Perda brutal de vagas no ensino superior politécnico…

por Rua Direita | 2014.07.16 - 22:47

O quadro supra apresentado mostra uma duríssima realidade: o decréscimo substantivo do número de vagas atribuídas ao ensino superior politécnico, de 2012 a 2014.

Tomar, Portalegre, Algarve, Leiria, Viseu e Guarda estão, infelizmente, no top 6.

Esta perda de vagas é um efeito que tem como causa a correspondência à respectiva perda de alunos; aos cursos “desertos”; à deslocalização dos estudantes e à busca, maioritariamente, dos grandes centros mais afastados do interior. Se é evidente que o Algarve ou Leiria não denotam essa problemática, evidenciam outra, perdendo para os grandes centros urbanos e, no caso de Leiria, a sua proximidade a Coimbra e Lisboa e a oferta de ensino superior público mais diferenciado.

Nem estará em causa a qualidade do ensino ministrado, porém, tudo começa a encapelar-se, a médio prazo, enquanto resultado directo do estado económico do país e do seu acentuado recuo demográfico. O ensino superior deixou de ser essencial para ser um acessório mais ou menos caro quando faltam meios para sobreviver… E as bolsas de estudo (parcas) já não resolvem o problema quando falta o pão. Além disso, o mundo laboral não dá resposta em termos de oferta/procura.  Para remate, o primeiro ministro, perante a angústia do crescente número de jovens licenciados desempregados e desesperançados, depois do enorme investimento neles feito, manda-os emigrar. E eles vão. É o sangue novo, vital, pujante a escoar-se pela veia cava inferior…

Esta é a realidade. A realidade de um país devastado pela penúria, inchado de escândalos financeiros demolidores, garrotado pela austeridade com a qual só lucram os grandes grupos que têm uma mão-de-obra ao preço da chuva… O neo-liberalismo na expressão mais tétrica do seu fantasma. Cada dia que passa aumentam as consequências deste terramoto. Os governantes cumprem as leis do mercado-patrão. A classe média portuguesa foi destruída. Aumentaram os mais pobres. Cresceram os mais ricos.

O ensino superior público e privado no distrito de Viseu chegou a ter no seu período mais áureo para cima de uma dezena de milhar de alunos. Hoje, talvez não tenha um terço. Viseu perde 11,6% das suas vagas, no IPV, o que quer dizer menos 172 vagas. É muito. O interior perde. Perde o país. Perdemos todos nós.

Tudo se tem vindo a desmoronar, aquilo que durante décadas se construiu laboriosamente. No ensino superior público, quanto menos alunos, menor é a dotação orçamental. Isto significa também desemprego, desemprego de docentes, de quadros técnicos, administrativos, auxiliares. Além do mais, a vitalidade insuflada pelos jovens a uma cidade do interior vai-se esvaziando. Deixa de haver a dinâmica circulação de pessoas e de bens, tão própria desta faixa estudantil.

Lembramos Vila Real (UTAD) ou Covilhã (UBI)… que hoje estariam votadas ao esquecimento se não tivessem este Ensino.

Entretanto, hoje, Passos Coelho acordou para a mais baixa natalidade da Europa, aqui, neste lusitano canto. Provavelmente tarde de mais, porque a curva da natalidade, nestas tão adversas circunstâncias, demorará mais de uma década a refazer-se. Se… !

O SNS está moribundo; a Justiça estertora; o Ensino morre… Parabéns aos coveiros que conseguiram num ápice os seus intentos!

 

(Quadro Expresso Diário – Fonte DGES)

Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

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