Folclore do vão de escada ao sobrado!

por Fernando Figueiredo | 2018.02.14 - 10:15

 

 

Há um trimestre atrás, a imprensa dava nota pelo porta-voz oficial e actual Presidente sombra da CMV em acumulação com o cargo de vereador da cultura, Dr. Jorge Sobrado, que Viseu vai acolher a edição de 2018 do Festival Internacional de Folclore Europeade. Essa informação, foi recebida, com a mais absoluta indiferença pelos Viseenses. Afinal de contas poucos, na cidade de Viriato, conheciam ou teriam ouvido falar de tal evento e é bastante provável que o estado das coisas se mantenha até ao fim do evento. Entretanto com a habitual excitação, típica de um adolescente pós-moderno, o Dr. Sobrado meteu mãos à obra e lançou uma campanha de marketing, enchendo a cidade de publicidade ao evento, facto que, de novo, foi recebido com profunda indiferença pela generalidade da população. Que o povo viseense não é de deslumbramentos como o bom senso aconselha é facto conhecido e até o Dr. Sobrado acabará por o perceber… até lá, estourará uns bons largos milhares de euros, para ser simpático, na promoção da sua imagem.

No dia em que escrevo “Europeade” é o mantra que substitui o “2017 Ano Oficial para Visitar Viseu“. Mas afinal o que é o Europeade? Após alguma investigação lá percebi que este Festival de Folclore existe desde 1964, sendo um evento itinerante, a cada ano é realizado uma cidade europeia diferente e tem uma duração de cinco dias. Os seus objectivos passam por reforçar os laços de irmandade, através da cultura popular, entre os países da União. Por terras Portuguesas, este evento já passou duas vezes pela Figueira da Foz, tendo sete grupos de folclore nacionais participado ao longo das diversas edições. Em relação à sua grandiosidade, partindo destes dados, fica claro que mete no bolso uma Capital Europeia da Cultura ou mesmo uma classificação como Património Mundial pela UNESCO.

Entretanto, Alexandre Azevedo Pinto nas redes sociais alertou para o “Voluntariado da Treta“, dado que a fazer fé no comentário, o município de Viseu terá aberto vagas para voluntariado de suporte a este evento. Assim aos voluntários é proposto um horário de 7 horas diárias durante o evento em troca de: uma t-shirt, uma pulseira, uma credencial, um certificado e alimentação.
Nada tenho contra o voluntariado, mas será está uma atitude digna de uma instituição com responsabilidades numa região cada vez mais deprimida onde existem sérias dificuldades em arranjar um emprego? O Dr. Almeida Henriques estará disposto a assumir o seu lugar em regime de voluntariado? O Dr. Sobrado estará na disposição de continuar como vereador a troco de comida e dormida? O asporne (leia-se assessor de porra nenhuma) Dr. Guilherme está disposto a trabalhar pelas aldeias a troco de uma t-shirt? Suspeito que não, mas siga a festa que está aí o evento à porta e até ao fim do mandato ninguém poupará os viseenses ao festival de folclore comunicativo do executivo.

 

Fernando Figueiredo

Coronel na reserva, cidadão no activo, politico novato à antiga e às direitas, amigo do seu amigo, inconformado com a injustiça social, intolerante com a incompetência, exigente com a vida, blogger por devoção e benfiquista sem convicção.

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