Debate “LIBERDADE DE EXPRESSÃO” com Luaty Beirão e Marcos Mavungo

por Rua Direita | 2017.01.18 - 16:00

 

Numa altura em que abundam as críticas quanto ao desinteresse do cidadão comum pelas questões da cidadania, acusando-o de passividade e indiferença, Viseu surpreendeu pela presença massiva num debate sobre liberdade de expressão.

No passado sábado, dia 14 de janeiro, o Salão Nobre da Associação Comercial de Viseu foi pequeno, para o interesse que este debate suscitou. A presença dos ativistas Luaty Beirão e Marcos Mavungo despertou entusiasmo, consciências e participação.

Luaty Beirão é um conhecido rapper e ativista luso-angolano em prol da liberdade de expressão, democracia e luta anticorrupção. Juntamente com o grupo de ativistas, Luaty foi preso por a discussão de um livro ter sido considerada criminosa. A greve de fome que realizou para protestar contra as diversas ilegalidades da sua prisão e julgamento foi amplamente noticiada desencadeando diversas manifestações de apoio na comunidade internacional, inclusive em Viseu.

Marcos Mavungo é, igualmente, um defensor dos direitos humanos e membro da organização Mpalabanda Associação Cívica de Cabinda, organização de Direitos Humanos a actuar em Cabinda, que documenta violações dos direitos humanos. A denúncia destas violações valeu-lhe a prisão e, também, no seu caso a pressão internacional foi decisiva na sua libertação.

Patrícia Filipe deu as boas-vindas em nome do Núcleo de Viseu da Amnistia Internacional (AI) realçando que “…este debate se impôs porque ainda temos que lutar pela liberdade de expressão…” e também porque “…tomamos as “nossas” liberdades como garantidas e, nem sempre, nos disponibilizamos a reflectir sobre elas e a defendê-las…”. Seguiu-se Sandra Oliveira da Pausa Possível, associação parceira nesta iniciativa organizada pelo Núcleo de Viseu da Amnistia, reforçando “…a importância deste exercício de democracia na comunidade local, à qual, como criadora de eventos, não poderia deixar de se associar…”

De seguida, Liliana Bernardo surpreendeu com uma brilhante interpretação do “O menino do Bairro Negro” de Zeca Afonso, recordando-se, nesse momento, as imagens da concentração realizada em outubro de 2015 no Rossio (Viseu) em favor da libertação dos 17 jovens ativistas angolanos.

João Oliva um dos fundadores do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS20) da Universidade de Coimbra introduziu, então, a reflexão, destacando a necessidade de uma liberdade sem vírgulas, nem exceções.

Carla Marcelino, Diretora de Projetos e Investigadora no Centro de Direitos Humanos, da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, enquadrou a questão dos direitos humanos e, em particular, da liberdade de expressão, no panorama legal, salientando o confronto da realidade com a legalidade.

Por seu turno, Pedro Neto Director Executivo da AI Portugal realçou a importância do ativismo e do trabalho que a Amnistia desenvolve, apresentando o convite aos presentes para integrarem o Núcleo de Viseu da Amnistia.

As intervenções de Marcos Mavungo e Luaty Beirão marcaram pela franqueza e exemplo de coragem e determinação. Ambos os ativistas agradeceram o empenho dos cidadãos viseenses na defesa dos direitos humanos, realçando a importância da pressão internacional e do poder dos cidadãos. Os relatos da suas experiências de ativismo mantiveram a plateia em suspenso, mas os questionamentos não se limitaram às suas experiências pessoais. Refletiu-se também, sobre o papel dos interesses económicos, dos meios de comunicação social, dos políticos e dos cidadãos.

Como mensagem final, ficou a convicção expressa pelos dois ativistas de que devemos acreditar na justiça e na luta pela mudança. A convicção que reuniu tanta gente, numa noite gelada, é precisamente a esperança de uma sociedade consciente e ativa na defesa dos direitos de todos os seres humanos, porque a liberdade de expressão e os direitos humanos, não têm que “pedir licença” para existirem dentro de nós.

(Amnistia Internacional – Núcleo de Viseu)

 

Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

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