UFANO E GAIO, O 25 DE ABRIL EM SERNANCELHE

por Rua Direita | 2016.04.26 - 12:15

 

ABRILlow

 

Sernancelhe é terra de Aquilino. Não é pois de admirar que festeje o Dia da Liberdade com tanto gosto quanto empenho o Mestre do Carregal pôs na luta de toda a sua vida.

rd1

Pelas 09H00 o presidente da autarquia, Carlos Silva Santiago passou revista ao corpo de BVS em parada. De seguida, enquanto a Banda 81 de Ferreirim executava “Grândola, Vila Morena”, os representantes das instituições homenageadas hastearam as bandeiras, da Europa, de Portugal e de Sernancelhe.

rd2

Com o Salão Nobre cheio e muita gente sem lugar, de pé, no exterior, procedeu-se à formalização da cerimónia que se iniciou com a leitura de poesia de Abril por dois jovens, e com a alocução da representante do PS, Fernanda Sobral. Seguiram-se-lhes Cláudio Vitorino, Hélder Lopes e os três representantes das instituições homenageadas com a Medalha de Mérito, ESPROSER, Escola Profissional de Sernancelhe, desde 1993; Rancho Folclórico de Sernancelhe, desde 1982 e Santa Casa da Misericórdia de Sernancelhe, desde 1954, respectivamente, Ana Chaves, Armando Mateus e Mário Araújo Pinto.

rd3rd4rd5

rd6

rd7rd8rd9

Tomou a palavra o presidente da autarquia, tendo a cerimónia sido encerrada pelo presidente da Assembleia Municipal, José Agostinho Aguiar.

rd10

rd12

Transcreve-se o discurso de Carlos Silva Santiago…

rd11

“Quero, nestas minhas primeiras palavras, saudar, muito particularmente, todas as pessoas que, de forma tão numerosa, assistem a esta cerimónia de evocação do 25 de Abril, um sinal inequívoco de que esta data está bem viva e continua a ser muito importante que a assinalemos, com este rigor e com este entusiasmo.

Cumprimento também de forma muito especial e calorosa todos os ilustres distinguidos em anteriores edições do 25 de Abril, que, simbolicamente ostentam a medalha que lhes foi atribuída, uma demonstração do quanto sentem e devotam à sua terra: a Sernancelhe.

Permitam-me, igualmente, que felicite as instituições que hoje são distinguidas com a Medalha de Mérito do Município.

É muito prestigiante podermos honrar três símbolos do nosso Município, cuja ação educativa, cultural e social têm contribuído, de forma decisiva, para um território mais coeso, mais desenvolvido e com futuro.

Felicito, de forma muito calorosa, os órgãos da Escola Profissional de Sernancelhe:

A Assembleia Geral, na pessoa do seu Presidente, Dr. Hélder Lopes, bem como todos os sócios da Escola;

O Conselho de Administração Executivo da Escola Profissional de Sernancelhe, na pessoa da sua Diretora, Dra. Ana Chaves;

O Conselho Geral de Supervisão e os seus membros, na pessoa do seu Presidente, Dr. Paulo Pinto;

Felicito igualmente o Rancho Folclórico de Sernancelhe e toda a sua Direção, na pessoa do seu Presidente, Engº Armando Mateus;

Felicito também a Assembleia Geral da Santa Casa da Misericórdia de Sernancelhe, o Conselho Fiscal e a Direção, na pessoa do Senhor Provedor, Sr. Mário de Araújo Pinto.

Distinguimos hoje três instituições históricas do nosso Concelho.

A Escola Profissional de Sernancelhe, criada em 1993, é o resultado da determinação do nosso Concelho que, há 23 anos, vendo-se privado de ensino secundário e sem alternativas para os seus jovens, lutou para ter uma Escola Profissional e conseguiu.

Permitam-me aqui uma palavra de reconhecimento ao Dr. José Mário de Almeida Cardoso, então Presidente da Câmara, e grande impulsionador deste projeto, tendo assumido então que seria fundamental para o desenvolvimento do concelho a aposta na educação.

O rumo educativo do Concelho ganhou sentido estratégico com a Escola Profissional.

Centenas de jovens encontraram no seu concelho a formação que tanto desejavam, mantiveram a ligação à sua terra, foram aqui preparados para a vida, com qualidade e valores que os marcaram para sempre.

