Aprecio muito o estilo do António Borges…

por Paulo Neto | 2017.10.05 - 15:25

 

 

… acho que ele é um moço esforçado, há dezenas de anos dedicado à luta política, pugnando pelo ideal socialista e sempre ao lado do líder circunstancial.

Com grande alcance de visão, antes de chegar ao fim dos mandatos que a lei permite, na autarquia de Resende, logo António Borges começou a pensar que o seu território de 123 mil metros quadrados lhe era insuficiente aos desígnios visionariamente percepcionados e que os seus 11.300 habitantes eram escassos para a abrangente mensagem messiânica que lhe ardia nas arcas do peito.

Vai daí, fez uma finta ao seu amigo João Azevedo e jogando ao ataque com o “mister aspirina”, logrou ganhar-lhe a Federação do PS Viseu. Meio passo estava dado para se auto nomear segundo da lista encabeçada por Maria Manuel Leitão Marques.

E dito e feito, ei-lo deputado da Nação, comendador medalhado pelo Grande Cavaco, qualquer coisa mais ali para os lados de Gaia e, não obstante…, uma sombra lhe turvava ainda a bonita carreira: a de António Costa, o novo secretário-geral do seu partido, que substituíra a sua grande e fiel aposta e caução segurista.

No entendimento de que depois do seu concelho, do seu distrito, da sua Nação a estrada se estreitaria, António Borges virou-se para os recursos hídricos privatizados – antecipando-se ao seu amigo Almeida Henriques com as Águas de Viseu – e foi administrar as Águas do Douro e Paiva. A vida é feita destas sincronias…

Entretanto, as autárquicas trouxeram-lhe novo desafio e mor alento. E vai daí – por “distração” do seu colega do CDS-PP – até Lamego ganhou, por uma unha negra, é certo, e só foi pena o desmancha-prazeres do Carneiro, imolado em Castro Daire, estragar-lhe o ridente e imparável score.

Logo as trombetas soaram pelos ares propagueando a magna vitória do timoneiro das massas rosa. O melhor resultado de sempre no distrito foi por aquelas mãos tricotado. Ademais, com a virtuosa liderança do recém-amado António Costa, o Eldorado estava à vista…

E porém, na frieza objectiva dos números, a bota não bate co’a perdigota… Salvaguardando os excelentes resultados de Cinfães, com Mourisco e Mangualde, onde João Azevedo e Marco Almeida também fizeram História, alardear e elencar o totum-êxito de Lamego, câmara falida pelo cessante Francisco Lopes, sem dinheiro para mandar tocar um cego pobre, o resultado de 3 PS e 2+2 da oposição não augura uma governação bonançosa, nem é sinal de tempos auspiciosos.

Entretanto, estribado neste clamor de sucesso cujas ondas ainda zunem no ar, Borges prepara o terreno, tratando nos corredores esconsos da maquinação, de substituir na Concelhia viseense a discreta líder Adelaide Modesto, diz-se que pelo seu “afilhado” e mano de um grande amigo de peito e pugna, Gonçalo Ginestal. Este clã é formidável e se tanto tem dado à política local e nacional, muito mais terá a dar no porvir. Tudo lutadores com espírito incansável de missão, propugnando por Viseu a quem tanto bem têm feito, até ao fim do inquebrantável alento. Felizmente que há clãs assim, para quem a causa pública se erige cimeira, como uma bandeira no alto dos Montes Hermínios.

Mas escrevíamos sobre a frieza dos números. E que nos diz ela? Que o PS, afinal, nas 3 últimas autárquicas, 2009 – 2013 e 2017, tem vindo a perder sucessiva e gradualmente votos. Como assim?

Vejamos

“Em termos nacionais e no distrito de Viseu o Partido Socialista registou nestas eleições autárquicas de 1 de outubro de 2107 os seus melhores resultados de sempre.” – afirma Borges.

Mas, de facto, desde 2005 (máximo de votos do PS, ainda que com menos câmaras) até 2017,  o PS não sofria tanta perda de votos.

António Borges leu os números sem óculos de ver ao perto. Apenas com as lentes da oportunidade ou, talvez, do oportunismo.

Aqui se deixam os resultados ao escrutínio do criterioso leitor, não deixando de dar os parabéns aos esforçados autarcas que no terreno, eles sim, construíram os resultados…