Recordar João Manuel nos 10 anos do seu desaparecimento

por Rua Direita | 2015.05.19 - 22:11

 jmanuel

 

Faleceu há 10 anos, fez ontem, 18 de maio. Futebolista de encher as medidas, João Manuel Loureiro dos Santos nasceu no dia 31 de Agosto de 1967, em Moimenta da Beira. Iniciou a carreira no CDR, era médio, gostava de organizar jogo, mas também era bom a defender, quer à direita, quer à esquerda. Depois, transferiu-se para o Viseu Benfica em 87/88. Seguiu-se a primeira época no escalão maior, com a idade de 21 anos, na equipa do Académico de Viseu. Foi a primeira de 4 épocas na cidade de Viriato. De 92 a 95 militou no meio campo da BRIOSA (sempre na divisão de honra). Teve épocas de muita categoria em Coimbra mas, foi em Leiria que o seu nome se evidenciou para os mais atentos do desporto-rei. Ergueu a camisola leiriense durante 9 épocas, 8 na primeira divisão, 1 na divisão de honra. Por fim, já com 37 anos, e perto do fim, transferiu-se para o Moreirense na época de 04/05.

 

Deixa-se aqui um testemunho pungente de Paulo Cintrão, jornalista da TSF: “Ao longo da minha vida profissional, tenho tido o prazer de fazer muitos amigos, alguns dos quais duram uma vida.

Foi há dez anos que a tragédia bateu à porta de um deles. Talvez um dos mais puros que o futebol me trouxe, sem desprimor para outros.

Lembro-me que uns dias antes da fatídica partida deste amigo, o Luís Bilro me bateu à porta. Estava com o João, que já muito frágil não estava em condições de sair do carro, embora o tivesse convidado a entrar para a frescura do ar condicionado.

Semanas antes, em Coimbra, no restaurante do Jorge Manuel Mendes, tinha-me feito uma dedicatória numa camisola que o Delfim Teixeira (outro senhor do futebol), me tinha trazido de Moreira de Cônegos. Essa camisola estava e está emoldurada e ocupa um lugar de destaque no meu escritório. É a primeira coisa que as pessoas podem ver quando entram.

O João emocionou-se quando saí de casa com ela e a viu, e eu também quando lhe meti a mão no ombro e senti a sua fragilidade.

O João partiu, há 10 anos, vítima de uma forma rara e galopante de esclerose múltipla, mas conservo-o bem vivo na minha memória.

Fostes das melhores pessoas com quem tive o prazer de me cruzar no futebol.

Lembras-te daquele almoço nos Marrazes, com o Bilro, o Costinha Paulo e o Freddy? Quando chegamos ao estádio, tínhamos o Mourinho à espera. É que havia treino à tarde e ele queria saber se se tinham portado bem, embora não o tenha perguntado directamente.

Tu bebeste a tua meia taça de vinho tinto, como sempre fazias, tivesses treino ou jogo a seguir. Portaste-te bem como sempre… Eras um Senhor!”.

 

Rui Bondoso

Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

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