Qualidade dos cuidados de socorro prestados à população está em risco

por Rua Direita | 2014.04.10 - 12:25

A qualidade dos cuidados de socorro prestados à população está em risco, e a solução passa por um modelo integrado de emergência pré-hospitalar com as equipas enquadradas nas unidades de saúde, defende a Ordem dos Enfermeiros (OE).

A Ordem dos Enfermeiros vai voltar a insistir junto do Governo com o projeto de Modelo Integrado de Emergência Pré-hospitalar (MIEPH), pelas mais-valias que comporta no socorro às populações. Em julho de 2012 já o tinha proposto ao Ministério da Saúde.

Com esta solução evitam-se situações de dificuldade de resposta como a verificada no passado domingo, em que a VMER (Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação) de Évora não socorreu as vítimas de um acidente, provocando alarme social, afirma a Vice-presidente da OE.

Segundo a Enfª Lúcia Leite, igualmente a OE está disponível para trabalhar em conjunto com o INEM e a Liga de Bombeiros em defesa dos interesses da população, numa resposta de emergência mais adequada, em qualquer situação de doença súbita e/ou acidente.

“Todos os meios de intervenção em contexto pré-hospitalar devem ser assegurados com recurso a profissionais de saúde, nomeadamente médicos e enfermeiros. Apenas estes profissionais garantem uma atuação de qualidade por terem formação de nível superior, contínuo desenvolvimento de competências em contexto de prática clínica e estarem sujeitos a autorregulação profissional”, preconiza-se nesse documento.

A Ordem dos Enfermeiros entende que os meios/equipas de intervenção pré-hospitalar devem estar integrados em unidades de saúde, nomeadamente em Serviços de Urgência, Agrupamentos de Centros de Saúde, Unidades da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, e que o atendimento nos CODU (Centros de Orientação de Doentes Urgentes) tem de ser efetuado por enfermeiros, tal como acontece na Saúde 24.

“Esta presença é essencial para melhorar a qualidade do atendimento, conferir sustentabilidade ao modelo, permitir uma comunicação de informação clínica apropriada e a eficiência na ativação de meios”, sustenta Vice-Presidente da OE.

Devem também ser estabelecidas parcerias com poder local para (re) definir a localização dos Postos de Emergência Médica, com o objetivo de racionalizar recursos humanos e materiais. Desta forma, garante-se uma maior eficiência do serviço e cuidados de maior proximidade.

As mais recentes notícias sobre o funcionamento do INEM vêm ao encontro dos sucessivos alertas que a OE tem feito, nomeadamente junto do Ministério da Saúde e deputados da Assembleia da República, de que a qualidade dos cuidados de socorro prestados à população está em risco.

“É imperativo tomar medidas para reverter por completo esta e outras situações que não salvaguardam respostas adequadas e em tempo útil ao cidadão”, adverte Enfª Lúcia Leite, Vice-presidente da OE.

Esta realidade, a par da intenção política declarada de alterar o paradigma assistencial de emergência pré-hospitalar – onde se aposta em profissionais não regulados e menos qualificados para prestar cuidados até agora exclusivos de médicos e enfermeiros – trás preocupações acrescidas que justificam plenamente a adoção deste Modelo proposto pela OE.

“O MIEPH permite assegurar cuidados de emergência integrados numa rede de cuidados de saúde já estabelecida e de referência/confiança para o cidadão: próxima, coesa e dinâmica desde a sua base, devidamente reforçada, com conhecimento do contexto do cidadão e das suas reais necessidades”, conclui a Vice-presidente da Ordem dos Enfermeiros.

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