Da pendularidade do “nosso” Almeida ao “papel de cenário” camarário…

por Paulo Neto | 2017.03.30 - 11:09

 

De vez em quando, o Compadre Zacarias, faz-me chegar via net as conjectâneas delirantes de Almeida Henriques no seu estimado CM. Aliás, um quotidiano que lhe assenta que nem luva de pelica em mão fina de duquesa…

Até creio que já deixou de chamar às suas croniquetas semanais “Terras do Demo”, por provavelmente se ter enfim apercebido que os concelhos que tal designação abarca são: Moimenta da Beira, Sernancelhe e Vila Nova de Paiva…

Nesta ejaculatória que me chegou, de 28 de Fevereiro, fala do que sabe e bem conhece, mormente, do “papel de cenário em que se converteu a política nacional”, a pensar na autarquia que comanda, toda forradinha de cenários bonitinhos que, em geral, não passam de meras e atribuladas ficções.

Mas vai mais longe, criticando o que apoda de “bloqueios” ao desenvolvimento relacionados com “a mobilidade”, assim exarando:

A mobilidade é decisiva na qualidade de vida das cidades e do ambiente, na dinâmica da economia e das exportações, e na boa saúde das contas públicas.”

Compete aqui lembrar que o Smart City Index Portugal, de Dezembro de 2016, no seu longo relatório de 146 páginas, analisando 36 cidades portuguesas  em domínios vários, chega à conclusão que Viseu não está no TOP10 final, assim como, no domínio exacto da “MOBILIDADE”, nem sequer lá entra… A melhor cidade para Viver… e Visitar. A tal que é “de 1ª água”.

Mas mesmo relevando as habituais incoerências deste “desmemoriado” autarca, talvez seja curial recordar-se que e nesta matéria ele é um ás, pois…

Para promover a “mobilidadevai instalar 278 parquímetros no Centro Histórico, esse estacionamento vai ser pago 24 horas por dia. Além do parque de estacionamento de São Lázaro junto ao Soldado Desconhecido, tem mais 3 parques de estacionamento para instalar e juntar ao semi-deserto de Santa Cristina. Claro que esta “mobilidade” é uma forma de criar receitas para a “senhora câmara“, desvelando o cenário quando lavra: ” Os fundos comunitários seguem idêntico rumo, drenando recursos para os clientes do costume.” Saberá de quem fala até e porque foi uns tempos secretário de Estado de um pelouro que muito tinha a ver com a matéria, não escondendo ainda a recorrente avidez de lhes pôr mão em cima, tão costumeira na sua retórica habitual.

E por aquela senda ziguezagueante lá segue a passo largo, rematando-se com estas pérolas, certamente referindo-se ao governo que integrou, da coligação PàF:
“A nação tem de facto um longo e crítico historial de sarilhos, promessas falhadas e equívocos em dossiês estratégicos como a ferrovia, a rodovia e os transportes urbanos. Historial que continua o seu curso. Entre todas as trapalhadas que nem a Democracia nem o bom senso conseguiram resolver, está a falta de visão e justiça no acesso à mobilidade.”

Estimado amigo, que S. Teotónio lhe perdoe por tentar fazer dos outros parvos… e míopes.