Despedidos por “oportunidade”? Ó pá, explica lá isso melhor, sff….

por Paulo Neto | 2014.11.06 - 10:38

 

 

O ministério da Solidariedade e da Segurança Social, um dos três baluartes de Portas dá o exemplo. Mota Soares vai despedir 697 colaboradores.

Para quem tutela um ministério com aquele nome até pode parecer ironia pré-fabricada, mas infelizmente o caso é mais sério e grave do que isso.

O ministro é um jovem centrista nascido depois de Abril, daqueles com um longo percurso em curta existência, pelos corredores da política. Diz o CV que é advogado e que foi professor numa privada. Mas não foram todos? Ainda se lembram de Portas e do Jaguar verde?

Pedro Mota Soares, curado do populismo da lambreta e perante um “patrão” irrefutável nas suas convictas e inamovíveis decisões, dá o exemplo de um modelar lay off…

Como é possível despedir de uma assentada 697 funcionários? Serão funcionários de carreira? Ou, hipótese A, daqueles indefesos, precários colocados nos Programas Ocupacionais (POC’s), que serviam o Estado de várias formas: ganhavam o mínimo; esforçavam-se o máximo na mira de saírem do precário estatuto; adulteravam os números reais do desemprego; usufruíam de parcas regalias, etc…

Estamos a lidar com seres humanos, pessoas que têm nessa precariedade o único resíduo de uma hipotética sobrevivência. Mas que interessa isso a quem tutela uma coisa chamada de Solidariedade e Segurança Social?

Ou então, hipótese seguinte ou B: não são POC’s, são pessoal excedente ou excedentário. O que é isso? Gente que está a mais? Porque está a mais? Se não eram indispensáveis a um serviço como e porquê lá entraram? E agora, são meramente descartáveis? 697? Quem fará agora o seu trabalho? Ou não há trabalho na Solidariedade e Segurança Social?

Este Governo ainda tem inspectores do Trabalho? E não inspeccionam casos destes? Ou só actuam sobre as empresas privadas, nunca actuando sobre o pior exemplo de incumprimento das leis laborais vigentes, o próprio Estado?

Discorrer sobre todos os absurdos das malfeitorias cometidas por este Governo parece ser chuva no molhado. Portugal está quase vendido; os portugueses estão quase desempregados; a situação económica e financeira do país agrava-se a cada dia que passa — por mais que a “rapaziada” diga o contrário.

Afinal todo este total descalabro leva-nos onde? A banca é o que se vê… Os CTT foram… A PT era… A TAP voa… As Águas escoam-se… EDP, REN, ANA, CGD, EPAL, REFER… sei lá mais quantas vendidas e para vender.

vendas do governo

O espólio português, quando a “rapaziada” sair confinar-se-á ao rejeitado, enjeitado, falido, desfalecido, ao lixo…?

O CDS/PP está a dar o seu forte contributo, nomeadamente com o “boss”, Mota Soares e Pires de Lima. Há que o ter presente no momento certo…

Mas despedir e levar a culminância do cinismo e o refinamento da “langage de bois” a chamar-lhe “oportunidade de requalificação destes trabalhadores”…e acrescentar: ”A requalificação resulta da reforma profunda da acção social gerida pelo Estado que resultou de parte significativa da resposta social para as instituições sociais” para concluir: “O que nós estamos a fazer é proteger efectivamente as pessoas.”; “Dar início ao processo de racionalização de efectivos…”

Ó Pedro, pega na lambreta e vai gozar com o …….!