Os “Secos e Molhados” comemoraram em Coimbra o 21 de Abril de 1989

por Rua Direita | 2016.04.22 - 11:39

 

 

Muitos se lembrarão dos acontecimentos na Praça de Comércio, a 21 de Abril de 1989, quando elementos da PSP reivindicaram o direito a um Sindicato e o governo maioritário, tutelado por Cavaco Silva, tendo como ministro da Administração Interna, Silveira Godinho, pôs em campo a polícia de choque, com canhões de água, cães, bastões e demais parafernália de dissuasão para “amordaçar” os manifestantes e cortar cerce o direito à existência legal de um sindicato da PSP.

SECOS MOLHADOS Coimbra logo

Viveram-se momentos de terrível tensão, houve injúrias físicas e muita gente mal tratada. Porém, o civismo dos 5.000 agentes manifestantes – um pequeno exército desarmado – impediu uma guerra com consequências imprevisíveis para o país.

O movimento sindical de homens livres da PSP era até aí veementemente repelido pelos governos que nunca aceitaram que uma força policial, por eles vista como uma espécie de guarda pretoriana dos regimes, pudesse reivindicar como qualquer cidadão ou associação de cidadãos livres, os justos direitos consignados na Constituição, a lei das leis. E porquê? Porque, essencialmente e de forma assaz simplista, perspectivavam as forças de segurança apaziguadas como os apaniguados protectores das suas mais polémicas políticas, que a História recente já julga e melhor julgará num futuro próximo.

Um cidadão – com farda ou sem ela – que reivindica e luta pelos seus direitos, sem olvidar nunca os seus deveres, é um homem livre. E os homens livres são um pesadelo para muitos políticos e seus extravagantes direitos e imunidades auto consignadas.

Silveira Godinho, durante os acontecimentos reiterava a pés juntos, perante toda a comunicação social que o queria ouvir: “Nunca haverá um sindicato da polícia…”.  Pelos vistos, enganou-se…

 

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No passado dia 20 de Abril, em Coimbra, começou-se com uma recepção na sede da Associação Sindical de Profissionais da Polícia/PSP (ASPP). Depois, rumou-se ao lendário Café Santa Cruz onde se procedeu à rememoriação da efeméride, assim como se enfatizou a importância dos sindicatos em defesa dos seus associados e face às autocracias e desrespeitos das tutelas e/ou entidades patronais.

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A mesa de oradores tinha como moderador José Chaves, representante da ASPP Viseu e contou com a presença do editor da plataforma digital Rua Direita, Paulo Neto, o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, com os “históricos” José Raul e António Regalo e com o presidente da ASPP/PSP, Paulo Rodrigues, que intervieram por esta ordem.

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De seguida, José Chaves deu a palavra aos presentes, tendo-se ouvido alguns dos participantes, com suas sugestões, críticas e perspectivas.

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Ao fim, decorreu um jantar-convívio com alguns dos participantes num restaurante da zona histórica da “baixinha”.

Ontem, dia 21, as acções continuaram em Lisboa, no Porto e outras capitais de distrito.

 

(fotos JGonçalves)

Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

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