BIOMASSA ECOPONTOS FLORESTAIS E QUE MAIS?

por Paulo Neto | 2019.09.27 - 12:39

Almeida Henriques, segundo declarações a um periódico local, vai dotar o concelho de Viseu com seis ecopontos florestais.

Cada ecoponto florestal custa 27 mil euros (diz ele). Ou seja, um investimento de 162 mil euros.

Só depois mostra a sua verdadeira “preocupação”: a prioridade é “porque o concelho tem uma central de biomassa que precisa de matéria prima, que deverá ser recolhida num perímetro de 50 quilómetros”.

E mais disse para que não subsistam dúvidas do beneficiário privado deste investimento camarário (público):

Achámos que esta era uma excelente oportunidade. Era uma oportunidade de ajudar a abastecer a central de biomassa, de podermos depositar aqui o resultado da limpeza das florestas e até de podermos ambicionar, no futuro, proibir que o fogo seja uma forma de consumir uma coisa que é matéria-prima”.

Já o presidente da Junta de Freguesia de Bodiosa, sensatamente, vê no investimento outra vantagem, essa sim relevante “para que as pessoas deixem de queimar e se sintam incentivadas à limpeza dos pinhais, porque muita gente não limpa porque não tem onde depositar os resíduos” (…) e aproveitem estas estruturas “em vez de andarem a fazer queimas no meio dos matos”.

Carlos Alegria, o “boss” da central de biomassa, que sem matéria prima fica numa situação arriscada, mostrou-se “preocupado” com a morte de três pessoas que faziam queimas de sobrantes e mais clarificou: “Em vez de os queimarem e libertarem CO2, sem nenhuma valorização energética, podem ser transportados para uma central e ter uma valorização energética e um ganho para o país, sendo que uma central de biomassa é energia verde”.

E aqui temos a Alice no País das Maravilhas com um happy end, ou, de outra forma visto, como dar caução nobre a um real cínico. A autarquia não teve dúvidas em contribuir com o seu esforço financeiro para apoiar um investimento privado. Será esta a macro linha da política empresarial de Almeida Henriques? Assim sendo, quais são as outras empresas privadas que têm beneficiado deste “alavancamento“?

A única plausibilidade deste “apoio indirecto” estará na criação de novos postos de trabalho? A ser assim, qualquer empresa geradora de novos postos de trabalho é deles usufrutuária? Se a regra é geral só temos que louvar o acto.

Paulo Neto