“Quantas pessoas têm de ir parar ao hospital para se encerrar o funicular? Pergunta o BE…

por Rua Direita | 2016.08.31 - 12:07

 

Logo no dia da inauguração da Feira de S. Mateus se verificou mais um acidente provocado pelo  funicular da Calçada de Viriato, com uma jovem a meter o pé na calha do cabo de aço, entre os carris, com a perna a entrar à pressão, desamparada, mas já não a conseguindo retirar, por o joelho não conseguir passar,  tendo de ser necessário, como sempre acontece ali, recorrer ao material de desencarceramento dos bombeiros.

 

No dia 24,  um jovem, aparentando 19 ou 20 anos, também foi vítima daquela armadilha entre os carris do funicular, tendo sido socorrido em primeira mão pela Cruz Vermelha, em serviço na feira.  Segundo testemunhas, o pai da vítima ficou tão indignado que disse que nunca mais voltaria à feira, a não ser no dia seguinte para apresentar queixa na Viseu Marca, entidade organizadora.

 O último acidente de que tivemos conhecimento ocorreu no passado Domingo, dia 28, com uma jovem a ter de ser socorrida pela Cruz Vermelha após o que teve de seguir de ambulância para o Hospital.

Para além destes, verificaram-se outros acidentes, alguns envolvendo crianças (caiem mais facilmente por terem o pé pequeno, mas também o conseguem tirar com facilidade uma vez que o joelho não fica preso na calha).

O Núcleo de Viseu da Associação Olho Vivo tem denunciado inúmeros acidentes que têm ocorrido na linha do funicular, todos os anos. O primeiro acidente testemunhado ocorreu logo em 2009, o ano em que o funicular entrou em funcionamento e vitimou um familiar do proprietário do Restaurante o Churrasco, que o tinha vindo de Lisboa para o ajudar durante a Feira. O homem, de 46 anos, teve de levar 21 pontos (internos e externos) por o cabo de aço do funicular que estava em marcha, lhe ter rasgado a carne quase até ao osso. No ano seguinte foi a vez de uma filha de outro feirante, que teve de ser operada a um tendão no hospital de S. Teotónio, onde a informaram de que já era a 7ª vítima que ali fora socorrida. Só em 2014 a Olho Vivo denunciou a ocorrência  de 4 acidentes na linha do funicular, alguns com fotografias das vítimas.

Como é possível que o gestor da Viseu Marca, Jorge Sobrado, que testemunhou o primeiro acidente ocorrido no dia da inauguração da Feira de S. Mateus, não tenha tido a coragem de suspender a circulação do funicular, durante a Feira mesmo depois de se tornar evidente que as fitas sinalizadoras e os avisos para não se circular ao longo dos carris não são suficientes para evitar acidentes, uma vez que não estão vedados e completamente protegidos todos os locais por onde as pessoas atravessam os carris, ainda por cima numa feira onde passam milhares de pessoas em magote pelo que  não conseguem estar a olhar para o chão para detectar armadilhas que supostamente não deveriam existir numa feira com a projecção nacional como a de S. Mateus? Será que a publicidade do Banco Bic nas carruagens do funicular se sobrepôe à segurança dos visitantes da Feira?

Como é possível que o presidente da Câmara Municipal de Viseu não tenha a coragem de corrigir um dos maiores erros do seu antecessor cuja  megalomania o levou a optar pelo funicular, em vez  da passadeira rolante apenas na Calçada de Viriato, prevista inicialmente no projecto do arquitecto Manuel Salgado para o programa ViseuPolis? 

O BE, através do seu deputado municipal já alertou os executivos de Ruas e de Almeida Henriques para os perigos do funicular, mas parece que a segurança dos viseenses, dos turistas e dos visitantes da Feira de S. Mateus não é uma prioridade.

Por isso, a Comissão Concelhia do BE irá solicitar ao IMT – Instituto de Mobilidade e dos Transportes, I.P. , a autoridade competente para autorizar a construção e colocação em serviço de instalações por cabo para o transporte de pessoas, que proceda a uma acção de fiscalização para averiguar as condições adequadas de funcionamento do funicular,

 

 

A Comissão Concelhia de Viseu do BLOCO DE ESQUERDA

Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

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