Teatro Viriato celebra 15 anos com programação inesquecível

por Rua Direita | 2014.01.06 - 18:08

“Temos uma programação sem concessões. Há uma grande diferença entre entretenimento e dinâmicas culturais. O Teatro Viriato está apostado em criar dinâmicas culturais. Criamos, fazemos coisas no sentido estruturante da sociedade, da cidade e como nos posicionamos em relação à vida. Temos uma programação de qualidade, apelativa em termos de público, nomes sonantes mas sem aquela concessão de entretenimento por vezes inócuo. Vamos abrir a temporada com uma grande festa, com um espetáculo de Júlio Pereira num dia, e no seguinte com Carmem Souza. A seguir temos grandes nomes do teatro como Diogo Infante, Beatriz Batarda, Nuno Cardoso. Na dança, teremos Rui Horta e Tiago Guedes. Ainda uma parceria importante com o Cine Clube de Viseu, que resulta de uma ideia original do Teatro Municipal da Guarda. Três meses de programação completamente à altura da celebração dos 15 anos do Teatro Viriato”

Paulo Ribeiro, durante a apresentação da programação do Teatro Viriato para janeiro a março de 2014

O dossiê de imprensa com toda a informação sobre a nova temporada está disponível para download no site do Teatro Viriato em: http://www.teatroviriato.com/pt/press-releases/

No ano em que celebra 15 anos de atividade, o Teatro Viriato parte para 2014 com uma programação marcada pelas sonoridades da Lusofonia de Júlio Pereira e de Carmen Souza; pela encenação de textos de Padre António Vieira, de Almada Negreiros e de William Shakespeare, de Patrícia Portela e de Joana Craveiro; pela dança de Tiago Guedes e de Rui Horta; pelo novo circo da companhia DeFracto e pelo cinema musicado ao vivo por César Prata e Marcos Cavaleiro. A estreia de Retornos, Exílios e Alguns que Ficaram, um espetáculo do Teatro do Vestido criado para ser apresentado no Solar do Vinho do Dão (Viseu) e o regresso do K CENA – Projeto Lusófono de Teatro Jovem são outras das propostas que integram a nova temporada, onde não falta mais um desafio lançado à comunidade no âmbito da apresentação de MIMA-FATÁXA, de João Sousa Cardoso. E dando continuidade ao desenvolvimento de condições que favoreçam a criação artística e depois do sucesso do trabalho desenvolvido durante o ano passado, em 2014 o coreógrafo André Mesquita volta a ser o Artista Residente do Teatro Viriato.

O novo ano começa, precisamente, com uma festa de duas noites e dois concertos para celebrar os 15 anos de atividade. Júlio Pereira (17 de janeiro) revisita o universo acústico de um instrumento que, há já mais de 30 anos, provocou o seu reconhecimento nacional e internacional e lhe está colado à pele: o cavaquinho, interpretando algumas músicas do seu novo disco Cavaquinho.pt, lançado num momento em que o compositor tem desenvolvido esforços para que a UNESCO reconheça este instrumento como património imaterial da Humanidade; e Carmen Souza (18 de janeiro) apresenta um eclético repertório alicerçado na música afro-cubana, jazz, morna e outras fusões rítmicas.

No âmbito da MÚSICA, depois de Júlio Pereira e de Carmen Souza, passarão pelo Teatro Viriato outros nomes e projetos, como Reportório Osório (12 de fevereiro), uma coleção de canções, que aliam a escrita sagaz de Luís Fernandes à música de Luís Cardoso e que transformam o quotidiano das relações afetivas em canções irónicas, cuja interpretação é marcada por uma enorme teatralidade; mas também Kimi Djabaté (26 de fevereiro), um músico e compositor guineense a residir em Lisboa, descendente de uma família secular de músicos mandingas, que viveu toda a sua vida imerso em som e cultura, fosse aprendendo balafon (instrumento em que é virtuoso), tocando guitarra ou cantando. A 22 de março é a vez de Teresa Salgueiro subir ao palco do Teatro Viriato com A Fortaleza, um concerto íntimo e intrigante, baseado no seu primeiro disco de originais, publicado em 2012, O Mistério. Também em março, regressa a parceria com a Jazz ao Centro materializada, desta vez, com o concerto de Pedra Contida (26 de março) e o lançamento do disco do coletivo.

