Lapa – 500 Anos de História Honrar e Respeitar um Património

por Paulo Neto | 2016.06.02 - 10:43

 

 

 

… Este foi o lema, a acção e o objectivo da autarquia de Sernancelhe, em conjunto com a Junta de Freguesia da Lapa e com o IGESPAR/DGP, para as obras levadas a cabo no terreiro do Santuário-Colégio da Lapa.

Assim, e perante a envolvência comercial criada secularmente em torno do turismo religioso que atrai milhares de peregrinos à Lapa e perante o pouco digno aspecto que aquele quase casbah marroquino apresentava, com vendedeiras debaixo de guarda-sóis multicolores, sem condições de preservação dos produtos, pela canícula estival, ou pela algidez de inverno, sem acautelar o bem-estar de quem ali exerce seu mester, foi decidido pelas autoridades competentes e no integral respeito pela traça arquitectónica exterior de todo local, construir barracas de vendas, amovíveis, em madeira escura envernizada, com adequadas e propícias condições de acolhimento de comerciantes e de preservação dos géneros à venda, com electricidade e frio.

Bem assim, se criou o logotipo “LAPA Aldeias de Portugal” para uma apelativa difusão esteticamente muito acertada daquele “lugar de atracção para Sernancelhe no âmbito do turismo religioso e cultural, bem como porta de entrada de milhares de visitantes no concelho”, nas palavras proferidas por Carlos Silva Santiago, presidente da autarquia.

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Todos os estabelecimentos comerciais foram alvo de uma homogeneização estética onde imperou um consensual bom gosto na definição e utilização dos materiais e das cores, nas esplanadas, toldos, lousas de referência, vasos e plantas.

Também no terreiro foram instalados bancos em granito e madeira que proporcionam lugar de repouso, esteticamente adequado com floreiras e flores sazonais, assim como caixotes de lixo, também em madeira, discretos e harmoniosamente integrados em todo o espaço.

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Muitos milhares de euros custou esta modelar obra e ontem, pelas 19:00, numa cerimónia informal, o presidente da autarquia, rodeado dos elementos da Junta local, procedeu à inauguração da obra, convidando todos os vereadores e juntas do concelho.

Era visível a satisfação do povo da Lapa e mais ainda de todos os vendedores e comerciantes locais.

O espaço da Lapa foi repetidamente vítima de várias agressões e de poluição visual que desfiguraram por diversas vezes aquela envolvência do Santuário e antigo Colégio.

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A unanimidade nunca esteve presente. A interdição de circulação e estacionamento de veículos nunca foi respeitada. Há agora condições para implementar  e inaugurar uma nova época, mais próspera para todos, mais atraente para aquele topos e mais digna em termos estéticos e de estruturas de apoio comercial.

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albino(o arquitecto Paulo Albino)

Não esqueçamos que a Lapa sempre atraiu milhares de visitantes de há séculos a esta data e quem dúvidas tiver pode pegar no livro de Aquilino Ribeiro, que ali estudou de 1895 a 1900, “Terras do Demo” e ler as empolgantes e coloridas páginas sobre romaria e acerca dos feirantes que ali acorriam com toda a espécie de produtos à venda, no dia 15 de Agosto, dia da padroeira, a Nª Senhora da Lapa.

O progresso faz-se com regras, sem autocracias infundamentadas e sem desvirtuar/desfigurar os espaços com base em afuniladas ópticas pessoais, estéticas duvidosas e antes no espírito respeitador da lei vigente sobre a matéria.

A Lapa e os lapenses estão de parabéns!