Tudo o que sempre quis saber sobre o evento do ano em Viseu

por Pedro Morgado | 2014.10.13 - 14:01

O Outono começou bem. Depois de uma pequena pausa para que mais um ano passasse, o acontecimento social que ao longo de mais de duas décadas tem marcado a agenda local e nacional, o jantar-dançante “Os Melhores Anos” (OMA), vestiu as cores da estação e, à hora marcada, regressou à cidade.

Não muito longe do centro, no mesmo local que foi durante mais de uma década a capitular e o ponto final da diversão nocturna na região, o multiusos ExpoCenter encheu e recebeu em festa, este sábado, mais uma edição daquela que é já uma história com mais de 20 anos. E, bem podia a noite estar de chuva. Ponhamos os pontos nos is. Ninguém faltou.

Este ano a adesão foi maior, muito maior, ultrapassando mesmo a barreira das cerca de oito centenas e meia que estiveram presentes na edição de 2013. Quase mil, reiterava-se em surdina por ali. Se tal correspondesse à verdade matemática dos factos, mil e um seriam: o Rua Direita também lá estava. Eis o que aprendemos (se ficou a ver a telenovela este texto é mesmo para si).

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O tamanho importa? Não, apenas ajuda

Comecemos pela dimensão. Seria possível replicar na cidade um evento com o tamanho deste jantar? Claro que sim. Muitas das iniciativas que por cá acontecem apresentam números na mesma ordem de grandeza. Contudo, sejamos francos, este evento é único.

Nenhum outro se pode gabar de juntar no mesmo espaço figuras com reconhecida projecção nacional e os verdadeiros “obreiros” do projecto Viseu. Muitos dos políticos locais, das elites culturais e largas centenas de cidadãos “anónimos” passaram por lá e isso, em teoria, devia conferir-lhe, por si só, o estatuto de momento único e de grande impacto na região. Mas, “Os Melhores Anos” são algo mais. São uma, ou melhor, são a única “noite inesquecível” na cidade de Viseu que desde logo apresenta uma enorme vantagem: todos os anos se renova, todos os anos se repete.

Entre as várias explicações que se perfilam para responder à questão de como os “OMA” se transformaram, ano após ano, neste “fenómeno” social há uma que, sem dúvida, se torna incontornável: as pessoas. Aquelas pessoas, nascidas, criadas ou apenas com fortes laços à cidade, são indubitavelmente a melhor “gente” do mundo.

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Primeiras impressões: Entre um estacionamento mal feito e a sala principal

Falar de um estacionamento feito às “três pancadas” numa noite temperada com uns salpicos de chuva pouco parece relevar quando o tema é “Os Melhores Anos”. Contudo, marca um contraste. Mal se passa a soleira da porta o ambiente é outro. O calor inunda-nos imediatamente. É tempo de deixar José Alfredo perpetuar o momento. Algo que este artista viseense faz como ninguém.

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As presenças

Uma vitória em toda a linha. É assim que pode ser feito o balanço deste “clássico com cores de Outono”. Durante a noite de sábado foram muitas as figuras que marcaram presença em Viseu. E, algumas delas, verdadeiras estreias. Pinto da Costa, o mítico presidente do FC Porto, foi a surpresa da noite. Também Edite Estrela, a socialista que em 2014 recebeu o prémio de melhor deputada europeia na área do Emprego e Assuntos Sociais, José Cesário, secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Luís Marques Mendes, Jorge Coelho, Teixeira dos Santos, antigo ministro das Finanças, e Manuel Serrão fizeram parte da lista de presenças.

Além dos “pesos-pesados”, uma nota para a comparência do eurodeputado Fernando Ruas, desde sempre esteve ligado à “vida” desta festa, e de António Almeida Henriques, o atual presidente da autarquia. Tondela também esteve bem representada: António de Jesus e Carlos Marta “visitaram” o concelho vizinho pela mão do Grupo Visabeira.

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No palco e fora dele

Foram, no total, cerca de nove horas de espectáculo contínuo e breves os instantes em que o palco esteve na penumbra. Paulo Ventura, manager de artistas como Blasted Mechanism ou Legendary Tigerman e um dos elementos do júri do programa Factor X, cumpriu a sua missão e, de forma irrepreensível, fez “circular” pelo palco todas as actuações previstas. E, se a tarefa impressiona pela dimensão, torna-se obrigatório falar do que por ali passou.

Entre as 20h00 e as 05h00 bem que o palco precisava das dimensões do mundo. Com nomes como o grupo “Gira Sol Azul”, a consagrada orquestra “Os Melhores Anos”, dirigida pelo maestro Jaime Baptista, e o projecto “Bug”, um original e animado projecto nacional na área da vaudeville music, a servir de “aperitivo” o sucesso estava garantido. Confirmação que acabaria por chegar com Paulo Gonzo. A grande atracção da noite agarrou, com as duas mãos e uma voz irrepreensível, uma pista de dança a rebentar pelas costuras.

Tempo ainda para destacar o desfile de moda da estilista Micaela Oliveira com a participação da actriz Rita Pereira que, na passerelle, apresentou alguns modelos da criadora prendendo atenções e despertando emoções.

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Em destaque

Torna-se impossível falar dos “Melhores Anos” sem evocar outro dos grandes atractivos do jantar-dançante OMA: a sua gastronomia única. À semelhança das últimas edições, a ementa teve a assinatura do Restaurante Forno da Mimi, com uma ementa inspirada na cozinha tradicional regional, que ao acompanhar transversalmente todo o evento fecha com chave-de-ouro uma noite ao ritmo dos sixties.

Eduardo Pinto, organizador do evento, está, uma vez mais, de parabéns. Posto isto, resta-nos esperar pela edição de 2015. Que volte depressa.

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Nasceu na Covilhã. Licenciado em Comunicação Social pela Escola Superior de Educação de Viseu, ocupa parte do seu tempo nas áreas ligadas às novas TIC's.

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