Crónica do jogo

por Rua Direita | 2016.02.19 - 14:25

 

“Como sabem fui detido, impedido de participar na Assembleia de Freguesia de Molelos, julgado e condenado por, alegadamente, ter cometido um crime de desobediência à autoridade. Digo alegadamente porque até ao trânsito em julgado da decisão condenatória de 90 dias dada pelo juiz, mais 30 dias do que o pedido pelo Ministério Público, sou, nos termos da lei, inocente.

Ao contrário do que poderiam esperar não vou falar sobre este caso, mas apenas falarei de futebol, uma coisa completamente diferente.

Estamos perante uma eliminatória jogada a, pelo menos, duas mãos. Terminou a primeira mão jogada em casa do adversário, em pleno Cavaquistão e perdi esse jogo. A segunda mão será jogada em campo neutro em Coimbra. Não tenho qualquer dúvida que vencerei esse segundo jogo de uma forma categórica que levará o adversário a atirar a toalha ao chão.

O juiz deste jogo teve uma atuação que, numa escala de avaliação de 0 a 5, terá uma nota inferior a 1, ou seja abaixo de medíocre ficando algures entre o reles e o desprezível. Efetivamente o jogo foi decidido pela marcação de duas grandes penalidades. Não restam dúvidas que houve falta e que essa falta ocorreu dentro da área e que era merecedora de grande penalidade. O juiz, ao assinalar cada uma dessas duas grandes penalidades, pegou na bola, deu uma corrida de quase 100m e colocou-a na marca de grande penalidade da baliza contrária de onde foi cometida a falta. Fez isso das duas vezes prejudicando sempre a minha equipa. Dir-me-ão: mas isso é impossível! Nenhum juiz faz isso, isso vai contra as regras do jogo.

É verdade, mas no jogo, decida bem ou decida mal, quem manda é o juiz. Aqui dentro funciona o princípio da autoridade, terá dito o juiz, e se o juiz diz que é naquela baliza que se deve marcar a grande penalidade nada mais resta que aceitá-lo e no fim protestar o jogo.

Na jogada da 1ª grande penalidade, marcada ao contrário, o juiz decidiu alterar o artigo 110º do livro das regras, que faz este ano 40 anos, que define que os órgãos de soberania são o Presidente da República, a Assembleia da República, o Governo e os Tribunais, para passar a incluir também a pequeno campo onde se fazem estes jogos quase sempre sem assistência.

Já na 2ª grande penalidade o juiz veio a considerar que os elementos da equipa adversária durante o jogo, que é aberto ao público e realizado por isso à vista de todos, estão naquilo que se designa a “esfera privada da sua vida pessoal”, ou seja os locais privados, onde se lanfia, onde se chusma, onde se pode dar um leote, onde se pode zipar, onde se faz monilha e se limpa o fusquete e até o lhego ou a lhega pode lanfiar o lhego ou lhega, consoante os seus gostos, razão pela qual não podem ser filmados sem a sua autorização.

Confesso que ao longo dos últimos dois anos e meio em que tenho estado nesses jogos, mas sobre tudo nos anos anteriores cujos relatos dos jogos vou descobrindo a muito custo, verifiquei que se tem feita muita, mas mesmo muita, muita monilha, monilha essa que nos tem ficado muito cara para limpar, sendo que só para limpar um dos montes de monilha são necessários 3.337.749,26€. Só pode ser por isso que os elementos da equipa adversária, e apenas eles, não queiram ser filmados nesse local de jogo.

Quanto ao juiz, no fim do jogo desastroso que dirigiu, para além do recurso que será feito a quem de direito, já foi feita uma participação disciplinar do mesmo e espera-se que não volte a ser nomeado para o próximo jogo previsto já para abril, jogo ao qual não faltarei a menos que me coloquem no cemitendes. Os mais interessados podem ver uma outra participação disciplinar, que nada tem a ver com este jogo, em https://tl2b4g.s.cld.pt ”

Luís Figueiredo

http://www.casadopovodemolelos.pt/verpagina/27

Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

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