Tens 7 anos? A Confraria Infanto-Juvenil do Dão tem um copo para ti!

por Rua Direita | 2014.11.19 - 17:47

 

Temos o Diário de Viseu como um meio de comunicação social regional sério. Por isso e porque não é 1 de Abril, não questionamos a veracidade da notícia, cujo titulo é :

Vai ser criada confraria infanto-juvenil do Dão” e que desenvolve em 4 parágrafos o que segue:

“É mais um passo na afirmação de Viseu enquanto cidade vinhateira, mas com um traço de originalidade.”

“Em 2015, vai ser criada a confraria infanto-juvenil do Dão, que terá como missão a defesa e promoção do vinho e outros produtos do Dão.”

“Destinada a crianças dos 7 aos 12 anos, a confraria, uma iniciativa da Câmara de Viseu, entrará em breve no processo de admissão de potenciais confrades.”

“Se tudo correr dentro do previsto, os primeiros 100 confrades serão entronizados na próxima Festa das Vindimas, em Setembro do próximo ano. De pequenino é que… se promove o que é de cá.”

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Vamos parágrafo a parágrafo.

P1. Viseu não deu nenhum passo na sua afirmação, senão ao pé-coxinho e de modo claudicante. A cidade vinhateira sê-lo-á, talvez, enquanto capital do distrito, pois Viseu não se insere em zona produtora demarcada exclusivamente sua, partilhando a “Região Demarcada do Dão”, criada em 1908, com 20 mil hectares de vinha em 376 hectares de terra, que se estendem por 3 distritos:

Coimbra: Arganil, Oliveira do Hospital e Tábua.

Guarda: Aguiar da Beira, Fornos de Algodres, Gouveia e Seia.

Viseu: Carregal do Sal, Mangualde, Mortágua, Nelas, Penalva do Castelo, S. Comba Dão, Sátão, Tondela e parcialmente Viseu.

O traço de originalidade é mais traço da anormalidade parental da ideia, pois, crer afirmar-se pela originalidade de inserirem crianças na faixa etária (7-12) num contexto de vinho/álcool, só pode ter partido de um tresvairo de mente insalubre, ou delírio de um pesadelo atrevido.

Crianças nessa faixa de idade a serem embaixatrizes de Viseu, faz supor que a idade mental do titular da patente andará próxima da “infância”. A serem-no, pela divulgação de uma bebida cujo consumo a Lei só permite a maiores de idade, estamos perante uma anedota de mau gosto. Mas e de facto ilegalmente original. Tão original como, por exemplo, a possível Confraria dos Infantes da Ganza. Ainda não se lembraram…

P2. Uma confraria a sair fresquinha dentro de meses que vai ter a MISSÃO, o mesmo que encargo ou competência, da promoção do vinho e outros produtos do Dão (Quais? A chouriça? O salpicão? A aguardente? A ginginha?) nas mãos dos nossos “ganapinhos”? Vão criar um Gabinete? Na Zona Histórica? Com uma publicidade criativa do género: “Inducado pelo tinto”?

 

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P3. Esta Confraria é uma iniciativa da Câmara de Viseu. Percebemos a figura de estilo. Mas entendemos que o rosto institucional da autarquia é o seu presidente. Será pois lícito conjecturar que a ideia ou o seu apadrinhamento é de Almeida Henriques que, e para ser manifestamente coerente, deve já mandar começar a servir tinto Dão em pacote nas cantinas das escolas básicas e até ao fim do 1º ciclo. Supõe-se eventualmente possível que no 2º ciclo passem ao bagaço e no 3º ciclo, ao Hospital de S. Teotónio, à hepatologia, a tratar da cirrose.

P4. As previsões são optimistas. Perfila-se uma centena de crianças, porque de pequenino é que… se escorropicha o quartilhinho.

Ser-se original a todo o custo degenera nestas paranóias delirantes.

Um amigo meu que tem dois filhos nessa faixa etária está na disposição de apresentar queixa à Comissão de Protecção de Menores. Subscrevo.

Ou então… esta graçola não passou de uma ressaca mal curada… é possível. São tantas, as festarolas!

 

 

 

 

 

Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

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