Mia Tomé… Uma jovem actriz com futuro!

por Rua Direita | 2014.08.13 - 12:30

Mia Tomé nasceu a 09/05/1994. Cresceu em Viseu. Fez o curso de artes do espectáculo-interpretação em Coimbra. Actualmente vive em Lisboa onde frequenta a Escola Superior de Teatro e Cinema (Conservatório Nacional).

A Mia é uma ruiva apaixonada pelo cinema e pelo glamour dos anos 50. Começou a sua carreira como actriz aos 16 anos, com a curta-metragem “Super Vodka”, de Lee Fuzeta. Recentemente participou no filme de Bruno Rosa, “O Homem que remava o Barco”, que tem passado por vários festivais e sido galardoado.

Hoje, o Rua Direita vai dar-lhe a conhecer algumas facetas desta jovem actriz de “elevado potencial” cujas raízes estão em Viseu…

Mia Tomé… um nome e uma figura a ter presente!

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RD: Tens família oriunda de Farminhão mas também passaste por Viseu. Fala-nos dessas origens e dessa passagem…

MT: Na verdade nasci em Coimbra… mas a minha mãe é de Foz Côa, depois fui logo para Viseu onde vivi 14 anos, o meu pai é de Farminhão, então acabamos por ficar lá. Foi em Viseu que cresci, e vivi uma boa parte da minha adolescência, foram anos muito importantes para mim.

RD: Como aparece em ti esse pendor para as artes, nomeadamente para a representação, teatro e cinema?

MT: Desde muito pequenina que dizia que queria ser actriz… Aos 3 anos entrei para o ballet clássico e acho que foi o facto de começar cedo a estar em palco, através da dança, que me empurrou para começar a fazer teatro. Segui essa vontade e aos 11 anos inscrevi-me no ateliê de teatro que existia no Lugar Presente – Companhia Paulo Ribeiro, onde estive três anos. Isso foi um grande estímulo para a continuidade.

RD: Alguém aí te conduziu ou foi um impulso natural e pessoal?

MT: Foi sempre por vontade própria, os meus pais nunca me obrigaram a fazer nada, mas foi uma vontade muito bem alimentada, era muito frequente irmos ao teatro e ao cinema, víamos imensos espectáculos com regularidade. E claro, a companhia Paulo Ribeiro fez-me ganhar ainda mais carinho pelas artes, a Leonor Keil (bailarina casada com o Paulo Ribeiro) foi uma inspiração para mim durante o início da minha adolescência.

 

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RD: Nasceste em meados da década de 90, mas sei que os anos 50 exercem uma forte atracção em ti. Há motivos? Quais?

MT: Sim!!! É uma época muito bonita e muito forte a nível histórico. Mas acho que a grande atracção passa pelos filmes dessa década que também me influenciaram e MUITO a ser uma apaixonada pelo cinema. Todo o universo das pin ups que ganhou muita força durante esses anos é uma inspiração para mim, identifico-me com esse universo.

RD: Que pensas do actual momento que vive o Cinema em Portugal, nomeadamente nas limitações materiais e no aparecimento de novíssimos grandes talentos?

MT: É uma pena que haja limitações porque a verdade é que existem grandes cabeças, com muita sensibilidade e criatividade no nosso cinema e é um crime que esses cineastas não possam filmar e mostrar ao mundo aquilo que têm para nos dizer. Nos últimos tempos viu-se alguns festivais de cinema não se realizarem por falta de dinheiro, isso é dramático porque é muitas vezes nesses festivais que os novos do cinema mostram os seus filmes, é por aí que começam… e muitos desses trabalhos por vezes são feitos sem dinheiro. Deixa-me muito triste perceber essa bola de neve. Mas acredito que as coisas vão ganhar um rumo melhor.

RD: Quais são os teus realizadores portugueses preferidos? Por que motivo?

MT: João César Monteiro, adoro os filmes que ele fez, o humor que ele dá às histórias, as histórias incríveis que ele conta. Acho que o principal é isso, ele soube contar histórias. Um dos meus filmes preferidos de sempre é dele, chama-se “Silvestre”. Depois fiquei encantada com o último filme do Miguel Gomes, “Tabu”.

RD: Qual o realizador internacional com quem gostarias de trabalhar e os actores com quem sonhas contracenar?

MT: Realizador, sem qualquer dúvida, o Paul Thomas Anderson, venero o trabalho dele. Gostava de trabalhar com a Gena Rowlands… É uma Senhora do cinema.

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RD: Qual o teu filme preferido e porquê?

MT: O “Sunset Boulevard” é maravilhoso! Não me canso daquele filme! Mais uma vez, tem uma história que me prende de início ao fim, e tem uma das personagens que mais me marcou no cinema! De vez em quando vou revê-lo à cinemateca, sabe sempre bem!

RD: Como encaras o teatro nas suas diferenças com o cinema e na relação directa com o público?

MT: São coisas diferentes… mesmo. E na minha opinião é uma coisa que cada vez mais devia ser ensinada nas escolas de actores, vincar bem essas diferenças. Eu defendo que se deve pôr os novos actores a experimentar vários formatos nas aulas, e muitas vezes isso não acontece, e é grave que não aconteça porque um actor, por norma, não se limita apenas a um formato, faz muitas coisas diferentes. E é claro que fazer teatro nos proporciona uma relação com o público que o cinema não tem. São coisas diferentes.

RD: Quem é o teu dramaturgo preferido?

MT: Adoro Tcheckov!

RD: Gostas de ler?

MT: Costumo ler muitas peças, mas posso dizer que um dos livros que mais gostei de ler nos últimos tempos foi “ O Jogador, de Dostoievski.

RD: Quais os teus projectos e anseios profissionais para o imediato e para o futuro?

MT: Quero poder fazer muito cinema! É de facto uma paixão. Gosto de ver, gosto de o fazer, sem dúvida, o meu principal objectivo é trabalhar para que isso aconteça. É a sua concretização…

RD: Estás a trabalhar nalgum filme, neste momento? Qual? Com quem?

MT: Acabei em Abril, o novo filme do Luís Galvão Teles. Está agora em pós-produção. O elenco conta com Ivana Baquero, Inês Castel-Branco, Ivo Canelas, Albano Jerónimo… Duarte Grilo, João Jesus…

RD: Como surgem os convites para participares num filme?

MT: Pode acontecer com contacto directo do realizador, do director de casting ou por intermédio do agente.

RD: Hollywood diz-te alguma coisa ou já não é a Meca do cinema mundial?

MT: Diz-me muito, é claro! Muito do cinema que vejo é cinema de Hollywood. Temos que ver de tudo.

RD: Além de representares e estudares, és uma estudante-trabalhadora. Como passas o teu tempo sobrante?

MT: Vou regularmente à cinemateca. Adoro estar com os meus amigos, eu sou muito faladora, portanto passo muito do meu tempo a conversar com eles!

RD: Gostavas de actuar em Viseu? Isso seria possível como?

MT: Claro! Gostava de voltar a pisar o palco do Teatro Viriato, até porque foi um dos primeiros que pisei. Tinha 12 anos a primeira vez que isso aconteceu!

(Entrevista e fotos de Paulo Neto)

Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

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