Vereadores do PS declaram-se “tristes e estupefactos” com o cancelamento dos Jardins Efémeros

por Rua Direita | 2019.03.26 - 09:04

Na reunião pública de câmara realizada a 21 de março de 2019, os vereadores do Partido Socialista (PS) no Município de Viseu referiram:

 

Foi com profunda tristeza e estupefação que os vereadores do PS se depararam com o cancelamento da edição 2019 dos Jardins Efémeros.

Nos últimos oito anos, em festa, de modo aberto e em que todos se sentiam envolvidos, os Jardins Efémeros levaram artes visuais, arte urbana e performativa, arquitetura, música eletrónica, teatro e cinema experimental a várias ruas, edifícios devolutos e monumentos do centro histórico de Viseu.

Porém, paulatinamente, a percentagem de financiamento dos Jardins Efémeros pelo Município de Viseu foi sendo reduzida. Na verdade, para os vereadores do PS parecia verificar-se uma certa contrariedade do Executivo de Almeida Henriques relativamente à realização deste Festival alternativo e independente.

Muitas vezes através da Viseu Marca – como é sabido pouco escrutinável publica e politicamente -, o Município domina atualmente a programação e a manifestação artística em Viseu. Para o efeito, são contratadas empresas, artistas populares, entertainers e agentes de outros pontos do país ou “sempre os mesmos” de Viseu. A especialização-obsessão em marketing e comunicação do Município de Viseu predomina fortemente em múltiplos eventos de animação urbana.

De facto, também porque eram um dos eventos locais que contrariavam esta tendência crescente, e por muitas mais, os Jardins Efémeros, eram uma “pedrada no charco” no panorama cultural local e nacional.

Para os vereadores do PS os Jardins Efémeros não podem acabar! Foi dito em reunião: “Pensemos bem… Não foi no mandato de Almeida Henriques que os Jardins Efémeros começaram. E foi no mandato de Almeida Henriques, que os Jardins Efémeros terminaram.“

 

Os outdoors espalhados pela Cidade em tudo o que é “obra potencial” não é publicidade institucional. Despudoradamente, o slogan #viseufazbem é o mesmo que foi usado na propaganda das últimas eleições autárquicas. Para os vereadores do PS esta colagem entre a instituição Município de Viseu e o partido PSD é inadmissível.

Com os dinheiros públicos, esta campanha de propaganda municipal intensiva mais não tenta do que encobrir precisamente o muito que se prometeu e que não se faz!

A bem da legalidade e sobretudo da verdade e da seriedade devida aos eleitos locais, para os vereadores do PS, o Município de Viseu deve retirar imediatamente do espaço público todos os painéis publicitários de cariz propagandístico recentemente implantados. Claramente são uma violação da lei, naquilo que foi a recente Nota Informativa da Comissão Nacional de Eleições. Por isso mesmo, tal como sucedeu com outros viseenses indignados, os vereadores do PS apresentaram queixa à CNE.

 

O concelho de Viseu é uma “ilha” na faixa interior do País de territórios de baixa densidade. Em diversos indicadores de desenvolvimento humano, Viseu equipara-se com os municípios do litoral.

Contudo, ao nível económico, naquilo que interessa mais ao cidadão comum – “o seu dinheiro no bolso”- Viseu já se aproxima mais ou é até ultrapassada por cidades do interior da sua escala; fizeram notar os vereadores do PS.

Basta olhar para as estatísticas, comparem-se indicadores fundamentais do rendimento médio dos habitantes de Viseu: ordenado médio, rendimento e PIB per capita e poder de compra per capita.

A desigualdade entre os rendimentos médios de quem vive Viseu e de quem vive em municípios da escala de Viseu com atividade económica empresarial estratégica – seja no litoral ou no interior – tem-se vindo a agravar.

 

Para o PS, “no papel”, o “MUV – Mobilidade Urbana de Viseu” parece ter todas as condições para ser um sistema integrado de transportes inovador, adaptado aos novos tempos, eficiente, confortável e ecológico, atraindo novos utilizadores e promovendo a mobilidade suave.

Porém, com o atual Executivo PSD da comunicação propagandeada à realidade concreta no terreno vai uma grande distância. Para já, estranha-se que diversas valências e modos do MUV não arranquem a 2 de abril. O longo atraso verificado permitiria a preparação e implementação integral do Programa no arranque.

Face a esta grande promessa que começa a ser, finalmente, implementada, os vereadores do PS incitaram o Executivo para que o “MUV induza o movimento…” na sua ação. Que muitas outras obras emblemáticas, fundamentais para o desenvolvimento da estrutura urbana de Viseu, se concretizem rapidamente. Por exemplo, o documento estratégico sobre as obras a realizar pelo mandato Almeida Henriques/PSD até 2020, “Plano Municipal de Obras do Centenário 2016 – 2020”, prometia 23 grandes obras. Destas, nenhuma está efetivamente concluída. A larga maioria nem sequer está iniciada.

 

O PART- Programa de Apoio à Redução Tarifária nos Transportes Públicos é uma excelente iniciativa do Governo, uma ferramenta de coesão territorial e social, que alarga a todo o país o benefício da redução tarifária nos transportes públicos. É fundamental incentivar o transporte público; combatendo as externalidades negativas associadas à mobilidade, nomeadamente o congestionamento, a emissão de gases de efeito de estufa, a poluição atmosférica, o ruído, o consumo de energia e a exclusão social. É um programa muito bem desenhado na globalidade, o que também se observa na sua concretização para a Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões e em Viseu. O Município apostou bem na redução de tarifa, sobretudo de utentes regulares de transportes públicos.

O Presidente da Câmara anda constantemente a aferir a revitalização do Centro Histórico de Viseu pelo número e valor das transações imobiliárias realizadas. Os vereadores do PS, mais uma vez, fizeram notar que esta é uma dimensão estrutural efetivamente relevante, porém, mais importante, são os indicadores diretamente associados à “Vida” no Centro Histórico: números de novos moradores, lojas comerciais a abrir, serviços públicos e empresas a instalar, movimento de rua no dia-a-dia, etc.

Ao que se sente, a avaliação continua a ser muito negativa; para o PS e os viseenses a revitalização do Centro Histórico de Viseu tarda!

 

(Foto DR)

Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

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