“O que ganho não me dá para os charutos”, poderia Almeida Henriques afirmar, parafraseando o ministro de Balsemão

por Paulo Neto | 2019.01.01 - 13:15

O nosso estimado autarca António Almeida Henriques deve ter estabelecido como objectivo mediático, no seu PAA, escrever 52 crónicas no CM e dar 104 entrevistas aos “boletins” a quem retribui com ancha publicidade a atenção.

É curiosa e do foro mental (muito freudiano) esta imperiosidade de escrever (mediocremente) e de falar (atarantadamente). O povo diz que morre o peixe pela boca, embora agora tenhamos que evitar estes adágios com seres vivos, por ser politicamente incorrecto, há quem defenda…

E de facto, cada cavadela sua minhoca (oh! lá saiu outro…), sempre que a nossa “Rossio star” tira por instantes o protagonismo ao delfim Sobrado, o que cada vez é mais raro, as suas profundas e inconscientes motivações emergem e brotam-lhe dos lábios com as suas mais íntimas verdades. Ele algures o afirmou: “Quem não comunica não existe”…

Por isso, numa folha local, e talvez na sua 589ª entrevista concedida desde que foi eleito, límpidas como linfa a sair da fonte, irreversíveis na sua fatalidade, nas suas palavras sentidas, lamuriou-se (o que faz sempre com muita competência) da sua penúria:

“A remuneração dos cargos políticos não é aliciante”

Ele sabe do que fala, pois a sua longa carreira política de mais de 40 anos, muito o terá prejudicado economicamente. O que lhe confere imenso valor, realçando o seu inato missionarismo e a sua dedicação ao serviço da coisa pública.

Só por isso, todos os viseenses lhe deveriam estar gratos e, se fosse de exageros como o Compadre Zacarias, diria até que deveriam beijar o chão que ele pisa.

Em consequência e coerência, deixo uma sugestão: Se 4 décadas são suficientes para mais 3 merecidas comendas, talvez seja enfim chegado o tempo de se dedicar à vida empresarial, ou porque não, montar escritório de advocacia, arranjar uma boa sociedade e 9 ou 10 razoáveis avenças de 2 mil euros cada… o que sempre dará para a renda, para os consumíveis e para um viver mais folgado.

Como o compreendo… Já o ministro dos Negócios Estrangeiros de Balsemão, André Gonçalves Pereira, do mesmo se queixava: “o que ganho neste cargo não me dá para os charutos”.

 

(Foto DR)