Viseu-Coimbra, nem auto-estrada nem duplicação do IP3. Governo abandona este território…

por Paulo Neto | 2018.04.20 - 10:09

 

 

 

Os deputados do PSD de Viseu, Guarda, Vila Real e Bragança estão zangados com o Governo e com as EP e Infraestruturas de Portugal, ou como quer que essas instituições da treta se chamem.

 

Não há nada para ninguém. Naquilo que já há muito se percebia, António Costa não tem prioridades para certas regiões, mormente para Viseu onde tem uma Federação afónica e um presidente mais virado para as águas do Douro e Paiva, deputados frouxos e autarcas sem poder reivindicativo, a começar pelo de Viseu, que faz muito estardalhaço e nenhuma obra, e outros circum-vizinhos, do seu partido, com responsabilidades acrescidas, como os de Santa Comba Dão, Mangualde, Nelas… tristes figurantes da muita parra e pouca uva. O mesmo para o de Tondela.

Por seu turno, os deputados do PSD que pouco se mexeram nos anos da governação de Passos Coelho, carregaram as baterias e saem à carga, não sabemos se preocupados efectivamente com a falta de alternativa rodoviária, se por mera agenda de oposição política.

O que é certo é não ser o Centro e concretamente esta imperiosa via Viseu-Coimbra, a estrada da morte, preocupação para quem manda.

Por seu turno, as estradas deste território cada vez estão mais degradadas, preocupando-se a Prevenção Rodoviária com o número crescente de acidentes mortais, mas não mostrando nenhuma preocupação em fazer as obrigatórias reparações de preservação e de manutenção, e isto apesar do sector automóvel ser uma das galinhas de ovos de ouro de qualquer erário público, pois desde as mais altas tributações europeias na aquisição de um carro novo, à obscena tributação dos combustíveis, à imoralidade de ISV, IUC e etc. e tal… tudo se junta para saquear o otário do utente.

E isto vem dar razão aquilo que se está a fazer em termos de um país a dois andamentos, a faixa litoral, de norte a sul, com ¼ de território e uma população mais que decuplicada e ¾ de Portugal em vias de abandono e desertificação. Ou seja, dos 218 kms de largura, mais ou menos 40 vêem a luz, 178 estão à sombra, num comprimento de 561 kms. Que o mesmo é dizer que de uma área total de 92.212 km2, para aí apenas 18.400 km2 têm direito à atenção da governança.

Costa mantém-se esfíngico e, à moda de qualquer político que se preze, joga no “nim” e nas expectativas criadas, adiadas e goradas, acenando com um investimento que vai de 80 a mais de 300 milhões, ou seja, uma pequena oscilação que multiplica por 4. É tudo uma questão de números… Sorte grande ou terminação, para e no fundo, se verificar que a cautela está em branco.

Dizem os deputados do PSD na sua justa revolta que o Governo está “uma vez mais a enganar e a diminuir os viseenses”. No que toca à linha da Beira Alta os deputados terão sido informados pelas Infraestruturas de Portugal da “dificuldade em encontrar projetistas para entregar projetos com qualidade, uma vez que não há tradição em Portugal para realização deste tipo de investimento” (Lololoololol)…

Também e ao que parece e como se não bastasse, a ligação ferroviária a Viseu “está em estudo e não é assumida como prioridade, do mesmo modo que a linha Aveiro – Viseu – Salamanca não será concretizada, uma vez que já foi duas vezes rejeitada em Bruxelas”.

Ou seja, este território está votado ao abandono… E se for mentira, que o digam com obras e não com palavreado de políticos de pacotilha.

 

(Foto DR)