Mais um êxito, o Festival de Sopas e Encontro de Ranchos, em Sernancelhe

por Rua Direita | 2016.02.21 - 15:37

 

Os dias 19, 20 e 21 trouxeram-nos pela terceira vez mais um dos eventos em que a autarquia se empenha e redundantes num recompensador êxito.

Milhares de visitantes acorreram à prova dos caldos tradicionais da região. De ano para ano, aumenta a quantidade de associações presentes com o seu produto e cresce a qualidade das sopas apresentadas. Extraordinário dinamismo o desta gente… Ninguém imagina o trabalho que está por trás de todos estes produtos, estas confecções e esta organização. Só muito brio, bairrismo e amor se transformam em resultados deste timbre e teor.

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Se a inauguração viu chegar uma enchente de gente, os melhores dias foram o sábado e o domingo. Pela nossa parte, fizemos o abençoado sacrifício de degustar os 14 caldos presentes (e numa só tarde…). A saber:

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De cenoura gourmet

De peixe

De gravanços com bacalhau

De javali

De castanha – dois diferentemente cozinhados

Negro

À lavrador

Silvestre

De feijão vermelho

De feijoca à Zebreira

De cebola

À pescador

Das Três Irmãs (virgens…)

Difícil é seleccionar um triunfador, pois, sem excepção, são todos deliciosos. Às mãos que os fizeram a nossa grata reverência…

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Presente nas tasquinhas estiveram os panos e os artefactos domésticos de outrora, esteve artesanato, esteve gastronomia rica e variada, esteve a simpatia do(a)s Sernancelhenses.

Muita música, com cantadores à compita e ao desafio ao som das troantes e sínfonas concertinas  – Carlos Silva Santiago, o autarca, não se saiu nada mal… – e Ranchos Folclóricos de altíssimo gabarito. O vereador da Cultura, Armando Mateus, num virote entre a cozinha e palco, mostrou aos vereadores da Cultura da treta das câmaras do distrito, a raça de que é (discretamente) feito.

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Há nesta gente, na sua postura, no seu estar uma genuinidade e generosidade tal que, o difícil, não é chegar a Sernancelhe: é sair de lá! Ou não fosse a Terra de Aquilino…

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Ouvimos Carlos Silva Santiago a propósito desta iniciativa…

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RD: IIIº Festival das Sopas e Encontro de Ranchos. Como nasceu esta ideia?

R: A ideia de Sernancelhe organizar o Festival de Sopas e Encontro de Ranchos surgiu da vontade em criarmos um evento gastronómico que falasse da nossa cultura, da nossa tradição, que conseguisse em simultâneo ser a expressão da identidade das nossas freguesias, da nossa dinâmica agrícola e nos projetasse para o País, daí que tenhamos associado ao evento a vertente etnográfica com a promoção de encontros de ranchos de várias regiões do nosso País. O objetivo cimeiro é dar a conhecer o Concelho de Sernancelhe como território de excecionalidade gastronómica e cultural, contribuir para a revitalização da sopa e proporcionar a sua reentrada na ementa dos portugueses.

RD: Porquê as sopas ou caldos?

R: As sopas são a cultura do nosso povo. Ainda que durante muitos anos tenham quase desaparecido da alimentação de muitos portugueses, na Beira permaneceram, com os mesmos ingredientes cultivados nas hortas contíguas às habitações. Com os saberes e os sabores de antigamente, recuperando receitas e técnicas de confeção diferenciadoras das aldeias do Concelho, associando-lhes os produtos da terra, é possível fazer deste prato simples uma referência. É esse nosso objetivo, que redundará na inventariação das receitas tradicionais para garantir a sua perpetuação.

RD: Como funciona a logística deste evento, na perspectiva do visitante que aí se desloca?

R: O grande objetivo definido para este evento é que todos os visitantes tenham oportunidade de provar todas as sopas gratuitamente. Queremos que nos deem a sua opinião, que comparem, que escolham a melhor. Por isso à entrada do Expo Salão poderão adquirir uma tigela criada exclusivamente para o Festival de Sopas, um cartão com as sopas em prova, podendo ir de barraquinha em barraquinha à procura dos sabores da nossa tradição gastronómica e registar impressões. Em complemento, o espaço do Expo Salão apresenta uma decoração muito bonita, a apelar ao antigamente, e haverá sempre animação no palco com ranchos e todo o País.

RD: Quantas sopas estarão degustáveis?

R: No total são 14 sopas.

RD: Serão caldos de quê? De onde são oriundos os produtos?

