Em Sernancelhe com “Danças Ocultas”

por Rua Direita | 2015.01.11 - 18:13

 

21H00 do dia 10 de Janeiro. Um sábado frio. Em Sernancelhe. No Auditório Municipal com os seus 130 lugares ocupados, cadeiras de última hora e as galerias cheias de gente. Mais uma organização cultural de alto gabarito da autarquia local.

 

Depressa a noite aqueceu ao som trepidante, excitante e harmonioso dos Danças Ocultas.

Danças Ocultas é o nome de um grupo musical português constituído por Artur Fernandes, Filipe Cal, Filipe Ricardo e Francisco Miguel.

“Danças Ocultas é a aceitação mútua do desafio de explorar, imaginar e conceber novas linguagens musicais, transformando o mundo pelo som  e desenvolvendo todas as possibilidades da máquina inventada no século XIX – o acordeão diatónico, em Portugal conhecido como concertina.”

O grupo iniciou-se a partir de Maio de 1989. O seu nome apenas surgiu em 1994.

Durante 2 horas este quarteto de virtuosos deslumbrou o público presente. Sempre síntonos, numa sinfonia desconcertante, de um instrumento de teclas fazem precursão, fazem sopro, fazem cordas. Por vezes o diálogo é cordato, outras, uma quase zaragata perpassa polifónica por aqueles 40 dedos deixando-nos numa sublime inquietude.

O programa compôs-se de composições da autoria do grupo, excepção feita do tema regional “Moda Assim Ao Lado”.

Ouvimos… Héptimo, Tarab, Bulgar, Queda d’Água, Contradança, Alento, Esse Olhar, Diatónico, Neia, Luz Azul, Tristes Europeus, Casa do Rio, Dança II e… por reiterada insistência do público entusiasmado, Pulsão e No(c)turno das 7.

Influências várias com sons também de exótico sabor oriental e do leste europeu, mas, sem qualquer dúvida, numa mistura dialógica de onde sobressai uma exaltante conversa, ora amena como o Távora no Verão, ora conflituosa como o Douro de Inverno.

A Câmara de Sernancelhe há muito nos habituou ao superior critério musical com que brinda o seu público, em derivas que vão do mais erudito ao mais reconditamente popular. Todos com uma constante e comum tónica: a qualidade. Será por isso, talvez, que numa noite de -2º… havia no público espectadores que fizeram quase 100 quilómetros para estarem presentes.

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ac5Para Artur Fernandes a música é a sua vida e Danças Ocultas a sua mística, a sua forma de fazer uma nova música num instrumento que não mente, antes o entende.

Filipe Cal acha que esta estética nem sempre procura o “belo”. Por vezes é mais agressiva…

Filipe Ricardo sempre sonhou ser músico e adora a concertina.

Francisco Miguel quer transmitir a emoção que sente, gerar um espaço para pensar em toda a liberdade de chegarem onde quiserem. Diz que há noites em que começam nervosos. Mas depois entram noutro território…

E nós, público, com eles fomos na certeza de que “um acorde é como um acordo – uma compreensão, uma tolerância mútua, de onde resulta um uníssono. É mais do que uma verdade musical: é um facto universal.”

 

Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

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