#viseufazbem

por Paulo Neto | 2017.06.18 - 12:01

 

 

Este é o novo slogan pré-eleitoral da câmara de Viseu. Discreto e com bom gosto, ambíguo q.b., dual na sua mensagem.

Começa com um # = hashtag, ou seja, um símbolo que antecede uma palavra ou frase-chave. Tem como função essencial categorizar um conteúdo publicado numa rede social, gerando uma dinâmica desse conteúdo com outros usuários interessados nesse assunto. Uma espécie de hiperlink para determinado assunto, que ficará disponível em redes sociais e motores de busca.

A seguir ao hashtag, os caracteres usados na frase assertiva têm quase a cor do arco-íris, símbolo de aliança e solidariedade, com nuances de imagem/cor e o verbo “fazer”, na 3ª pessoa do singular do presente do indicativo em cor-de-laranja (que outra cor poderia ser?) terminando-se num degradé verde de esperança.

O modo indicativo apresenta o estado, a existência, ou a acção como real. O tempo indica o momento em que se situa a acção, o estado ou a existência, sendo o presente o tempo do momento actual. Não estamos a 100 dias das eleições?

Usando uma espécie de hipálage, atribui a um ser uma qualidade que logicamente pertence a outro, mas também uma sinédoque, que consiste na atribuição do nome de uma realidade colectiva – o executivo camarário – a outra realidade espacial – Viseu – na especificidade da antonomásia que substitui o nome próprio de uma pessoa – Almeida Henriques – por uma característica de fazer bem que o de “de cujus” muito gosta de passar na sua “narrativa”, mais arquitectada em palavras artificiosas que em concretas obras, actos ou benefícios para os munícipes.

Viseu faz bem é afirmação que não questionamos no sentido de ser uma cidade que faz bem à nossa saúde. Não temos prova disso, mas também não temos a prova contrária. É pois, pacífica essa declaração/constatação.

Porém se Viseu é aqui tomada no seu todo, pela acção do executivo camarário, a tentar impingir-nos a “bondade” e a competência do seu agir, pensamos ser um direito e uma presunção que assiste ao destinador da mensagem e uma dúvida muito grande para o seu destinatário, nós, os munícipes que não vemos esse “fazer bem”, que nem sempre e sequer é sinónimo de bem-fazer…

De qualquer forma é o executivo PSD a fazer a sua campanha eleitoral, disfarçada de propaganda à cidade, quando e no fundo, não passa de uma propaganda descarada à equipa comanditada por Almeida Henriques que, e assim, mata dois coelhos de uma cajadada, autopromovendo-se, com um despudor encapuzado na publicitação de Viseu.

Em suma, se artificiosa e bem congeminada na forma, é porém cínica e descarada no conteúdo e intento.