O rótulo estúpido de “pequeno partido”

por Rua Direita | 2015.09.22 - 08:51

 

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Tal como os homens não se medem aos palmos também os partidos não se devem medir em função do tamanho da sua estrutura. Que bom seria que os partidos fossem mensurados pela grandeza das suas ideias e pela virtude das suas ações. Certamente que os rótulos de “pequenos” e “grandes” conheceriam novos donos. É por isso que não aceito que “Nós, Cidadãos!” sejamos rotulados injusta e inexplicavelmente de pequeno partido. A vontade, a coragem, a entrega e a elevada competência que abundam nas fileiras no nosso Movimento (imparável) de Cidadania tornam a utilização do adjetivo “pequeno” literalmente incorreta. Dizer que um partido que trabalha pela mudança e pelo bem comum é “pequeno” e dizer que alguns partidos são “grandes”, sabendo que trabalham para que tudo se mantenha na mesma e sempre orientados por interesses privados, deixa-me incomodado. De alguma forma, parece-me que a sociedade portuguesa ao embalar nesta cantiga está de alguma forma a desonrar a sua história e a fazer pouco do espírito destemido dos seus antepassados. Aqueles que são realmente “grandes” nunca se acomodam.

Não aceito que um partido que se compromete à reforma do sistema político e eleitoral seja rotulado de “pequeno”. Maior recurso ao referendo, mecanismos legais para revogação de leis ou mandatos políticos, reformulação da lei da iniciativa legislativa de cidadãos, candidaturas de Grupos Independentes de Cidadãos à Assembleia da República, introdução do voto nominal e de um mecanismo legal que vincule inequivocamente cada eleito aos compromissos assumidos (Contrato Eleitoral), monitorização permanente da atividade política de cada eleito. Estas são ideias de um partido “pequeno”? E os partidos que querem manter a sociedade civil afastada da política podem ser chamados e tratados como “grandes”? Algum dos “grandes” propõe a alteração da Lei de Financiamento dos Partidos, com a eliminação dos benefícios fiscais injustificados, redução dos índices de referência para as subvenções estatais, moderação das despesas com campanhas eleitorais e publicitação das origens e dos montantes dos financiamentos, com prestação de contas consolidadas? Algum dos “grandes” propõe um rigoroso Estatuto de Incompatibilidades das pessoas titulares de cargos políticos e de direção da Administração Pública ou do Setor Empresarial do Estado, mais rígido, verificável e sem as habituais exceções, que lhe retiram credibilidade? Algum dos “grandes” propõe o fim dos privilégios injustificados atribuídos a pessoas (ex-)detentoras de cargos públicos e políticos e a responsabilização civil, criminal ou disciplinar do titular de qualquer cargo político, se for inequivocamente comprovada a sua contemporização com atos de abuso das funções do Estado? Algum dos “grandes” propõe a introdução no quadro legal de uma pena política máxima que gradue, para os prevaricadores, a inibição temporária ou vitalícia do exercício de cargos políticos, bem como a ocupação de qualquer função na Administração Pública e entidades relacionadas? Então são “grandes” em quê? No ofício do burlão, da vigarice, do faz de conta?

Mas esta é a minha opinião e vale o que vale. Como não sou conhecido, porventura trata-se de uma opinião “pequena”. Para aqueles que (ainda) não se deixaram engolir pelo comodismo profundo ou pela resignação crónica, deixo dois apelos. Em primeiro lugar, que não se deixem enganar. Em segundo lugar, que façam qualquer coisa. Por favor, façam qualquer coisa. Porque as virtudes não se encontram nas nossas intenções mas sim nas escolhas que fazemos.

Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

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