23 anos depois, a Escola Profissional de Sernancelhe é uma instituição educativa de mérito, pois alia a formação à competência e a educação à excelência.

Ganhou o respeito das empresas, com quem mantém perto de uma centena de protocolos;

Mereceu a admiração da comunidade sernancelhense, a quem serve diariamente nas mais diversas ações solidárias e culturais;

É reconhecida pelas entidades educativas nacionais, que elogiam o seu percurso, reconhecendo-lhe novos cursos e novas turmas;

Passou a ser uma escola regional, acolhendo alunos de três distritos e 16 concelhos, graças à imagem de qualidade formativa que foi granjeando;

É, por tudo isto, uma Instituição de mérito que merece a nossa distinção e homenagem.

Distinguimos hoje também o Rancho Folclórico de Sernancelhe, cujo percurso de 34 anos é um exemplo de trabalho em prol da cultura e da identidade do nosso Concelho, demonstrando que é possível, com empenho e sentido de missão, recuperar as nossas tradições e o nosso património imaterial.

Ao longo destas mais de três décadas, o Rancho Folclórico de Sernancelhe deu a conhecer ao concelho, ao país, e também nas atuações que realizou no estrangeiro, as danças, os cantares, os trajes e a etnográfica que nos define.

Tem sido presença constante em festivais por todo o País e organizou, já este ano, em parceria com o INATEL, o evento Cantadores de Janeiras dos Distritos de Viseu, Guarda e Bragança, e está simbolicamente ligado à Geminação com Jacou, França, onde é muito admirado e respeitado.

Entendo, portanto, que o Mérito do Rancho Folclórico de Sernancelhe é inquestionável, e que esta medalha é um reconhecimento a todos os que constituem esta Associação, um exemplo também pois sabe congregar todas as gerações, dos 8 aos 80 anos, numa união verdadeiramente salutar.

Neste dia reconhecemos igualmente o Mérito da Santa Casa da Misericórdia, a única das homenageadas que foi fundada em pleno Estado Novo, mas cuja história e evolução se confundem com a história do nosso Concelho, na medida em que muito contribuiu para que passássemos a dispor de equipamentos sociais, hospitalares e educativos.

As três últimas décadas foram particularmente marcantes para a Santa Casa da Misericórdia, tendo direcionado a sua ação social para os mais carenciados e procurando a melhoria da qualidade de vida da nossa população.

Por outro lado, a Santa Casa da Misericórdia soube direcionar a sua ação para vertentes extremamente importante para a população, tendo assumido um caráter regional com a criação, em 2015, da Unidade de Cuidados Continuados, um equipamento de referência no norte de Portugal.

É pois inquestionável o mérito e ação da Santa Casa da Misericórdia de Sernancelhe, materializado no impulso social e assistencialista que presta, e no contributo ativo para que a solidariedade seja uma marca do nosso Concelho.

Queria agradecer o empenho de todos os funcionários e membros dos órgãos sociais destas três instituições, que direta ou indiretamente, contribuíram para o seu sucesso.

Assinalar 42 anos após 25 de Abril de 1974 com a distinção de instituições do nosso Concelho, é uma honra para qualquer município.

Ainda mais porque são representativas de setores vitais para qualquer território que se quer desenvolvido e de futuro: a educação, a cultura e o social.

São três pilares que estruturam a sociedade, precisamente três conquistas que o 25 de Abril democratizou e que, pela primeira vez, permitiu a todos os concelhos do nosso País.

A Educação deixou de ser um privilégio de elites, restrito às cidades e os meios rurais puderam formar pessoas, de grande qualidade, inteligência, a quem foi permitido sonhar com um futuro.

A Cultura ganhou igualmente a dimensão que lhe permitiu chegar a todos, e cada território recuperar, valorizar a divulgar as suas tradições e costumes como marcas autênticas, sem barreiras ou limitações ao talento e à arte.

O social acabaria por ser, dos três, o pilar que maior impacto teria, pois pela primeira vez Portugal deu a conhecer uma realidade escondida até ao 25 de Abril: pobreza, carência, exclusão e níveis demográficos preocupantes.

Celebrar o 25 de Abril é a demonstração da responsabilidade dos portugueses.