Reconhecida pelo programa Jeunes Talents Cirque Europe (2010), um dos maiores promotores de novos artistas na área do novo circo, Circuits Fermés (24 e 25 de janeiro) é uma peça marcada por uma linguagem alicerçada no malabarismo e no corpo. A propósito da apresentação de Circuits Fermés, um dos criadores da companhia deFracto Guillaume Martinet orienta uma oficina de exploração do malabarismo rítmico e estilizado que os caracteriza. A Técnica ao Serviço da Expressão (22 e 23 de janeiro) é dirigida a maiores de 16 anos interessados em técnicas circenses. Além de promover a partilha da abordagem própria desta jovem companhia, esta proposta visa difundir várias noções associadas à prática do novo circo, contribuindo para o desenvolvimento desta área disciplinar em Portugal que o Teatro Viriato tem procurado difundir.

Mesmo no final de janeiro, Sermão de Santo António aos Peixes (29 de janeiro), dirigido por Cucha Carvalheiro e interpretado por Diogo Infante abre a programação de TEATRO preparada para estes três primeiros meses do ano. Acompanhado ao vivo pela música de Hugo Sanches, Diogo Infante recita um dos mais populares textos de Padre António Vieira, trazendo para a atualidade esta referência incontornável da literatura portuguesa, com sessões para público escolar e público geral. Segue-se a estreia de Retornos, Exílios e Alguns que Ficaram (31 de janeiro, 01 e 02 de fevereiro). Construído a partir de uma aprofundada recolha de testemunhos e histórias de vida de pessoas que viviam nas ex-colónias portuguesas aquando do processo de Descolonização e de independência destas novas nações africanas, este espetáculo foi criado especificamente para ser apresentado no Solar do Vinho do Dão, em Viseu, local emblemático deste processo de retorno e que serviu como um dos locais de residência do IARN entre 1975 e 1991 nesta região. O Teatro do Vestido produz assim mais um texto dramático original, escrito por Joana Craveiro, e prossegue a relação privilegiada com o Teatro Viriato enquanto espaço de criação, que foi iniciada em 2013 com a criação Esta é a minha cidade e eu quero viver nela.

Depois de duas dramaturgias em português, a programação do Teatro Viriato dará espaço a William Shakespeare. As You Like It / Como Queiram (07 de fevereiro) é encenada por Beatriz Batarda que entregou a interpretação a um elenco repleto de nomes destacados do teatro português. E o encenador Nuno Cardoso regressa ao Teatro Viriato também com Coriolano (28 de fevereiro e 01 de março), mais uma peça do universo shakespeariano, que retrata a tragédia da solidão do herói providencial em democracia. Pelo meio desta incursão a uma das referências do teatro inglês, fica a revisitação de mais um escritor português, desta vez, Almada Negreiros. MIMA-FATÁXA (14 e 15 de fevereiro) foi criado por João Sousa Cardoso a partir de 3 textos do autor de vanguarda, interpretados pela cantora Ana Deus e pelo ator Ricardo Bueno, acompanhados por vinte participantes de Viseu.

Depois do sucesso da estreia no final do ano passado, Vissaium (19, 20 e 22 de março), dirigido por Maria Gil, volta a ser apresentado com sessões para público escolar e público geral. Um espetáculo de artes performativas produzido pelo Teatro Viriato que convida à fruição do riquíssimo património arqueológico de Viseu através de um percurso que reflete a importância da cidade na construção da identidade nacional. Fausta (14 de março), que parte do mais recente romance de Patrícia Portela, O Banquete para reescrever a história de uma Fausta e das suas trocas diárias de almas; e A Caminhada dos Elefantes (27 a 29 de março), uma criação de Inês Barahona e Miguel Fragata sobre a existência, a vida e a morte, e o caminho que todos têm de fazer para se despedirem são as outras propostas de teatro.

A DANÇA está entregue a dois nomes incontornáveis da criação coreográfica portuguesa. Tiago Guedes traz a Viseu Hoje (22 de fevereiro), uma peça centrada nos dias de hoje, que evoca instabilidade, manifestação, contestação, reivindicação, decisões conjuntas, mobilização e confrontação, “deixando respirar uma promissora geração de novos intérpretes”, como escreveu a crítica de dança Luísa Roubaud. Já Rui Horta apresenta Danza Preparata (07 de março), a peça que criou sobre Sonatas e Interlúdios, de John Cage para assinalar o 100º aniversário do seu nascimento (2012). Um solo para um “corpo preparado” em diálogo com um piano preparado.

