Quem tramou os Bombeiros?

por Rua Direita | 2014.08.14 - 15:22

As 21 corporações de Bombeiros que integram a Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões receberam 300 mil euros de “novíssimos e sofisticados equipamentos”. Porém, após análise, constata-se que não só não respondem às exigências prévias da ficha técnica publicadas em Diário da República, como também não são superiores, em qualidade e acção, aos anteriormente existentes. Em causa estão os equipamentos de protecção individual tão ansiados.

Assim sendo, alguém deitou “uma pipa de massa” pela janela fora…

Primeiro, os equipamentos não chegaram a tempo e horas. Lembremos que estamos em meados de Agosto e que a época comummente designada de incêndios já começou há meses, depois, quando enfim chegados, constatou-se, por exemplo, serem os fatos que equiparão os bombeiros, de fraca qualidade e facilmente perfuráveis.

Osan airmen provide crisis response

São bonitinhos, mas “quando os bombeiros vão para combater um incêndio não vão para um desfile de moda”, afirma um responsável e acrescenta “vão enfrentar um inimigo que é perigoso e traiçoeiro, por isso têm que estar devidamente protegidos.”

Foram 21 as corporações que receberam o equipamento da CIM Viseu Dão Lafões e a queixar-se da falta de resistência dos referidos. Algumas ainda dão um receoso e dubitativo benefício de dúvida, mas…

… mas, mais grave ainda é que o fardamento entregue não responde à ficha técnica publicada este ano em Diário da República. As falhas mais notadas são a falta do sistema de resgate por arrastamento, a gola que deveria ser mais alta na parte de trás, as mangas que deveriam ficar presas ao polegar ou a inexistência de camisola interior. As calças e o dólmen também são alvo de críticas.

Estavam altas as expectativas dos bombeiros e saíram frustradas. Uma frustração que custou muito dinheiro aos contribuintes e pode custar muitas vidas humanas em cenário de acção.

Este concurso internacional para aquisição/fornecimento do equipamento foi iniciado pela CIM em Maio de 2013 a pedido da Autoridade Nacional da Protecção Civil. A mesma autoridade pediu em Abril deste ano que alterassem a ficha técnica do material. Ou seja, aparentemente primeiro fizeram-se os concursos para aquisição de equipamentos e só depois se publicaram em Diário da República as normas a cumprir para haver uma uniformização dos mesmos.

O Governo ao lançar o concurso deveria ter previsto os requisitos e características do modelo de forma a que hoje os bombeiros estivessem devida e qualitativamente bem equipados. Fez-se uma candidatura em Fevereiro de 2014 e em Abril do mesmo ano alteraram as regras. Quem? Porquê? Quem ganhou com isso? Decerto não foram os “soldados da paz”…

O concurso foi promovido pelo governo e entregue a entidades que foram autoras das especificações técnicas do caderno de encargos do concurso. Quem são pois os responsáveis pela má qualidade dos equipamentos quando todo o concurso se desenrola, os equipamentos são entregues tardiamente, mas no momento da entrega aparece uma norma que vem exigir todo o rigor?

Isto é uma história muito “trapalhona”, mal contada e que deve ser apurada. Ou será, que ao bom modo lusitano, a culpa não tem rosto e morre podre de solteira?

Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

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