Teatro Viriato e CMV… entornou-se o caldo !

por Rua Direita | 2016.12.30 - 19:34

 

“Le Tartuffe”, de Molière parece surgir em cena no Teatro Viriato, pois ao que parece, talvez por conselho do conselheiro Sobrado, Almeida Henriques, na sua abrangente política de controleiro-mor-local, pretenderia ser o seleccionador do sucessor de Paulo Ribeiro.

Ao que nos é dado saber e conhecer, a política cultural da autarquia, provavelmente por culpa de quem detém o pelouro (ou não), é um longo e desolador deserto povoado por barracas de tinto ao quartilho ou branco ao canadão. Quando até a literatura é “tinto ou branco”…

A inexistência de uma política cultural coerente com uma linha bem definida nem seria o mais grave da questão, podendo ser ela a “cultura laranja” a premiar o mérito dos “agentes culturais” independentemente da mensagem ou – como hoje se diz – da narrativa cultural a proferir. Hão de existir directores de todas as cores…

Almeida Henriques parece ser um cultor da subserviência – hipótese que refutamos –  e um cultivador do controlo dos arregimentados – probabilidade que recusamos. Na sua sombra, o indivíduo que Assunção Esteves despediu de assessor não se sabe de quê na AR tem tido uma clara influência no “poder” local, chegando o Compadre Zacarias a questionar-se “quem manda em quem”? Mas o Compadre Zacarias anda com azia…

Almeida Henriques, fruto de uma emergente (?) postura arrogante e centralista deve ter um “bailarino laranja” para colocar no lugar de uma profissional de mão-cheia e provas dadas. Assim e por tal, sobrepondo-se ao próprio CAEV, quer dizer de sua “justiça”.

Felizmente que o homem é assim para não nos iludirmos com a sua proactiva bondade governativa…

Em nota de remate, deixa-se a questão:

Que vai ser da Capital da Dança agora que o dançarino foi bailar para outros palcos?

 

Deixa-se o documento recebido da Direcção do CAEV…

 

ESCLARECIMENTO

 

Face às declarações recentes do senhor presidente da Câmara Municipal de Viseu, Dr. Almeida Henriques, a propósito da nomeação da nova diretora-geral e de programação do Teatro Viriato, Paula Garcia, cumpre à direção do Centro de Artes do Espectáculo de Viseu – Associação Cultural e Pedagógica (CAEV) fazer o seguinte esclarecimento:

 

1 – O CAEV é uma associação privada de utilidade pública, fundada em 1998 para dar corpo ao projeto artístico do coreógrafo Paulo Ribeiro de programação e de gestão do Teatro Viriato. Este projeto foi apresentado ao então Ministro da Cultura, Prof. Manuel Maria Carrilho e ao então Presidente da Câmara Municipal de Viseu, Dr. Fernando Ruas, e consubstanciou-se na reabertura do Teatro Viriato, como o segundo Centro Regional das Artes do Espectáculo do país, no âmbito da política de descentralização cultural do Governo de então.

2 – Nesse ano (1998) foi firmado um contrato tripartido entre o Ministério da Cultura/DGArtes (MC/DGArtes), a Câmara Municipal de Viseu (CMV) e o CAEV que garantiu, simultaneamente, a cedência do espaço do Teatro Viriato ao CAEV e o financiamento para o desenvolvimento do projeto artístico e exploração do Teatro Viriato durante 1+3 anos.

Este contrato foi sendo renovado e actualizado sucessivamente até à criação de regulamentação – por parte do MC – para o apoio sustentado às artes do espetáculo de caráter profissional a partir de 2005, por concurso. A candidatura do CAEV a esse concurso resultou na assinatura de um contrato quadrienal (2005/2008) com o Instituto das Artes, cujo investimento financeiro seria acompanhado pela CMV de Viseu, tal como previsto no contrato inicial. Estes concursos repetiram-se em 2008 e 2012. O último contrato caducaria a 31 de dezembro de 2016.

3- Em outubro último, quando foi tornado público que o MC/DGArtes iria prolongar os financiamentos por mais um ano (2017) para que tivesse tempo para reformular os regulamentos de apoio às artes, a direção do CAEV reuniu com a senhora Vereadora do Pelouro da Cultura da CMV, Drª Odete Paiva, para saber da intenção do Município. Aí acordámos em apresentar uma minuta de adenda ao contrato, o que fizemos a 21 de outubro.

4 – A 22 de dezembro, em sessão ordinária da Câmara Municipal de Viseu, é aprovada a adenda ao contrato de apoio financeiro 2015/2016, prolongando-o por mais um ano (2017).