R: As sopas são muito variadas, confecionadas com produtos locais, na sua maioria biológicos. Teremos a sopa de cenoura gourmet, a sopa de peixe, a sopa de gravanços com bacalhau, a sopa de javali, a sopa de castanha, o caldo de castanha, a sopa negra, a sopa à lavrador, a sopa Silvestre, a sopa de feijão vermelho, a sopa de feijoca à Zebreira, a sopa de cebola, a sopa à pescador e a sopa das Três Irmãs.

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RD: Quem os confecciona?

R: Este evento tem gerado uma envolvência muito interessante, particularmente por parte das associações culturais e recreativas do Concelho, a que se juntam outras instituições de âmbitos tão distintos como a caça, o desporto, a educação. Participam neste III Festival de Sopas a Casa do Benfica, a Associação Cinco Reis de Gente, a Zona de Caça Távora e Zebreira, a Banda de Musical 81 de Ferreirim, a Associação Manta Verde, a Associação Dinamizadora Aldeia da Faia, a Associação Comercial e Industrial de Sernancelhe, a Ambula – Associação de Funcionários do Município de Sernancelhe, a Esproser- Escola Profissional de Sernancelhe, a Associação Recreativa da Sarzeda, a Confraria da Castanha, o Clube de Caça e Pesca, o Rancho Folclórico de Sernancelhe e o Núcleo Desportivo e Cultural de Vila da Ponte.

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RD: Qual o critério da sua escolha por uma determinada Associação?

R: O Festival de Sopas é um avento aberto à participação de todas as associações do Concelho e a prova é que a cada ano aumenta o número de sopas. O critério para a escolha de quem participa é que sejam capazes de confecionar uma sopa que fale das nossas comunidades, que tenha por base ingredientes que aqui são cultivados, que tenha uma origem situada no tempo, ou seja, que faça parte da nossa tradição, pois o objetivo final é que possam ser inventariadas todas as sopas e, no futuro, sejam compiladas em livro.

RD: Confirma-nos que no ano passado foram consumidos 2.500 litros de caldos?

R: No ano passado registamos uma enorme afluência de visitantes, em particular do norte do País. Foi uma agradável surpresa percebermos que, afinal, este evento despertou a vontade em tantas pessoas de provar a sopa, de conhecer este recurso gastronómico do interior do País. Foram realmente muitos litros de sopa consumidos nos três dias do evento, as associações empenharam-se de forma extraordinária e acredito que o mesmo dinamismo e capacidade de confecionar sopa de qualidade se vai manter.

RD: Tal número, a uma média exagerada de meio litro de caldo por comensal, perfaz 5 mil visitantes. É quantos este ano esperam ou creem ser possível superar este número?

R: Julgo que esse número foi claramente ultrapassado já no ano passado. Durante os três dias do evento muitas pessoas passam por Sernancelhe e, de há alguns meses a este parte, temos sido frequentemente contactados por grupos que pretendem visitar-nos a propósito do evento Festival de Sopas. Por isso acredito que vamos receber mais de 5 mil pessoas neste fim-de-semana.

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RD: De onde acorrem esses visitantes?

R: Os visitantes são da região norte e centro de Portugal. Ainda que tenhamos definido, no primeiro ano, que o nosso público-alvo seria dos concelhos limítrofes, temos constatado que o evento desperta interesse em cada vez mais pessoas e, para nosso espanto, os jovens já são os grandes visitantes do Festival de Sopas, o que nos deixa muito satisfeitos.

RD: Na outra faceta do Festival estão os Ranchos Folclóricos. Porquê esta associação sopa/folclore?

R: A organização associa ao certame a vertente cénica e musical de base tradicional, de cujos ranchos folclóricos são os maiores embaixadores, proporcionando aos visitantes um encontro com uma dezena de ranchos do Norte e Centro de Portugal. Queremos que a sopa não perca esta ligação histórica à cultura da nossa terra, e que através dos ranchos sejam conhecidos os rituais agrícolas de antigamente, onde a presença da sopa era obrigatória em momentos como as cegadas, as malhadas, as desfolhadas, por exemplo.

RD: A seguir a este festival e conhecendo a vossa dinâmica, qual vai ser a próxima actividade tradicional/cultural?

R: Este ano ficará marcado, sem dúvida, pelo regresso da Feira Aquiliana, na Lapa, um evento que ocorrerá pela oitava vez. Nos dias 4 e 5 de junho, a Lapa renderá, com este acontecimento, uma homenagem ao nosso Mestre Aquilino Ribeiro, precisamente no lugar onde ele estudou e que tanto o marcou para a vida. Tenho a certeza que será um grande evento cultural, de promoção literária do nosso Concelho, de afirmação da nossa identidade.

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Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

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