Impacto das Doenças Reumáticas em Portugal

por Rua Direita | 2015.11.25 - 09:59

No próximo dia 28 de novembro decorre no Centro de Artes e Espetáculos da Figueira da Foz o “I Simpósio APPSReuma: Aderir para Tratar”, promovido pela Associação Portuguesa de Profissionais de Saúde em Reumatologia

 

 

 

Sabia que cerca de 56% dos portugueses possuem pelo menos uma doença Reumática? Que 3 em cada 10 pessoas desconhece que tem a doença? Que estas são as doenças crónicas que mais comprometem a qualidade de vida das pessoas? Estas e outras conclusões resultaram do primeiro estudo nacional neste âmbito, o Epireuma.pt, que envolveu mais de 10.000 inquiridos de Portugal Continental e Ilhas.

No próximo dia 28 de novembro decorrerá no Centro de Artes e Espetáculos da Figueira da Foz o “I Simpósio APPSReuma: Aderir para Tratar”, promovido pela Associação Portuguesa de Profissionais de Saúde em Reumatologia. Este evento pretende debater a importância da adesão à terapêutica (não só no que aos medicamentos diz respeito, mas também à prática de exercícios físicos adequados, nutrição, entre outros) e da promoção do autocuidado e gestão da doença crónica (ajuste nas atividades diárias, no trabalho, na relações com amigos e família).

Existem mais de 100 doenças reumáticas, sendo as mais comuns a lombalgia (“Dor de Costas”), a patologia periarticular (ex. Tendinites) ou a osteoporose. Existem outras patologias que, embora menos prevalentes, acarretam tanto ou mais sofrimento e custos, como por exemplo o lúpus eritematoso sistémico, as espondilartrites ou a  artrite reumatóide  (Figura 1).

Embora as doenças reumáticas sejam conhecidas sobretudo pela dor e pela limitação funcional, o impacto na vida causado pela fadiga intensa, pelas alterações no sono, pela depressão e/ou ansiedade são menos conhecidas. Como tal, outro dos focos deste evento será debater o desenvolvimento de consultas de enfermagem para a pessoa com doença crónica, nas quais estes problemas podem ser debatidos.

Os enfermeiros são os profissionais que melhor poderão intervir no educar sobre a doença e sobre a importância da adesão ao plano terapêutico. Além disso, o enfermeiro pode ser o elemento de interligação entre o doente e os outros profissionais: médicos (reumatologista, medicina geral e familiar, cardiologista, etc), outros enfermeiros (de família, especialistas), fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, nutricionistas, assistentes sociais, psicólogos. Contudo, verifica-se que a presença e preponderância dos enfermeiros nas consultas externas, no nosso país, é ainda insipiente. É necessário que todos, nomeadamente as instituições de saúde e o poder político, reconheçam a importância destes cuidados.

Existem diversos estudos que comprovam que os cuidados assentes neste modelo são mais efetivos e mais baratos. Uma pessoa que tenha sido bem informada quanto à doença e ao seu tratamento, e que tenha um acompanhamento continuado (seja por consulta seja por apoio telefónico ou de email), irá ter menos agudizações/complicações, faltar menos ao trabalho, ter melhor qualidade de vida, gastar menos recursos (desde internamentos a urgências e exames complementares de diagnóstico). Além disso, as instituições de saúde poderão obter do estado 16€ por cada consulta de enfermagem ou de outros profissionais de saúde, sendo que por cada consulta médica obtêm 31€ (Portaria n. 20/2014 de 29 de janeiro). A visão economicista precisa de ser combatida, seja pelo cidadão, seja pelos profissionais de saúde, que, como os enfermeiros, lutam pela melhoria da qualidade dos cuidados prestados e pela melhoria dos indicadores de saúde da nossa população.

Convém, por fim, lembrar que a prevalência da doença crónica, da conjugação de comorbilidades, da polimedicação, da dependência física, do isolamento social, bem como a crise na sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde não vão parar de aumentar. Estará Portugal a preparar-se para essa realidade inequívoca? Estará Portugal a usar os recursos de que dispõe, nomeadamente das competências dos enfermeiros? Porque estarão os países desenvolvidos da Europa a vir “buscá-los” ao nosso país?

 

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