5 – Desde o primeiro contrato tripartido, estabelecido entre o CAEV, a CMV e o MC/DGArtes, que a cláusula dedicada à direção artística estipula: “A utilização e a programação do Teatro Viriato são da responsabilidade do Segundo Outorgante (CAEV), cuja direção e equipa de base são asseguradas pelo Diretor Geral e de Programação e pela equipa do CAEV.”.

6 – Na sequência da nomeação de Paulo Ribeiro para a direção artística da CNB, o presidente da direção do CAEV, na altura ainda Paulo Ribeiro – fazendo cumprir a cláusula acima citada relativa à direção do Teatro Viriato – em reunião (23 de novembro) com o senhor Presidente da Câmara Municipal de Viseu, Dr. Almeida Henriques apresentou uma solução diretiva para o Teatro Viriato. A configuração dessa solução incluía a nova diretora-geral e de programação Paula Garcia e um diretor artístico (nota: Por razões óbvias não divulgaremos o seu nome e pedimos aos senhores jornalistas que respeitem esta decisão). A proposta do CAEV foi rejeitada pela Câmara Municipal de Viseu.

7 – Depois da reunião do senhor Presidente da Câmara Municipal de Viseu com o senhor Ministro da Cultura a 29 de novembro, a direção do CAEV foi informada da proposta do Município de Viseu para a direção do Teatro Viriato. Nesse mesmo encontro, agendado por iniciativa do CAEV, os representantes da direção do CAEV tiveram a oportunidade de detalhar o projeto artístico inerente à proposta inicial do CAEV e formularam uma nova alternativa: a criação de um Conselho artístico, que integraria os criadores propostos pela CMV e pelo CAEV. Contudo, a proposta foi rejeitada.

8 – Em reuniões sequentes com o representante do senhor Presidente, Dr. Jorge Sobrado, a direção do CAEV através da sua nova presidente da direção, Paula Garcia, reiterou a necessidade de se defender o projeto artístico construído ao longo dos últimos 18 anos e a intenção do cumprimento integral do contrato tripartido firmado com o MC/DGArtes e a CMV, que pretendíamos ver renovado por mais um ano (2017). Em nome do respeito institucional pelos seus financiadores e na sequência deste diálogo com a CMV, a direção do CAEV entendeu aceitar integrar na direção do Teatro Viriato a pessoa proposta pela CMV na qualidade de diretor artístico, tendo iniciado com a mesma os contactos e reuniões para a formalização do contrato, com definição de funções, entre outras.

9 – A 23 de dezembro fomos informados pela pessoa proposta pelo senhor Presidente da CMV de que a mesma não aceitava o cargo de diretor artístico.

10 – Perante esta situação e a indicação da CMV de “entregar ao CAEV a solução para a direção do Teatro, reservando-se ao direito de rever o acordo estabelecido no términus do próximo ano”, a direção do CAEV deu cumprimento à cláusula relativa à direção do Teatro Viriato e divulgou ontem, publicamente, a nomeação de Paula Garcia como diretora-geral e de programação do Teatro Viriato, tendo dado conhecimento prévio ao senhor presidente da Câmara Municipal de Viseu.

11 – Mais uma vez, o CAEV reitera que a escolha de Paula Garcia permite garantir a continuidade e qualidade do projeto artístico do Teatro Viriato, reforçando o seu posicionamento como instituição cultural de referência no panorama nacional e internacional, para o qual Paula Garcia tem vindo a contribuir ativamente ao lado de Paulo Ribeiro e cuja competência é atestada pelos pares. Recorde-se que, desde a sua fundação, o projeto artístico do Teatro Viriato tem apostado no eixo da criação/produção cultural que tem sido reforçado e hoje é consubstanciado em ações como o “Artista Residente”, os “Artistas Associados” e as “Residências Artísticas” que temos acolhido.

12 – Tal como tem sido prática, é propósito da direção do CAEV cumprir escrupulosamente os contratos estabelecidos com o MC/DGArtes e o Município de Viseu e o projeto artístico neles definido, mantendo o respeito institucional que todos os parceiros merecem e que têm sido essenciais para a consolidação do projeto do Teatro Viriato amplamente reconhecido pela sua qualidade e pela sua pertinência artística e cultural.

 

Agradecemos desde já a atenção dispensada a este esclarecimento e despedimo-nos apresentando votos de um Bom ano.

 

A direção do CAEV

Ler mais aqui:

 

 

http://portocanal.sapo.pt/noticia/106590

http://www.dn.pt/artes/interior/paula-garcia-assume-a-direcao-do-teatro-viriato-5577179.html

 

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