Desafiados pelo Teatro Municipal da Guarda, César Prata e Marcos Cavaleiro, músicos da cidade, musicam ao vivo as duas curtas-metragens The Blacksmith e The Fall of the House of Usher (05 de março). Um projeto agora resgatado pelo Teatro Viriato, em parceria com o Cine Clube de Viseu.

No âmbito do Sentido Criativo, destaque ainda para Photomaton – Divertimento para Viola Portuguesa e Mala Preparada (14 e 15 de fevereiro), do compositor e multi-instrumentista Fernando Mota, um espetáculo dirigido a público escolar e familiar. Trata-se de um solo portátil, uma instalação itinerante criada a partir de uma enorme mala de onde vão saindo objetos, sons e histórias que nem sempre precisam de palavras. Para professores de português a proposta é Poderei Escrever Sobre Mim…? (08 de março), uma oficina com Maria Bárcia e Maria Gil, que parte do pressuposto que para ler, para gostar de ler, é preciso gostar de escrever primeiro. E para escrever, para gostar de escrever, é preciso por de lado aqueles bloqueios frequentes do não ser capaz, do ter vergonha em expor o que se pensa, de vencer a angústia da página em branco. Os conteúdos desta oficina tiveram origem no Dez x Dez, um projeto promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian. E antecipando abril, mais duas oficinas, desta vez, para as férias da Páscoa: Dançário (07 a 11 de abril) e De Pernas para o Ar (07 a 12 de abril).

Para ver no foyer, de 17 de janeiro a 29 de março, Estranhos com Arte, uma exposição de fotografias de José Alfredo que passa em revista os projetos com a comunidade desenvolvidos em 2013, uma das apostas do Teatro Viriato, no âmbito da sua estratégia de aproximação dos públicos às artes performativas contemporâneas. Em 2013 perto de 100 pessoas foram convidadas a participar em três processos criativos, orientados por equipas artísticas profissionais: A Viagem, de Filipa Francisco, Sempre em Frente até Amanhecer (K Cena – Projeto Lusófono de Teatro Jovem), de Marcio Meirelles e Heaven ou Ainda: Tu, de André Mesquita.

Paralelamente, arranca a segunda edição do K Cena – Projeto Lusófono de Teatro Jovem que volta a reunir vários jovens de diferentes nacionalidades, realidades culturais e contextos, mas ligados pela Língua Portuguesa, promovendo a sua valorização e o reconhecimento desta e do teatro como veículos para o desenvolvimento da identidade lusófona e de enriquecimento pessoal e interpessoal. Em 2014, as três peças originais criadas no âmbito do K CENA e assinadas pelos encenadores Graeme Pulleyn (Portugal), Marcio Meirelles (Brasil) e João Branco (Cabo Verde) nascerão a partir da problemática da ordem/desordem, inspiradas na obra Dom Quixote de La Mancha, escrita por Miguel de Cervantes. No Brasil, a estreia da encenação de Graeme Pulleyn acontece a 05 e 06 de fevereiro; em Cabo Verde, a encenação de Marcio Meirelles está agendada para 07 e 08 de março; e em Portugal, a encenação de João Branco estreia a 23 e 24 de abril.

A par de toda a programação regular, durante estes primeiros meses do ano, o VISEU A… volta a fervilhar, para regressar em pleno com um grande festival, de 24 de maio a 01 de junho. Prepara-se um programa de arte contemporânea protagonizado por muita gente e por muitos artistas. Centenas de pessoas de todas as idades e quadrantes nas suas várias terras, Mangualde, São Pedro do Sul, Nelas, Tondela e Viseu entram em diálogo com as artes performativas: a dança, o teatro, o circo, a música e tudo o que se poderá inventar, para as fazer voar para cima de um verdadeiro palco gigante que se atravessa de autocarro. Um movimento criado para festejar e acordar. Dois fins de semana para marcar já na agenda, com entrada livre.

 

 

Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

Pub