Cadê as forças de segurança, em Viseu?

por Fernando Figueiredo | 2019.06.06 - 12:25

Da mesma forma como os pais são exemplos de autoridade nas nossas vidas, em outros grupos de pessoas as autoridades também estão presentes e muitas delas estão relacionadas com a organização dos lugares em que vivemos sendo importante que cada cidadão colabore com os serviços públicos para manter a cidade e o concelho em perfeita organização e funcionamento. PSP, GNR e Polícia Municipal são a face visível de maior importância para a segurança de pessoas e bens no concelho e como tal peça charneira da garantia do bom funcionamento da sociedade civil e suas demais instituições. Nota-se, salvo melhor percepção, no concelho a imagem clara do que têm sido as políticas da geringonça nesta matéria no que o município acompanha por desinteresse ou incompetência. Basta uma volta pela cidade quer de dia quer de noite para se perceber que a Polícia Municipal já poucas multas passa por mau estacionamento, que a PSP pouco ou nada está presente nos locais mais críticos da cidade e que nas aldeias há quem já não vê um GNR faz muito.

Ninguém faz omoletes sem ovos e sendo a arte de comandar um acto isolado compreende-se o drama dos comandantes destas forças e a desmotivação dos comandados. Com ausência de meios humanos, com falta de recursos materiais e financeiros, sem redefinição de objectivos e linhas de orientação política, com a justiça a desvalorizar a sua actividade, com o cidadão a indignar-se e criticar a sua acção por tudo e nada nas redes sociais muito fazem os comandantes, militares e os agentes destas forças de segurança. E não vale a pena enterrarmos a cabeça na areia ou ignorarmos os constantes apelos e sinais que têm sido dados sistematicamente porque no dia que “chover todos vamos querer um guarda-chuva” mas nada fizemos para alterar ou apoiar esses alertas e necessidades. Uma visita às páginas das notícias locais nos últimos tempos devolve-nos títulos como:

– Falta de agentes e viaturas velhas na PSP de Viseu em 09 de Novembro de 2018 (…) a falta de agentes na região vai ser ainda mais notória no próximo ano e irá seriamente comprometer a capacidade operacional (…) o conjunto de veículos de patrulha já tem quase duas décadas de uso. (…) “Vamos aguardar que o ministro da Administração Interna e a própria direção nacional da PSP se lembrem do interior do país, que não é só Lisboa e Porto”, remata.

– Comandante da PSP de Viseu queixa-se de falta de efetivos em 09 de Janeiro de 2019, (…) O comandante da PSP de Viseu queixou-se hoje, em dia de aniversário, da falta de efetivos e das viaturas “com grande quilometragem” que estão ao serviço do patrulhamento, da investigação e da intervenção rápida. (…) tendo em conta a atual dimensão das duas cidades, o comandante aponta para, “pelo menos, 30 elementos”

– Os sindicatos denunciam a acentuada falta de polícias na PSP de Viseu em 23 de Maio de 2019. (…) Segundo o Sindicato Independente dos Agentes de Polícia, no último reforço, o comando distrital recebeu apenas três novos polícias quando se prepara para perder 40 que vão para a reforma.

Igual exercício poderá ser feito para a GNR e Polícia Municipal sendo que, excluídas as questões de gestão de carreira e remuneração salarial, entroncam todos num cenário comum a saber:

– Necessidade de reforço do efectivo e substituição dos que passam à reserva ou reforma;

– Necessidade de investimento em veículos, equipamentos e tecnologia;

– Necessidade de melhoria ou construção de novas instalações.

É facto que de forma geral e em resultado da sua actividade operacional os números sempre preocupantes da criminalidade e sinistralidade no concelho (e no distrito) se têm mantido nos padrões dos anos anteriores e até ligeiramente abaixo das médias nacionais mas é bom ter sempre em atenção e citando o comandante da PSP que “os acessos são muito fáceis, desde a A24 à A25, passando agora pelo Aeródromo e pelas ligações ao litoral e à Espanha, e corremos o risco de todos os fenómenos que têm estado erradicados de Portugal começarem a chegar a Viseu”. Não sendo, pois, a segurança um objectivo acabado há que continuar a investir nestas áreas.

