Volta a Portugal custa 4 euros a cada viseense

por Rua Direita | 2016.07.29 - 11:58

A latitude do presidente António Almeida Henriques continua a dar nas vistas. Sem se atormentar com os desabafos vindos da oposição, dos esclarecimentos dos “Amigos de Peniche” e do recado da Associação de Utentes e Sobreviventes do IP3/A24, o ex-secretário de Estado que agora está à frente do governo (municipal) coloca o pão na mesa e o circo nas ruas: a Volta de Portugal está de regresso a Viseu. É caso para dizer que nada o desasa.

Nestes dias em que os adjetivos e superlativos abundam e em que a prova é defendida com unhas e dentes à mesa do café convém ter alguma frieza de espírito e olhar analiticamente para esta “oportunidade”. E a primeira razão para isso é simples: o seu custo para o município.

Se as circunstâncias e todo o nosso historial conta – Viseu entrou para o calendário da Volta em 1932 e, desde aí, já somou mais de 60 participações – não menos importante é esta vertente da Volta a Portugal que cada vez mais se assemelha a um negócio de promoção regional.

E, Viseu que o diga. Pelo que se vai sabendo, e apesar de não serem valores finais a que acrescerá sempre a limpeza deste ou daquele talude e a aquisição deste ou daquele material publicitário, Almeida Henriques constituiu a cidade de Viseu como Patrocinador Oficial da Volta a Portugal em Bicicleta – Cidade de Chegada e dia de descanso em 2016 e Cidade do Grande Final da Volta em 2017 – em troca de 325 mil euros. A este valor ainda acresce a aplicação do IVA (Imposto sobre o Valor Acrescentado), pelo que o total da fatura andará bem perto dos €400 mil a pagar nestes dois anos.

Curiosamente, na cidade, ninguém reclama nem ninguém anuncia tais heranças. E isto não vai ao encontro de nenhum dogma ideológico nem pode ser entendido como um preconceito contra quem tem o dever de informar. Não se pode discutir o que não se sabe. Quando se dá a conhecer pormenorizadamente o programa, os intervenientes, as justificações, por que razão se teima em omitir o valor?

Viseu falha assim logo no primeiro patamar da transparência. Ao contrário de muitos outros municípios, usam-se expedientes legais – como as subvenções e outros apoios camarários – para, em larga medida, subtrair ao escrutínio publico informação relevante. Veja-se o caso do contrato de patrocínio firmado com a Podium Events, S.A. para a Volta a Portugal em Bicicleta, por exemplo. É um mistério tão grande como a Cava de Viriato ao qual nem o Portal Base (plataforma de contratação pública) sabe dar resposta. Contudo ele existe e foi assinado pelo presidente Almeida Henriques em julho de 2016.

É óbvio que Viseu quer a volta. Um presidente que faça contas à vida e, no último momento, hesite, não serve. Contudo, é possível ter um dia vistoso, e com impacto, por praticamente metade destes valores. Foi o que fez o Município de Vila Franca de Xira que, por 137 mil euros, garantiu três anos (de 2015 a 2017) como anfitrião de uma etapa de partida.

Sim, senhor presidente. Nós sabemos que o programa “Há Volta”, transmitido em direto entre as 10h00 e as 16h00 na RTP1, cobre apenas as localidades de chegada da competição, mas, como deve compreender, os viseenses passam bem sem os “Ranchos à moda de Viseu”, sem as selfies do caro amigo Mário Augusto e sem saber do paradeiro de Guilherme Almeida, o seu vereador do Desporto.

Contas à parte, Viseu ganhou o direito a gozar um dia inteiro cheio de pedaladas. Agora, vá! Vá “voltar” que já está pago!

guilherme_almeida

Fotos: Direitos Reservados (DR)

Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

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