercado não alcança um prato de tremoços; ou o Dr. Almeida Henriques, na sua reconhecida inércia mental, não distingue amendoins de pepitas de ouro e tratou de enfiar um barrete a si próprio.

Deixo ainda duas questões ao leitor: É impressão minha ou o fulgurante Dr. Sobrado cada vez fala e aparece mais e o Dr. Almeida Henriques cada vez fala e aparece menos? Será este um barrete a mais na cabeça do Dr. Almeida e do PSD Viseu ou o simples reconhecimento que para se ser Presidente da Câmara não basta ocupar o lugar é preciso ter competência para não se ser ultrapassado?

No entretanto, a ferrovia lá seguiu para Évora e deixou o autarca modelo que queria ficar com o seu nome ligado ao comboio apeado na estação da festarola popularucha e folclórica. Siga a dança que o povo gosta!

 

Uma última nota para o que se está a passar no PS Viseu. Como diz, um cada vez mais sensato, José Junqueiro, o PS Viseu não se pode reduzir (como está a acontecer) a um grupo de família, amigos e compadres. A golpada que está prestes a acontecer será mais uma mancha entre as diversas Ginestaladas que o PS proporcionou a Viseu nas últimas décadas.

Não se pode encher a boca de ética republicana às segundas, quartas e sextas e recorrer a golpadas e expedientes manhosos às terças, quintas e sábados.

Fica a saudação a Pedro Baila Antunes que sozinho num deserto de ideias e competência, ao leme da oposição na vereação, tenta tocar o barco.

O CDS Viseu ainda existe ou já não resiste?

 

Fernando Figueiredo

Forjado na Beira Alta, aos 56 anos dá-se por bem casado e aprecia a companhia de três filhos, dois ainda na fase de espalhar magia a toda a hora; em família dá-se como feliz, apenas por o fazerem feliz. Como os duros estudou na Academia Militar, que não é para meninos e na época em que ainda se viajava de pé no comboio mas teve ainda tempo para queimar as pestanas em Gestão de Recursos Humanos. 36 anos “militarizado” vê-se agora na reforma a procurar ser “civilizado”. Em termos profissionais esteve no Iraque e voltou para contar, também esteve em Timor onde bebeu água de coco e visitou Jaco, erro fatal que lhe deixou o coração preso nas valorosas gentes timorenses e nas paisagens únicas do País que ajudou a ver nascer independente já no Séc XXI. Nos tempos livre actualiza o blog mais lido e odiado do delta do Dão, o Viseu Sra da Beira, e ainda escreve textos para jornais mas, poucos o lêem. Homem sem grande preocupação em fazer amigos, escreve o que entende sobre quem não consegue entender. Tais liberdades já lhe valeram um par de processos em tribunal, sem nunca se ter declarado Charlie. A genética deixou-o sem um único cabelo mas está careca de saber que os valores do trabalho, da honestidade e da amizade são o maior legado que o pai lhe deixou. Benfiquista moderado, gosta mesmo é de um bom jantar na companhia dos melhores amigos. Agora como empresário e homem de negócios só aceita de lucro o necessário para viver e distribuir por outros e de comissão a 100% a ética, a responsabilidade e o profissionalismo. É garantidamente mais bonito ao vivo que em foto.

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