Permitam-me citar, neste momento e a propósito de liberdade, o meu professor Fernando Baptista “A LIBERDADE É O ABSOLUTO ANTRÓPICO DO RELATIVO EXISTENCIAL”.

Celebrar Abril é, por isso, uma oportunidade para que reflitamos sobre nós próprios, sobre o passado e, com ele, desenhemos o futuro.

Entendo, por isso, que 42 anos depois do 25 de Abril, estamos novamente num momento em que é preciso uma reflexão profunda na sociedade portuguesa.

O poder Local, a grande conquista do 25 de Abril, continua a ser entendido como um parente pobre dos governos vigentes, um simples prestador de serviços do Estado.

É preciso que o poder local tenha as competências consentâneas com as exigências do século XXI;

O poder local está obsoleto e esgotado nas suas funções. É importante que os municípios definam competências em setores estratégicos como a saúde, a educação e a gestão do território.

O poder local é o garante da sustentabilidade dos territórios.

O Momento para o País é decisivo, e basta olhar para as instituições que hoje distinguimos para percebermos que a cooperação com o poder local e o poder central é essencial para desenvolvimento dos territórios.

Quem adivinharia, há apenas alguns anos, que o Estado confiasse tantas responsabilidades sociais aos Municípios?

Algum dia seria equacionável que cada município fosse o principal gestor da sua política cultural?

Porque tarda que assim aconteça em matéria de educação?

Provavelmente, estamos a perder tempo e oportunidades, pois se cada município pudesse ser mais interventivo na sua política educativa, o sentido competitivo, a aposta na qualidade e a introdução dos autores locais, como Aquilino Ribeiro, nos currículos escolares, talvez fosse uma realidade – como aliás acontece há vários anos na Escola Profissional de Sernancelhe.

Porque espera o País para perceber que só haverá saúde de qualidade quando a sua gestão for feita pelos Municípios?

Porque não pode um município contratar um médico para o seu Concelho?

Porque não pode um município ter uma palavra a dizer sobre os médicos e enfermeiros, lutando pelos recursos que são fundamentais para o bem-estar das pessoas?

Em matéria de desenvolvimento territorial, porque é que os municípios não são entendidos como parceiros do poder central?

Porque demoram os pareceres a chegar, impedindo tantas vezes a implementação de projetos fundamentais para o nosso concelho?

Qual a justificação para que o parecer de um técnico do Município de Sernancelhe, formado e preparado para desempenhar a sua função, não tenha o mesmo valor do parecer dos técnicos da Direções Regionais, e permitir que esse mesmo parecer seja emitido na mesma da hora?

São estas as questões que o poder local pode e deve fazer em pleno século XXI.

São as respostas a estas interrogações que devem ser exigidas, porque são feitas em nome do povo que representamos e defendemos.

São estas exigências, na área da saúde, da educação e da gestão, fundamentais para o sucesso do interior, para o sucesso de um concelho como o nosso, e para o sucesso na fixação de pessoas no nosso território.

Quando os militares nos garantiram a liberdade, com o 25 de Abril de 1974, ninguém pensaria um País em que cada município tem de conseguir, por si, atrair empresários, investimentos e pessoas.

Nem tão-pouco poderiam prever que viveríamos tempos economicamente muito débeis e que fragilizassem tanto a imagem de Portugal.

E, mais uma vez, a resposta mais evidente a tudo isto vem do Poder Local.

Têm sido as câmaras e as juntas a garantir que as pessoas sintam menos os efeitos da crise, que as nossas empresas continuem competitivas, que assumam a entrada em novos mercados e que continuem a ser dinamizadoras do tecido empresarial local, garantindo postos de trabalho e equilíbrio social.

O ano 2015 foi, aliás, um enorme teste à capacidade dos Municípios serem parceiros pró-ativos junto das empresas, caminharem lado a lado com os investidores locais, abrirem portas ao exterior, procurarem, em conjunto, novos mercados, novos financiamentos e novos negócios.

Poder-se-á considerar que esse papel não está nas competências das autarquias locais, mas o Município de Sernancelhe acredita que sim, que esse é o papel de quem é eleito para encontrar as melhores soluções para o desenvolvimento local, para a melhoria da qualidade de vida das populações.