É urgente que a PSP tenha condições para uma presença mais efetiva nas ruas, no centro histórico, nas escolas, nos bairros problemáticos seja através dos contratos de segurança local ou da sua rotina de missões. O polícia de rua é quase já uma surpresa e o estacionamento em segunda fila é cada vez mais um abuso, prova de que a segunda acontece por ausência da primeira. É com a falta de investimento que geringonça e autarquia têm votado estas forças que temos que nos indignar. Não é com os profissionais que com o risco da própria vida cumprem diariamente a missão fazendo das tripas coração. É admissível que por exemplo as viaturas eléctricas da PSP estejam paradas há mais de 3 anos por falta de manutenção? Se a geringonça não resolve a autarquia que gasta mais em festa e vinho do que custam as viaturas novas não pode apoiar esta necessidade?

É necessário que a GNR esteja mais próxima das populações rurais e que seja modelo das novas dinâmicas de protecção aos mais idosos e isolados com o recurso a novas tecnologias, que seja também instrumento de protecção e prevenção das áreas de floresta do concelho e nesse campo a autarquia poderia apoiar também a missão desta força que também contribuiu para o todo do concelho.

Na Polícia Municipal é visível a falta de efectivos e a necessidade de instalações. A força pode ser um mero instrumento de mão de obra adicional quando a autarquia necessita por força da festa e do foguetório que quase diariamente promove de isolar uma artéria da cidade ou impedir o acesso a determinada zona. Os veículos abandonados na cidade acumulam-se, o estacionamento abusivo é uma constante e com um contingente de 15 agentes e mais 10 em cartaz prometidos para 2019, nada mais podemos em consciência exigir e sem a sua entrega diária se a cidade está mal, porque está, então ainda estaria bem pior. A falta de instalações condignas também condicionará a sua acção e a promessa de mudança para nova casa já vem de 2014 e por certo não é por falta de soluções na cidade, mas tão só pelo inconseguimento político a que já estamos habituados. As antigas instalações dos Bombeiros Voluntários por exemplo agora devolutas não podem ser, por exemplo, uma solução? Para a semana a oposição já coloca este assunto em reunião de câmara, mas há muito que o já devia ter feito e insistentemente!

É de toda a justiça reconhecer o profissionalismo e a dedicação de todos os profissionais destas forças de segurança que, mesmo com um aumento da criminalidade nos últimos anos, têm abnegadamente garantido a manutenção da ordem, segurança e tranquilidade públicas e está na altura de todos nós, viseenses que se preocupam e gostam do concelho, gritarmos ao Governo e Autarquia exigindo que olhem com mais atenção para estas instituições.

Fernando Figueiredo

(Fotos DR)

Forjado na Beira Alta, aos 56 anos dá-se por bem casado e aprecia a companhia de três filhos, dois ainda na fase de espalhar magia a toda a hora; em família dá-se como feliz, apenas por o fazerem feliz. Como os duros estudou na Academia Militar, que não é para meninos e na época em que ainda se viajava de pé no comboio mas teve ainda tempo para queimar as pestanas em Gestão de Recursos Humanos. 36 anos “militarizado” vê-se agora na reforma a procurar ser “civilizado”. Em termos profissionais esteve no Iraque e voltou para contar, também esteve em Timor onde bebeu água de coco e visitou Jaco, erro fatal que lhe deixou o coração preso nas valorosas gentes timorenses e nas paisagens únicas do País que ajudou a ver nascer independente já no Séc XXI. Nos tempos livre actualiza o blog mais lido e odiado do delta do Dão, o Viseu Sra da Beira, e ainda escreve textos para jornais mas, poucos o lêem. Homem sem grande preocupação em fazer amigos, escreve o que entende sobre quem não consegue entender. Tais liberdades já lhe valeram um par de processos em tribunal, sem nunca se ter declarado Charlie. A genética deixou-o sem um único cabelo mas está careca de saber que os valores do trabalho, da honestidade e da amizade são o maior legado que o pai lhe deixou. Benfiquista moderado, gosta mesmo é de um bom jantar na companhia dos melhores amigos. Agora como empresário e homem de negócios só aceita de lucro o necessário para viver e distribuir por outros e de comissão a 100% a ética, a responsabilidade e o profissionalismo. É garantidamente mais bonito ao vivo que em foto.

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