Música: OCC e cabo-verdiano Vasco Martins gravam CD este mês

por Rua Direita | 2016.03.18 - 09:37

 

O compositor cabo-verdiano Vasco Martins chega dia 20 do corrente mês de março a Portugal para gravar um CD de composições inéditas da sua autoria com a Orquestra Clássica do Centro (OCC).

Trata-se de um trabalho inspirado na Morna, a canção nacional cabo-verdiana, e uma das suas vertentes é a exploração das semelhanças com o Fado, a canção nacional portuguesa.

É um projeto que se reveste de uma importância acrescida, numa altura em que a canção nacional cabo-verdiana prepara a candidatura à classificação como Património da Humanidade, pela UNESCO.

O registo discográfico reunirá composições da autoria de Vasco Martins, à exceção de um tema que orquestrará a partir da gravação feita em 1979 do assobiado de uma morna antiga pelo escritor António Aurélio Gonçalves.

A gravação do CD resulta de uma candidatura apresentada apoiada pela  Direção Geral das Artes de Portugal com o apoio da Câmara Municipal de Coimbra. As gravações concretizar-se-ão em Coimbra nos últimos dias do mês de março.  

Em princípio serão gravadas 8 obras para diversas formações e instrumentos solistas: orquestra de cordas, orquestra clássica, com solistas em clarinete, corne inglês, violino, guitarra portuguesa e violão.

As gravações decorrerão em Coimbra em instalações disponibilizadas pela Fundação Bissaya Barreto.

Vasco Martins, nas suas composições para orquestra, piano ou guitarra clássica – três vertentes que se destacam na sua obra – parte das raízes musicais do seu país para as cruzar com a música erudita de tradição europeia e oriental.

 

Umas palavras de Vasco Martins sobre este projeto discográfico:

A Morna tem tido influências ao longo da sua história. Não podia deixar de ser, devido à génese do nascimento de Cabo Verde. Ilhas desabitadas, descobertas pelos portugueses, tiveram, no entanto, um cadinho efervescente de diversas culturas. É sobre a Morna, mas também tem a ver com outras culturas musicais, sobretudo com a música andaluza ou ibérica (só os modos), que quanto a mim tem a ‘imagéticado deserto, sendo Cabo Verde um país do Sahara. Mas também algo do Tango ou da Modinha. Com o Fado a aproximação é o emprego, em uma das peças, da guitarra portuguesa com fraseamentos da Morna, do Fado e dos modos atrás citados. Diga-se que talvez em algumas peças seja uma espécie de ‘espírito da Morna: no sentido da inspiração, do ‘dom, do ‘fluir diáfano, tal como um pintor pode, com poucos pincelada, transportar para tela a mais alta das montanhas, ou o rosto complexo de um ser humano.”

 

Umas palavras de José Eduardo Gomes, maestro titular da Orquestra Clássica do Centro:

“É um enorme prazer e responsabilidade para a Orquestra a gravação da música do compositor Vasco Martins, essa mesma música que faz a ponte entre a música erudita e os ritmos da morna. Esta simbiose resulta em sonoridades e ambientes muito ricos, plena de cores absolutamente ímpares. Este disco conta também com a colaboração do próprio compositor como intérprete, com o seu violão, para além dos variados solistas, destacando-se a guitarra portuguesa, como símbolo dessa mesma fusão.

Contar com a presença do compositor durante todo o processo de gravação é um privilégio, permitindo-nos ser o mais fiel possível às suas ideias e imagens expostas na partitura.“

Para a presidente da direcção da OCC, Emília Cabral Martins, “com  a concretização desta gravação / edição  ficará enriquecido o património bibliográfico musical. Qualquer orquestra por esse mundo fora poderá interpretar estas obras. É um contributo para o enriquecimento do Património Cultural, estou certa”.

 

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