Em Sernancelhe o resultado desta forma de estar na vida política é evidente na capacidade de investimento que as nossas empresas ganharam, na perspetiva de serem hoje empresas mais fortes, mais consolidadas, mais preparadas para competirem em qualidade e nos mais exigentes mercados.

A AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal revelou, recentemente, dados que comprovam a qualidade das nossas empresas e dos nossos empresários:

– Sernancelhe é o 7º concelho mais exportador do Distrito de Viseu, com mais de 11 milhões de euros registados em 2014;

– O Volume de negócios total em 2014 pelas empresas do concelho foi de mais de 71 milhões de euros;

Orgulhamo-nos pois de ter contribuído, com o trabalho do Gabinete de Apoio ao Empresário e com uma equipa especializada na elaboração de candidaturas ao Portugal 2020, para que, até ao momento, mais de 8 milhões de euros de investimento estejam a chegar às empresas do nosso Concelho.

E que uma parte significativa desse montante seja para inovação e a restante para internacionalização, o que diz bem do patamar em que se encontram as nossas empresas.

É este o papel que cabe ao Município de Sernancelhe: estar disponível para dar um contributo cada vez mais evidente no campo imaterial; contributo esse que produza efeitos multiplicadores junto do tecido económico local.

Esta aposta que desenvolvemos no ano 2015 foi o primeiro ato de um projeto que veremos concretizar-se em 2016 e 2017, em que definimos como estratégia de futuro a criação do Parque Empresarial e Industrial de Sernancelhe, claramente em contraciclo com o panorama nacional, mas cuja motivação decorre de termos um conjunto de empresários empreendedores, dinâmicos e detentores de um apego às origens que queremos elogiar.

Se o poder local consegue grandes feitos sem competências delegadas, imaginem do que seria capaz com essa força de poder descentralizado?

As linhas orientadoras da nossa visão de desenvolvimento municipal estão vertidas nas publicações oficiais das entidades que nos fiscalizam, como o Tribunal de Contas, que, através do Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses, reafirmou que Sernancelhe está entre os melhores municípios em termos de eficiência financeira, é dos municípios com menor endividamento líquido, apresenta menor volume de juros e encargos financeiros e tem um prazo médio de pagamento de apenas 8 dias.

Bastariam estes indicadores, que reputamos de insuspeitos, para que possa ser aferida a qualidade da gestão municipal.

Ainda que não esqueçamos o quanto é difícil a concelhos do Interior do País manterem uma trajetória linear, consolidada e equilibrada, acreditamos que com planeamento, união, força e determinação iremos em frente, sempre na certeza de que estamos a dar os passos corretos rumo ao amanhã.

Sernancelhe é um Concelho do Portugal profundo.

Mas, longe de nos limitar, a nossa posição geográfica, as nossas gentes, a nossa determinação, demonstram ser a nossa força e o nosso grande trunfo.

As últimas décadas têm demonstrado que os sernancelhenses são determinados, empreendedores e portadores de valores que lhes definem o caráter, seja os que cá residem e trabalham, seja com os exemplos da nossa grande comunidade emigrante, que mantém uma ligação forte com a nossa terra, vivendo intensamente tudo que aqui se faz e constrói.

Os sernancelhenses são portadores de valores que vão ao encontro dos princípios de Abril, que hoje aqui reafirmamos ao reconhecer, simbolicamente, três instituições que são exemplo de como é possível transformar adversidades em oportunidades.

A Escola Profissional, o Rancho de Sernancelhe e a Santa Casa da Misericórdia são três entre tantas outras instituições e associações do nosso Concelho que comprovam que vale a pena trabalhar por Sernancelhe.

Por elas e pelas nossas gentes, justifica-se que a cada 25 de Abril, honremos e homenageemos os obreiros da nossa terra.

Viva o 25 de Abril!

Viva Sernancelhe!

Viva Portugal!”

rd13rd14

Finda a cerimónia formal e ao som da Banda 81, rumou-se ao Exposalão onde o cantor Paulo de Carvalho e seus músicos actuaram durante hora e meia para o público que encheu os mil lugares sentados. Rematou-se o evento com uma convivial confraternização aberta a todos os presentes.salacheia

Sernancelhe será hoje o concelho de Portugal que mais condignamente celebra o Dia da Liberdade.

E isso, só por si, tal acto fala alto…

 

 

 

Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

Pub